Lixo e entulho são descartados incorretamente em São Paulo

Texto: Redação AECweb

Estima-se que cerca de 3 mil toneladas de entulho são descarregadas diariamente de forma clandestina

5 de março de 2009 - A Coordenação das Subprefeituras de São Paulo admite ser impossível fiscalizar o descarte irregular de entulho nos inúmeros pontos onde essa prática é vigente na cidade de São Paulo. Segundo o Limpurb, órgão que luta para viabilizar a coleta seletiva de lixo dos condomínios (e fora deles), os catadores clandestinos jogam, diariamente, nada menos de 3 mil toneladas de entulho nas ruas da cidade. Já de forma regular, o volume do entulho descarregado nos quatro aterros da Prefeitura chega a 2,6 mil toneladas todos os dias. Ao todo, de forma regular ou clandestina, são 5,6 mil toneladas por dia.

Alguma coisa de muito grave já ocorreu quando o lixo e o entulho de uma cidade não conseguem ser corretamente descartados. Dizem que o planeta já teve sua capacidade de resposta à demanda por produção exaurida em cerca de 30%. O lixo e o entulho acima da capacidade de descarte são indicadores de que o metabolismo das cidades entrou em colapso. Lixo e entulho são também indicadores do desperdício. Significam que estamos consumindo além da conta numa sociedade que não questionou ainda sua própria capacidade de crescimento e, muito menos, o conceito de crescimento ilimitado.

Para quem não sabe, existe um sindicato das empresas removedoras de entulho do Estado de São Paulo. Essa entidade não consegue conter o furto de caçambas e estas, quando furtadas, dificilmente são recuperadas por que não há, como nos automóveis, uma identificação. Ainda segundo o sindicato, a Prefeitura está estudando a colocação de um chip nesses equipamentos para dificultar os furtos.

Chip em caçamba? Parece coisa da mais absurda história em quadrinhos. Foram nada menos de 100 as caçambas furtadas em 2008. Apesar da inusitada disputa por elas, apenas uma pequena parte do entulho é reciclado no Brasil. Na Europa, a média é de 95%. Caso fosse recolhido e reaproveitado, as obras da construção civil ficariam mais baratas e o déficit habitacional poderia ser aos poucos reduzido. Mas a construção civil não é a única culpada. A cultura do lixo e do entulho descartados em terrenos baldios ou em qualquer outra área a céu aberto é sólida entre nós. Quando pedimos (e remuneramos) os catadores para levar nossas tranqueiras, não perguntamos para onde elas vão. Mais é fácil saber: a nefanda desova volta-se contra nós.

Grande parte do entulho que assola os lixões da cidade foi descartada durante a construção dos prédios, onde foram instalados os condomínios, nem todos com espaço para armazenagem do lixo destinado à reciclagem. Quando há reformas nesses condomínios, cabe aos síndicos e administradoras providenciarem para que o descarte seja feito de forma responsável. Não sendo feito corretamente, mais se fecha o círculo vicioso que, no futuro, ainda pode nos afogar. É o lixo (e o entulho) ou nós.

Fonte: Jornal da Tarde - Hubert Gebara - Vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP.