Incorporadoras ampliam formas de atrair mão de obra

Texto: Redação AECweb

Brasil vive um período de falta de mão de obra para todas as funções da construção civil

25 de maio de 2011 - A falta de mão de obra na construção civil brasileira tem incitado grandes construtoras a reavaliar suas formas de pagamento dentro dos campos de obras. Para atrair mais trabalhadores, Antônio Setin, presidente da incorporadora Setin afirmou ser necessário criar parcerias com as cooperativas, oferecendo parte do lucro da obra para conseguir a mão de obra necessária.

"Hoje temos de mudar as formas de atrair o trabalhador. Em algum casos oferecemos parcerias dentro dos canteiros de obras, participação na vendas, que pode variar de acordo com o tipo da construção", afirmou o executivo, completando que esse tipo de iniciativa ainda é nova dentro da incorporadora.

A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada não é exclusividade na Setin, hoje o Brasil vive um período de falta de mão de obra para todas as funções da construção civil motivada, principalmente pelo aumento da demanda nos últimos anos.

De acordo com uma pesquisa Manpower, empresa que atua na área de recursos humanos, o Brasil está na terceira colocação no ranking dos países que mais têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados para preencher vagas disponíveis, superando a média mundial. O índice de empresários brasileiros que dizem não conseguir achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho é de 57%.

Segundo a Manpower, o Brasil só perdeu para o Japão, com um índice de 80% de queixas dos empresários, e Índia, com 67%. "Mas o caso do Japão é por causa do envelhecimento da população. Já a Índia tem um problema parecido com o do Brasil, que é uma nação em crescimento sem profissionais qualificados. Mesmo assim, os indianos falam mais inglês do que os brasileiros", comenta a executiva de recursos humanos da Manpower, Márcia Almström.

E esses números foram ratificados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que apontou que nove entre dez empresas de construção civil tem vagas para a construção.

O levantamento organizado mostrou que 89% das empresas do setor apontaram a falta de mão de obra qualificada como o problema principal.

Entre as que enfrentam o problema, 94% informaram enfrentar dificuldades para encontrar profissionais, sejam eles com qualificação básica, como pedreiros, serventes, ou até mesmo os mais especializados, como engenheiros. Para reduzir o problema, 64% dos donos de construtoras investem em capacitação dentro da empresa. "Hoje é necessário uma dinamica diferente dentro do canteiro de obras para conseguir atrair pessoal qualificado", diz Setin.

De acordo com o executivo, as obras de hoje são fechadas mediante a parcerias com os profissionais da construção. "Muitas vezes, para conseguirmos conquistar o profissional, nós precisamos oferecer uma porcentagem do negócio a ser construído, como uma forma de incentivo".

Além disso a falta de profissionais com qualificação básica também é apresentada por executivos de mercado, como Antônio Greoles Solé, diretor do grupo espanhol Araguaia, que tem notado grande dificuldade na contratação de todos os ramos de profissionais. "Hoje temos dificuldade tanto de encontrar engenheiros quanto encontrar ajudantes de pedreiro", argumentou.

Para o executivo, uma solução para reverter esse tipo de problema com demanda, esteja ligado à iniciativas governamentais de capacitação. "Talvez, se o governo atrelasse ao seguro desemprego ações de cursos de capacitação, conseguiríamos suprir pelo menos uma parte da demanda", diz.

Para Wanderlei Couto Silva, professor de engenharia civil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) a solução governamental não é suficiente. "Vivemos um periodo de entre safra dentro da construção, que deverá ser normalizada em cinco anos"

Principais carências

A pesquisa também detalha para quais funções os empresários têm mais dificuldade em encontrar pessoas qualificadas. Tanto em 2010 quanto agora, os profissionais de nível técnico ficaram no topo dos dez cargos mais difíceis de serem preenchidos. "Por muito tempo o Brasil não privilegiou o ensino técnico e tecnólogo, mas sim o universitário, mas nem sempre de boa qualidade. Essa estagnação reflete neste momento que o País está em crescimento e precisa de gente qualificada para trabalhar", diz.

Para o professor de Economia da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Fábio Pereira de Andrade, houve uma desvalorização do ensino técnico por muitos anos no País. "Na época de baixo crescimento da economia não havia demanda por esse profissional. Agora não há nem escolas para formar pessoas capacitadas para atender ao mercado de trabalho", analisa o docente.

Fonte: DCI - SP