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Investidores apostam em shoppings para classes C e D

Texto: Redação AECweb

Aumento da renda destas classes faz com que novos investidores apostem em shoppings populares

26 de agosto de 2009 - De olho no aumento da renda das classes C e D, cresce o número de projetos de shoppings populares e de investidores interessados nesse tipo de empreendimento, que é voltado não só para o varejo, mas para pequenos revendedores.

É o caso do Grupo Doimo, sediado na Itália e que atua na área industrial, que no Brasil optou por investir no segmento imobiliário por meio de shopping centers. Inaugurou, no fim do ano passado, o Uai Shopping, em Belo Horizonte, voltado à classe C, com investimentos de R$ 27 milhões.

O projeto deu tão certo que o Grupo investirá mais R$ 14 milhões para dobrar o tamanho do empreendimento, além de ter capital para a abertura de outros shoppings do mesmo modelo na região da Grande Belo Horizonte.

De acordo com Peter Barezani, diretor comercial do Uai Shopping, antes da inauguração foi estudado por quase dois anos o comportamento da renda da população C e D, mas sem perder de vista o público A e B, além de acreditar no potencial da região, já que o shopping fica no centro da capital mineira, em uma área voltada para o atacado e em frente à rodoviária da cidade, atraindo assim comerciantes de cidades próximas.

Para Elias Tergilene, presidente do Grupo no Brasil, "o shopping é para o público G, de Gente" e reforça a grande demanda, explorando um segmento ainda pouco explorado.

Com cerca de 140 operações, o mall recebe de 9 mil a 10 mil pessoas por dia e de 14 mil a 16 mil nos fins de semana. Com a aquisição de um terreno lateral, será possível duplicar o local, chegando a quase 400 lojas. A ampliação deve ficar pronta a partir de outubro de 2010.

O executivo não quis detalhar os próximos projetos, mas há previsão de construção de outros shoppings a médio e longo prazo, com investimentos de cerca de R$ 20 milhões. O Grupo Doimo será responsável pela maior parte do investimento, mas há outros pequenos parceiros. O Grupo ainda tem outra experiência no setor de shoppings para o público A, que deve ser lançado em janeiro de 2010 em Belo Horizonte.

Outro projeto que deverá ser um enorme shopping popular e uma solução para os polos atacadistas de São Paulo, como as regiões do Brás, Bom Retiro e 25 de Março, é o Mega Pop Center, que será construído no terreno onde hoje funciona o Shopping da Madrugada: um espaço de 140 mil m² próximo à Avenida do Estado.

Além de abrigar comerciantes que trabalhavam como camelôs, em um pavimento com 10 mil boxes, espaços de 4 m² que devem ter um aluguel de cerca de um salário mínimo, o shopping promete ter grandes lojas, e até âncoras, em um segundo pavimento.

Estão sendo feitas reuniões com grandes redes, como a Casas Bahia, por exemplo, que teria mostrado bastante interesse. O local contará com toda a infraestrutura de um shopping, com praça de alimentação, recreação infantil, área para lazer etc. Também estão previstos centro gastronômico, centro de eventos, faculdade de moda e um hotel ao lado do shopping. As obras devem ser iniciadas em 6 meses e a previsão é de que consumam US$ 500 milhões.

Hoje, a Construtora Serviman Empreendimentos está à frente do projeto e investe R$ 1 milhão para os estudos do solo e os alvarás necessários. Posteriormente, outras construtoras e administradoras devem participar e investir no projeto, que tem apoio ainda do Ministério dos Transportes e da Prefeitura de São Paulo.

O empreendimento deverá ser totalmente finalizado em 2014, ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo. Mas o shopping deverá ficar pronto antes, para depois serem instalados o hotel e centros.

De acordo com Izidro Filho, conselheiro da Associação Comercial de São Paulo (ASCP), onde surgiu a ideia, e gestor do projeto, o empreendimento ainda "ajudará a formalizar milhares de camelôs e comerciantes ilegais: desde de julho, 15 mil já foram formalizados".

Além disso, há a questão financeira, já que o shopping deve ter o mesmo público da região do Brás, que atrai cerca de 500 mil consumidores por mês. Com isso, calcula-se que sejam injetados na região R$ 40 milhões em dinheiro "vivo" por meio de pequenos comerciantes e sacoleiros, que gastam em média R$ 1.800,00 em compras, em dinheiro.

A intenção é que esses clientes passem a aderir a um cartão, chamado Fashion Card, em parceria com a Digicard, que começará a ser distribuído em setembro com um cartão de débito, com previsão de emitir 50 mil cartões, para depois se tornar um cartão de crédito, que está sendo negociado com a Casa de Crédito.

O aumento da renda da classe C faz com que novos investidores apostem em shoppings populares. É o caso do europeu Grupo Doimo, que deve investir na construção de novos malls em Minas Gerais e outros estados.

Fonte: DCI

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