Indústria de cimento se prepara para atender Pacote Habitacional

Texto: Redação AECweb

Setor cimenteiro atenderá a demanda com uma média estimada em 100 milhões de sacos de cimento

16 de abril de 2009 – A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) estima que a indústria cimenteira deva produzir cerca de 100 milhões de sacos de cimento, o equivalente a 5 milhões de toneladas do produto, para atender a demanda do Programa Minha Casa, Minha Vida. Uma meta desafiadora que movimentará as 54 fábricas de cimento que fazem parte do parque industrial brasileiro. O projeto, regulamentado nesta segunda (13/4), visa beneficiar cerca de 4 milhões de brasileiros e financiar 1 milhão de moradias em dois anos.

Além de contribuir com o fornecimento do principal insumo da construção civil, a indústria cimenteira, por meio de sua entidade técnica - Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) - também dará suporte às construtoras responsáveis pela execução das moradias no que diz respeito ao treinamento de mão de obra e adequação aos sistemas construtivos industrializados, indispensáveis para dar agilidade na produção de casas.

Priorizar sistemas construtivos industrializados, ao invés do bloco sobre bloco, já era uma das ações previstas pela secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães e que será paralelamente incentivada para dar suporte ao Minha Casa, Minha Vida. “Para cumprir a meta do plano, estimularemos a adoção de sistemas construtivos de casas pré-moldadas com uma linha de financiamento de R$ 700 milhões e temos grande expectativa de que eles sejam adotados pelas construtoras. Afinal, agilidade e produtividade para cumprir as metas são essenciais”, explica a secretária.

Expertise em moradias populares - um dos grandes focos da ABCP, nos últimos 10 anos, foi o desenvolvimento de programas de moradia voltados para classes baixas e habitação de interesse social que tenham projetos racionalizados, materiais de qualidade, boas condições de conforto e moradia, além de baixo custo. Para esse fim, a ABCP desenvolveu o projeto Habitação 1.0® (em analogia ao carro 1.0), que tem como princípio básico construir moradias de qualidade a um custo acessível para a população de baixa renda. Hoje, seis anos após sua implantação, o projeto já permitiu a construção de mais de 35 mil unidades de Casas 1.0

Industrialmente, a Casa 1.0 pode ser construída no sistema de Paredes de Concreto, Concreto PVC e pré-fabricados. As casas pré-fabricadas (moduladas) são montadas apenas no canteiro de obra. “A parede da casa já será entregue até pintada, com janela, portas, sistema hidráulico e elétrico, e chega à obra para ser montada”, explica Mario William Esper, gerente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Por solicitação do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a ABCP orientou os envolvidos no Programa Habitacional sobre a viabilidade técnica do projeto. Segundo Mario Esper, não há como cumprir esta meta se não houver uma política de incentivo à industrialização dos sistemas construtivos, como suporte às medidas. “Neste caso, a ABCP sugeriu a criação de uma linha de financiamento para construção de fábricas de sistemas pré-moldados. A proposta foi amplamente contemplada pelo governo e o BNDES já direcionou uma linha de financiamento para este fim. A intenção é construir 70 novas fábricas de pré-moldados de concretos leves, cada uma com capacidade instalada de edificar 400 casas por mês”, diz Mario.

Para todos os mercados, apesar da necessidade de adotar construções ágeis, a ABCP também está preparada para auxiliar tecnicamente, alguns casos em que o sistema tradicional for o mais indicado. “Sem dúvida, o programa Minha Casa Minha Vida necessita de sistemas industrializados para atender ao desafio de construir um milhão de casas em dois anos. Entretanto, esses sistemas não estão disponíveis em todas as regiões, o que torna a opção artesanal - como a alvenaria - uma ótima alternativa”, salienta Mario William. Essa expertise da Associação foi primordial para orientar os trabalhos no governo.

Em um cenário de crise e retração da economia, o estímulo à produção habitacional é também poderosa ferramenta de inclusão social. É nessa direção que o governo federal vem discutindo o PlanHab e o Programa de Incentivo à Construção Habitacional.

O gerente da ABCP ressalta que há grande expectativa de que o setor de construção habitacional possa servir de alavanca para amenizar os impactos da crise econômica e do desemprego e, ao mesmo tempo, diminuir o déficit de moradia no País. “Esperamos que esse desafio do governo Lula também se torne um desafio para a iniciativa privada, pois acreditamos que o crescimento do Brasil passa pela construção civil".

Fonte: Revista Engenharia - SP