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Juro futuro dita maré no setor de construção

Texto: Redação AECweb

Setor imobiliário é fortemente atrelado ao crédito e as ações do segmento caem quase sempre que aumentam as expectativas de que os juros subam

26 de abril de 2010 - A casa própria sempre foi motivo para a sensação de estabilidade e tranquilidade. Mas não se pode dizer o mesmo das ações do setor imobiliário neste começo de ano, em que elas compõem o segmento mais volátil da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em um dia, figuram entre as maiores altas dos papéis do índice Bovespa (Ibovespa).

No dia seguinte, estão entre as mais relevantes quedas. Um fator que tem influenciado fortemente o preço dos ativos de construtoras e incorporadoras é o mercado de juros futuros, no qual investidores apostam nas taxas que estarão vigentes no prazo de cada contrato, mensal.

A taxa DI acompanha de perto a taxa básica de juros, Selic, calibrada pelo Banco Central (BC) e hoje em 8,75% ao ano, mas com expectativa de chegar perto de 12% no fim do ano. Mais precisamente, o contrato projeta o juro Dl acumulado nos 12 meses anteriores a cada vencimento.

Como o setor imobiliário é fortemente atrelado ao crédito, as ações do segmento caem quase sempre que aumentam as expectativas de que os juros subam. E os papéis dessas empresas sobem quando as apostas são de que a taxa Selic caia, ou de que não suba tanto quanto se acreditava na véspera.

“O juro futuro influencia o setor de construção. As empresas tomam dinheiro, via dívida ou ações, antes de começarem a construir. Além disso, quem compra imóvel também se financia e os juros altos deixam a aquisição mais cara”, avalia Hersz Fer-man, gestor da Yield Capital.

Ferman elaborou um estudo em que confronta o desempenho dos contratos de juros futuros para janeiro de 2012 na BM&F com o índice Imobiliário (Imob), das empresas do setor, dividido pelo desempenho do índice Bovespa (Ibovespa).

Setor ainda oferece boas oportunidades de ganhos

Segundo o levantamento, quando a taxa DI cai, a diferença do Imob para o Ibovespa sobe. Ou seja, o setor imobiliário tem desempenho superior ao principal indicador da Bolsa. Já quando a taxa DI sobe, projetando juros mais altos, o índice Imobiliário tem desempenho inferior ao do Ibovespa.

Outro fator que desanimou o setor nesse começo de ano foi a decepção com o programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. O número de casas construídas será menor do que o esperado. Além disso, o foco será ainda mais na baixa renda do que a expectativa, o que significa que beneficiará poucas empresas com ações em Bolsa e quem construir terá uma margem de lucro menor.

O analista do setor na Fator Corretora, Eduardo Silveira, reconhece os riscos do setor:. “É um segmento bastante volátil, a correlação com a Bolsa vai de 1,5 a duas vezes. Ou seja, a cada 1% que o Ibovespa sobe,essas ações sobem 2%. E, quando a Bolsa cai, também”, diz.

Segundo ele, há vários motivos para o setor ser mais arriscado: tem receita menos previsível do que outros setores e uma contabilidade mais complicada (como a avaliação de terrenos ou de imóveis à venda), além disso, é "um dos setoresmais jovens na Bolsa". De fato, foi só nos últimos anos que as companhias do segmento começaram a recorrer ao mercado de ações para se financiar.

Mas Silveira avalia que há ainda boas alternativas de ganhos no setor de construção na Bolsa. Ele destaca como o maior potencial de valorização o das ações de Brookfield e Agre na média renda, PDG Realty e MRV na baixa renda, e Cyrela e Rossi entre as integradas. Entre esses papéis, ele enxerga ganhos de até mais de 50%.

A chefe de análise da Spinelli Corretora, Kelly Trentin, pondera, no entanto, que um dos motivos para as ações de incor-poradoras e construtoras sofrerem neste começo de ano é o fato de que subiram muito em 2009.

No ano passado, o Imob subiu 204,88%, enquanto o Ibovespa teve ganho de 79,99%.  “Os juros futuros influenciam, mas, na prática, os financiamentos imobiliários são de mais longo prazo do que o crédito para bens duráveis, por exemplo”, diz Kelly.

O analista Erick Scott Hood, da SLW Corretora, também destaca as ações de Cyrela, PDG, Gafisa e Brookfield, todas com potencial de alta de 20% a 30%, em vista dos preços atuais. “Os juros têm efeito psicológico, mas são reações de curto prazo que abrem oportunidades de compra”, afirma.

Fonte: O Globo

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