Internet vai até os canteiros de obras

Texto: Redação AECweb

Ideia da Odebrecht pretende montar laboratórios de informática e oferecer aos trabalhadores

1º de julho de 2009 - Enxada, cimento e internet. A construtora Norberto Odebrecht, em parceria com empresas da área de tecnologia, vai levar as ferramentas da rede mundial de computadores até os funcionários que atuam nos 43 canteiros de obras da empresa pelo país.

O projeto, batizado de "Caia na rede", começa nesta semana e prevê que os dez mil trabalhadores da Odebrecht passem por um treinamento básico de computação e aprendam a fazer operações como criar uma conta de e-mail, navegar pela internet e utilizar ferramentas rotineiras de escritório, como editores de texto e cálculo.

A iniciativa tem a parceria da Microsoft, que doou para a Fundação Odebrecht 800 licenças do sistema operacional Windows Vista e 800 licenças do pacote Office, o que totaliza um investimento de R$ 1,2 milhão. A fabricante de computadores Dell ficará responsável por equipar parte dos canteiros de obras. A empresa doou 215 computadores novos para o projeto, o que totaliza cerca de R$ 500 mil. A operadora Oi também é parceira nas conexões de internet em algumas regiões.

Segundo Benedicto da Silva Junior, vice-presidente executivo da Odebrecht, o projeto também deverá atingir, até o fim deste ano, cerca de 10 mil habitantes que vivem nas comunidades locais. A construtora calcula que, em média, cada laboratório lhe custará cerca de R$ 70 mil, devendo chegar a um investimento total de aproximadamente R$ 3 milhões.

A ideia de montar os laboratórios de informática, diz Junior, foi a forma encontrada pela empresa para levar conhecimento aos trabalhadores que, em média, passam dois anos envolvidos com cada obra da companhia. A Odebrecht, especializada em obras pesadas, como a construção de pontes e estradas, é uma das companhias à frente de projetos como o das usinas do rio Madeira, em Porto Velho (RO). Ali, trabalham seis mil profissionais, número que deverá saltar para dez mil até o fim do ano. "Nosso objetivo é que, após cada obra ser concluída, esse laboratório continue à disposição da comunidade", comenta Junior.

Em alguns locais, os laboratórios serão montados em parceria com prefeituras, que poderão ceder estruturas de prédios públicos ou escolas. Em locais mais isolados, os laboratórios serão montados nos próprios canteiros de obras. Cada estrutura deverá ter entre 10 e 12 computadores. Fora dos horários de curso, os laboratórios vão funcionar como LAN houses para a comunidade. O acesso à internet, em muitos casos, terá de ser feito por comunicação via satélite, já que em algumas regiões não há cobertura de rede celular, telefonia fixa ou cabo de fibra óptica.

A proposta prevê que os treinamentos sejam ministrados pelos próprios trabalhadores, diz Emilio Munaro, diretor de cidadania da Microsoft. Nas últimas semanas, 140 profissionais da Odebrecht foram treinados pela Microsoft. "Agora essas pessoas vão disseminar os treinamentos entre os trabalhadores dos canteiros de obra, que passarão a formar as próximas turmas", comenta Munaro.

Paralelamente aos canteiros de obras, as empresas vão montar uma estrutura com 151 computadores na região do Baixo Sul da Bahia, há 200 quilômetros de Salvador. O projeto, que envolverá cinco escolas, será realizado na região onde a Odebrecht realizou a sua primeira obra no país, em 1944. "Essa iniciativa tem um valor simbólico para nós", comenta Maurício Medeiros, presidente executivo da Fundação Odebrecht.

Estatísticas apresentadas pela construtora apontam que apenas 6% dos trabalhadores da construção civil têm computador em casa e apenas 3,5% deles têm acesso à internet.

Até março, mais de 54 milhões de pessoas haviam acessado a internet no país, segundo dados do Comitê Gestor da Internet (ver quadro). Entre as classes D e E, porém, a rede é realidade para apenas 13% da população, enquanto nas classes A e B os índices chegam a 89% e 68%, respectivamente. Nas zonas rurais do país, as LAN houses (58%) são os locais mais usados pelas pessoas para navegarem na rede.

Fonte: Valor - André Borges, de São Paulo