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Geração de empregos na construção civil cresce 43% em 2010, diz Dieese

Texto: Redação AECweb

Aquecimento do setor pouco refletiu nos salários, diz estudo. RJ, SP e RO oferecem as melhores remunerações; PB e PI as piores

13 de maio de 2011 - O número de novos empregos formais gerados na construção civil cresceu 43,5% em 2010 em relação ao ano anterior, segundo estudo divulgado ontem (12) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a partir de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo o Estudo Setorial da Construção, entre janeiro e dezembro do ano passado foram gerados 254.178 novos empregos formais no setor, o melhor saldo da série histórica, iniciada em 1996. Em 2009, tinham sido criados 177.185 empregos e, em 2008, 197.868. O ramo da construção representou quase 12% da geração total de postos de trabalho no Brasil em 2010, que chegou a 2,137 milhões no ano.

O setor de construção civil como um todo cresceu 11,6% em 2010, o melhor desempenho dos últimos 24 anos, segundo dados do IBGE.

O levantamento do Dieese ressalta, entretanto, que "o bom desempenho obtido nos últimos anos se refletiu pouco na melhora das condições de trabalho e no rendimento dos trabalhadores".

“Mesmo com o movimento de formalização, ocorrido em 2010, e as conquistas nas negociações coletivas, o setor ainda apresenta altos índices de informalidade e de rotatividade”, destaca o estudo. “As condições de saúde e segurança no trabalho também não têm apresentado grandes avanços, com alta ocorrência de acidentes de trabalho. Além disso, os trabalhadores ainda são submetidos, muitas vezes, a condições muito precárias, o que motivou as últimas greves da categoria”, acrescenta.

A rotatividade no setor permanece alta. Enquanto 2,4 milhões de trabalhadores foram contratados em 2010, outros 2,2 milhões perderam o emprego, o que acaba por rebaixar o salário dos trabalhadores do setor. “Apesar da exigência de maior escolaridade, o rendimento no setor ainda continua muito baixo, mesmo em período positivo e com grande demanda por mão de obra”, diz o estudo.

Segundo o Dieese, os rendimentos médios dos admitidos tiveram 3,31% de aumento real em 2010. Entre os trabalhadores contratados com ensino médio completo, que pertencem à faixa de maior contratação nos últimos anos, o salário médio passou de R$ 956,38, em 2009, para R$ 969,00, em 2010, crescimento real de apenas 1,32%.

Salário médio subiu 2,5%

O salário médio pago no país para o trabalhador da construção civil é de R$ 1.395,00, 2,5% maior que a média do ano anterior, segundo o levantamento do Dieese, que usou como referência o mês de fevereiro de 2011. As menores remunerações médias são da Paraíba (R$ 776,12), do Piauí (R$ 839,30) e de Roraima (R$ 873,68), enquanto Rio de Janeiro (R$ 1.758,13), São Paulo (R$ 1.642,22), Rondônia (R$ 1.551,96) e Brasília (R$ 1.530,34) possuem as maiores.

Em Rondônia, o salário médio subiu 39,8% e em Alagoas, 18,1%. “Provavelmente esse crescimento nesses estados pode estar ocorrendo em função de grandes obras, muitas delas implantadas por intermédio do PAC”, afirma o estudo.

Negociações salariais

O estudo mostra que de um total de 57 pisos e reajustes salariais analisados no setor em 2010, apenas um foi reajustado em valor igual à variação do INPC. Os demais foram reajustados em percentuais superiores, incorporando assim ganhos reais ao piso salarial.

Cerca de um quarto das negociações salariais analisadas conquistaram reajustes com aumentos reais acima de 4%. Em 2008, apenas 4% das negociações alcançaram tal êxito, e em 2009, nenhuma. Entre os pisos salariais, cerca de 40% obtiveram ganhos de até 4% acima da inflação, 60% de até 5%.

O maior piso salarial registrado (R$ 886) corresponde a uma negociação da construção e mobiliário do Estado de São Paulo. Já o menor piso salarial ficou em R$ 510,00, o mesmo valor do salário mínimo nacional, e foi observado em negociação dos trabalhadores da construção civil de Sergipe.

Fonte: G1

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