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Grupo Odebrecht cria Olex para atuar no comércio exterior

Texto: Redação AECweb

Nova empresa vai captar linhas de crédito à exportação e assim reduzir a alavancagem da CNO

11 de agosto de 2009 - A Construtora Norberto Odebrecht (CNO), com tradição de 30 anos na exportação de bens e serviços para projetos de engenharia, criou uma empresa focada em logística e comércio exterior.

Chamada de Olex Importação e Exportação S.A., a empresa, controlada pela construtora, começou a operar em março com embarques de gêneros alimentícios, incluindo congelados, e produtos de limpeza para o NossoSuper, rede popular de supermercados construída e operada pela CNO em Angola.

No primeiro semestre, a Olex exportou US$ 1,2 milhão para o NossoSuper. O valor é pequeno se comparado à exportação total de bens feita pela CNO para projetos de engenharia no exterior, que totalizou aproximadamente US$ 280 milhões de janeiro a junho de 2009. Mas o negócio da Olex tende a crescer. Além das exportações para o varejo no mercado angolano, a empresa se estrutura para atender a área imobiliária em Angola.

O objetivo é passar a fazer, via Olex, as exportações de materiais como aço, cerâmica e material elétrico para projetos de engenharia e da área imobiliária da Odebrecht no país africano. Na área imobiliária, o grupo constrói edifícios residenciais e comerciais e condomínios no mercado angolano.

No momento, o trabalho concentra-se em analisar a melhor forma de exportar materiais para o mercado imobiliário do país via Olex. A preocupação passa por adequar-se à legislação que controla as receitas de exportação entre empresas de um mesmo grupo, o chamado "preço de transferência", uma vez que a Olex exportaria para a própria Odebrecht na África.

Outra área com possibilidade de crescimento para a Olex em Angola é o Nossa Casa, projeto que prevê a criação de uma rede de pequenas lojas para material de construção de habitações populares. Dos US$ 280 milhões de bens exportados pela CNO no primeiro semestre de 2009, cerca de US$ 149 milhões foram para projetos na Argentina, o primeiro destino da exportação da construtora até junho.

Angola ficou em segundo lugar, com um valor de US$ 105 milhões. Depois aparecem Peru (US$ 9 milhões), República Dominicana (US$ 7,5 milhões), Venezuela (US$ 6,5 milhões) e Panamá (US$ 2 milhões).

Mauro Rehm, gerente-geral da Olex, disse que o objetivo, ao criar a empresa, foi contar com uma companhia com vocação específica em logística e exportação. Ao constituir a Olex, a Odebrecht espera melhorar os índices de endividamento da CNO, uma vez que a nova empresa poderá captar linhas de crédito à exportação, endividando-se e, por consequência, reduzindo a alavancagem financeira da construtora.

Rehm disse que a Olex não foi formada para disputar mercado com outras tradings que atuam no comércio exterior. Mas para atender os projetos da Odebrecht fora do Brasil, os quais trazem a reboque um contingente de pequenas, médias e grandes empresas que atuam como fornecedores de bens e serviços.

Em 2008, a CNO exportou US$ 1,4 bilhão em bens e serviços, quase o dobro de 2007. As exportações para as obras da Odebrecht envolveram 2,8 mil empresas, incluindo projetistas, consultores, montadores, fabricantes de equipamentos e de materiais.

O executivo estima que a cada US$ 100 milhões contratados em serviços de engenharia no exterior, são criados 20 mil empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva nacional. Segundo Rehm, as exportações da CNO na área de engenharia que contam com financiamentos do BNDES e cujos contratos estão em curso continuarão a ser geridos até a sua conclusão por uma unidade existente dentro da construtora, a Odebrecht Logística e Exportação (chamada internamente de "antiga" Olex), que funciona como centro de custo.

No futuro, à medida que as obras no exterior forem sendo concluídas, novos projetos de engenharia, com financiamentos do BNDES, poderão ser contratados diretamente pela nova companhia. José Valentim, engenheiro da Olex, disse que a empresa opera com dois terminais específicos para a exportação: um no bairro de Santo Cristo, na retroárea do porto do Rio, e outro em Santos.

As exportações de produtos congelados para o NossoSuper, em Angola, estão concentradas em Santos. Existe uma negociação para transferir ao governo angolano a operação da rede de supermercados.

Os terminais utilizados pela Olex no Rio e em Santos permitem receber e consolidar cargas de milhares de fornecedores (2,8 mil em 2008). São cerca de 13 mil itens exportados por mês, em média (em torno de 160 mil itens em 2008).

No total, a CNO está presente em 22 países e sua unidade de logística e exportação conta um navio afretado com capacidade para transportar 430 contêineres cheios, que opera na rota Brasil-Angola. Desde a primeira exportação para o Chile e Peru, em 1979, a Odebrecht já exportou um saldo acumulado de US$ 6,3 bilhões.

Fonte: Valor Online

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