Incorporadoras anunciam menores expectativas para o mercado imobiliário em 2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Referências no mercado imobiliário apontaram que alta de juros e inflação podem prejudicar negociações de imóveis em 2022

Mercado Imobiliário
Inflação é vista como o principal fator de influência na decisão de compra do imóvel durante um período de crise (Foto: Sergey Klopotov/Shutterstock)

02/12/2021 | 14:59 – Partindo de uma pesquisa realizada pela Consultoria Brain, empresa de pesquisa e negócios com atuação no Mercado Imobiliário, grandes nomes do ramo de imóveis discutiram as tendências do setor para 2022. Os temas abordaram as possibilidades de crédito imobiliário, intenção de compra e expectativas para o próximo ano. No estudo, durante o período de 12 meses (de outubro de 2020 a setembro de 2021), o financiamento imobiliário se aproxima dos 200 bilhões de reais, o que, para Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain, indica um recorde de financiamentos imobiliários na história do Brasil.

Apesar da grande oferta de crédito durante o período, uma adversidade reiterada por muitos profissionais é a própria inflação, diante de um cenário econômico marcado pela instabilidade. “Demanda não é problema, o problema é o crédito e o custo do crédito. A inflação alta corrói a capacidade de compra do consumidor, especialmente o de baixa renda”, aponta Eduardo Fishcer, da MRV. “Inflação é sinônimo de enfraquecimento do bolso”, completa Carlos Bianconi, da RNI Rodobens

Para eles, a inflação é um aspecto com grande potencial limitador para o próprio financiamento imobiliário, já que, na própria pesquisa, ela é o principal fator de influência na decisão de compra do imóvel durante um período de crise. Ao associá-la à elevação da taxa de juros, o cenário tende a piorar. Leandro Melnick, da EVEN, comentou sobre o maior impacto dos juros, mas afirmou estar otimista em relação ao futuro. “Estacionará neste patamar elevado, para voltar a descer no futuro”, comentou.

Quanto à instabilidade nas taxas de juros, o consenso é de que esse processo se encaminha para uma estabilização natural ao longo do próximo ano, aliado à expectativa de que as taxas apresentem redução a partir do segundo semestre. “O desejo de compra do consumidor permanece, ainda que seja postergado”, explica Diego Villar, da Moura Dubeux.

 Outro possível transtorno na decisão de compra para o ano de 2022 é o cenário político, já que será um ano eleitoral. O executivo da Brain, Fábio Tadeu, apontou que este é o aspecto de maior preocupação para os consumidores com maior poder aquisitivo. Flávio Zarzur, da EZTEC, apresentou uma visão atenuada da circunstância, explicando que as mudanças em relação aos custos de produção e mão de obra serão realizadas pelo mercado como um todo, para que o consumidor de renda média e média-alta tenha maior possibilidade de compra. (Com informações do Canal Brain)