Goiás desponta na construção de residenciais sustentáveis

Texto: Redação AECweb

Já no eixo Rio-São Paulo, as tecnologias sustentáveis predominam nos imóveis comerciais

16 de março de 2010 - Que o aquecimento global está ameaçando o planeta não é mais segredo para ninguém, afinal, nos últimos anos a humanidade já começou a sentir na pela as alterações ambientais – conseqüências do uso indiscriminado dos recursos e serviços naturais. E o setor da construção, um dos que causam maior impacto ambiental, está se reinventando. No campo das incorporações imobiliárias, as tecnologias sustentáveis estão desenhando um novo perfil urbano, mas com algumas regionalidades.

Segundo a Green Bilding Council Brasil (GBCD), instituição certificadora de empreendimentos sustentáveis, os imóveis comerciais respondem por 55% dos pedidos de certificação. A grande maioria está situada no eixo Rio-São Paulo. Os empreendimentos residenciais respondem apenas por 14%. A economia gerada com o reaproveitamento de águas, uso de energia solar, entre outras tecnologias, facilitam a locação de salas dos grandes edifícios comerciais, e este seria o maior motivador da construção sustentável.

Enquanto isto, em Goiás, são os empreendimentos residenciais a bola da vez na área da sustentabilidade. No Estado, são os lançamentos voltados para a moradia onde os incorporadores estão implantando sistemas de reaproveitamento de água, de energia, coleta seletiva, materiais reciclados, entre outras. A ordem é promover a economia doméstica por meio da sustentabilidade.

Um exemplo é o Residencial Ecovillaggio, empreendimento de duas ou três suítes em construção na grande Goiânia pela Loft Construtora. Finalista no prêmio Planeta Casa 2008, ele é o primeiro no Centro-Oeste a reunir uma grande variedade de benefícios ambientais. “Na época do lançamento, havia apenas uma ou outra iniciativa muito tímida nesta área: na reciclagem do lixo ou em relação ao reaproveitamento da água”, afirma Bruno Veras, arquiteto e um dos proprietários da Loft Construtora.

Ao comercializar o empreendimento, a construtora mostrou ao consumidor que a tecnologia sustentável também traz benefícios à economia doméstica. “A sustentabilidade não é apenas uma opção ecológica. Quem abraça a idéia, tem retorno financeiro real”, completa Gustavo Veras, engenheiro e diretor de produção da empresa.

Residencial Lagoinha
Outro empreendimento que é sucesso em Goiás é o Residencial Lagoinha, o primeiro a implantar a tecnologia de aproveitamento das águas no Estado. Entregue aos moradores em 2006, este sistema permite a economia de 40% dos gastos com água durante o ano. A água é coletada nas calhas do edifício e segue para um reservatório de 200 mil litros, onde recebe tratamento e fica disponível para a limpeza da área comum, para o paisagismo e para as descargas sanitárias.

Na área das garagens, o Lagoinha oferece há outro benefício para o meio ambiente. A água das chuvas também é captada com destino à recarga do lençol freático. Ao invés do espaço ser totalmente impermeabilizado, optou-se por colocar blocos de cimento, entre os quais existem frisos e ductos para absorver a chuva. “Isto evita que o excesso de água transborde das sarjetas e provoque inundações”, explica o engenheiro da Toctao, Paulo Henrique Ribeiro. Por meio de energia eólica, a água do lençol freático também é sugada para alimentar o reservatório.

Diante sucesso do projeto, que rendeu à Toctao o Prêmio Eco 2007, a construtora lançou um novo empreendimento com a tecnologia no Celina Park, em parceria com a Rossi Residencial, o Ambient Park. A aprovação aos empreendimentos sustentáveis também está estimulando que a Loft Construtora continue investindo em prédios nesta linha. Neste ano, ela lança um alto padrão sustentável.

Possibilidades
Quando se fala em tecnologias sustentáveis para empreendimentos residenciais, o céu é o limite, já que em casa as pessoas promovem atividades são mais diversificadas do que no trabalho.

No Ecovillaggio, as piscinas serão aquecidas por energia solar e também virá do sol a fonte de energia para iluminar os jardins do térreo. A água das chuvas, dos lavatórios dos banheiros e dos chuveiros será reutilizada na limpeza das áreas comuns, na irrigação dos jardins e no lava-jato que lá será instalado para comodidade de quem não tem quintal para lavar o carro aos domingos. Do alto de seus apartamentos, os moradores terão uma paisagem verde sob seus olhos em razão dos 1,5 mil metros quadrados de grama que serão plantados no telhado das garagens.

Além de encher os olhos, o ecotelhado também vai melhorar a temperatura local e favorecer a purificação do ar, conforme afirma estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Na área de lazer, a churrasqueira não utilizará o carvão, mas sim pedras vulcânicas, que possuem vida útil de dois anos, não geram fuligem, fumaça nem gás carbônico. Na cobertura das torres, serão utilizadas telhas feitas com tubos de pasta dental, que absorvem 30% menos calor se comparada com as tradicionais telhas de amianto e não liberam gases tóxicos.

Foram dois anos de pesquisa para que o projeto ficasse pronto. De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Gustavo Veras, da Loft Construtora, cada detalhe das tecnologias sustentáveis foi estudado para oferecer um resultado eficiente ao futuro morador. Um exemplo é a coleta seletiva.

Além de entregar as unidades e o hall dos andares com os coletores para lixo orgânico e inorgânico, a construtora separou um espaço de 50 metros quadrados, nos fundos do empreendimento para que o condomínio armazene o lixo separado. Isso porque as cooperativas só buscam o lixo em grande quantidade. Outro detalhe diz respeito ao climatizador evaporativo, ar condicionado que resfria e umidifica o ambiente ao mesmo tempo. “Para que o morador possa instala-lo, providenciamos um ponto de água próximo à tomada do equipamento na suíte”, explicou.

Mais que contemplar o meio ambiente, para ser sustentável, um empreendimento precisa também ser economicamente viável.  A construtora também se atentou para isto: o custo da tecnologia verde não foi superior a 5%, até  porque o prédio é voltado para a classe média. “Não adiantava ter tudo isso e custar caro”, comentou Gustavo Veras.  Além do custo viável do empreendimento, a expectativa é gerar uma taxa de condomínio enxuta e até renda para o mesmo com a venda de materiais recicláveis.

A expectativa da construtora é de que também uma nova cultura seja promovida entre os moradores. Veras cita o exemplo do pomar. Ao invés de investir apenas em paisagismo, o empreendimento terá  árvores frutíferas e ervas medicinais. “Com a verticalização, isso não faz mais parte do cotidiano das pessoas, especialmente entre as crianças. Também queremos promover este resgate”, explica.

Futuro

O diretor do Green Bilding, Nelson Kawakami, explica que no Rio e em São Paulo a tendência de empreendimentos sustentáveis é maior no setor comercial porque quem começou a investir foram as grandes construtoras, como W Torres, que é voltada para o mercado comercial, e fazem empreendimentos voltados para locação e não venda. Ou seja, a construtora aluga as salas e é beneficiada com a economia gerada pela sustentabilidade.

De acordo com Kawakami, mesmo que o aluguel seja um pouco maior que os demais, a economia de energia e o valor do condomínio acabam compensando para o locatário. “As vantagens econômicas são maiores porque a economia é bem mais significativa”, diz. O desafio, considera Nelson, é convencer os empresários que vale a pena investir na sustentabilidade, seja ela em qualquer setor e em qualquer região do País.

Com o sudeste, a Loft tem uma experiência a compartilhar: o de que este é um mercado em expansão. Um levantamento feito pela construtora mostrou que, para 70% dos compradores, a sustentabilidade foi um item decisivo para a compra. “Esse é um mercado em expansão que só tende a crescer”, considera o engenheiro Gustavo Veras. O empreendimento está em construção. São 288 apartamentos divididos em três torres, sendo que a primeira será entregue em dezembro de 2010, a segunda em junho de 2011 e a terceira em dezembro de 2011. A comercialização já supera os 90%.

Fonte: Comunicação Sem Fronteiras