LPS Brasil: Papéis baratos ou venda do controle?

Texto: Redação AECweb

Investidor receberá R$ 7,10 por ação, 14,4% abaixo do valor negociado em mercado

12 de junho de 2009 - A oferta de dois acionistas da imobiliária LPS Brasil (Lopes) para a aquisição de ações da companhia leva a duas conclusões: os papéis estão baratos ou há a possibilidade de venda do controle da companhia, diante do processo de consolidação do setor imobiliário.

O investidor interessado em vender as ações tem até o dia 07 de julho para se habilitar ao leilão, que terá preço mínimo de R$ 7,10 por ação, 14,45% abaixo do valor negociado no mercado.

O preço sugerido de R$ 7,10 foi estipulado com base na média dos últimos 60 pregões até o dia 02 de junho. Mas a expectativa da área de Relações com Investidores da Lopes Brasil é de que o valor final seja maior, devido à cotação atual das ações e pelo fato de que a compra será realizada através de leilão.

Durante a tarde desta quarta-feira, o papel valia R$ 8,30. Apesar da recuperação ao longo deste ano, que registra alta acumulada de 25,76%, o papel ainda está bem abaixo do valor colocado na abertura do capital.

Na oferta pública inicial, em 15 de dezembro de 2007, a ação ordinária da companhia foi colocada a R$ 19,48. De lá até o pregão desta última quarta-feira, a perda acumulada é de R$ 57,4%.

A oferta colocada é da São Francisco Participações Ltda e da Equity Engenharia e Empreendimentos Ltda, que fazem parte do bloco de controle da empresa, junto com a RoseDiamond. Juntos, os três detêm 24.396.080 ações, ou 49,34% do capital total.

Segundo os termos do acordo de acionistas, a RoseDiamond, a São Francisco e a Equity obrigaram-se a votar em bloco relativamente a determinadas matérias de competência da Assembléia Geral, tais como a destinação do lucro líquido do exercício e distribuição de dividendos e aumento do capital social. O acordo de acionistas também prevê algumas restrições à alienação das ações de titularidade das três, bem como direito de venda conjunta.

Oferta pública
Pelo acordo, tanto a São Francisco quanto a Equity Engenharia não podem adquirir ações sem fazer a oferta pública ao mercado. Em edital, a área de Relações com Investidores da Lopes explica que a oferta tem por finalidade a aquisição, por meio da Instituição Intermediária, de até 4.225.352 de ações ordinárias da Lopes Ações, dentro do limite de até um terço das ações atualmente em circulação no mercado.

Para a equipe de RI da Lopes, a aquisição reduzirá o free float da companhia, atualmente em 35%, mas não deve fazer a empresa se desenquadrar do mínimo exigido pelo Novo Mercado, 25% do total de ações.

"Não representa o primeiro passo para um fechamento de capital ou saída do Novo Mercado, mas sim a visão de que os controladores acreditam que as ações estão baratas", diz uma fonte ligada à empresa.

Segundo a fonte, além de verem que os papéis estão baratos, os controladores têm em mente que a empresa é uma boa distribuidora de dividendos. A companhia distribui, em média, 70% do lucro líquido.

No entanto, no ano passado, devido à crise, a distribuição foi interrompida. A projeção de Valor Geral de Vendas (VGV) para 2009 da companhia contratado para o mercado primário é de R$ 5,5 bilhões a R$ 6,0 bilhões.

Barato?
Para o analista da Corretora Geral, Ivanor Torres, a princípio a oferta leva à sinalização de que as ações estão baratas. A pergunta que fica é: até que ponto? O especialista ressalva que o preço do papel sobre o valor patrimonial mostra uma relação de 131 vezes, considerando a cotação de R$ 8,30. "Isso significa que o valor patrimonial da empresa é de R$ 0,632 centavos", observa.

Os dados do balanço de março mostram que o patrimônio líquido soma R$ 3,1 milhões, contra um ativo total de R$ 286,026 milhões. "São uma demonstração que a companhia está altamente endividada e grande parte disso é com o controlador. Na situação atual a empresa corre risco de continuidade", diz.

Desde a oferta pública de ações, o patrimônio foi corroído. O PL ao final do primeiro trimestre de 2008 somava R$ 74,312 milhões e chegou em setembro do ano passado a R$ 94,4 milhões. A queda registrada nos 12 meses até março deste ano é de 95,8% e desde setembro até março o PL foi consumido em 96,7%. "Os números são muito ruins. O patrimônio está praticamente zerado. Só os donos devem estar acreditando no negócio", avalia.

O passivo circulante, que demonstra as obrigações da companhia no exercício, somava R$ 48,39 milhões ao final deste primeiro trimestre. Já o passivo não circulante era de R$ 228,972 milhões, sendo que deste total R$ 215,545 milhões eram da linha renda a apropriar.

Com base nestes dados, o analista acredita que, a compra de ações por parte dos controladores da companhia está relacionada ao fato de que eles estão "vendo algo que ninguém está". Torres não descarta a possibilidade de que haja a venda do controle da empresa.

"Com base na situação da empresa e na oferta feita pelos controladores, é plausível esperar que os acionistas estejam comprando os papéis para facilitar a alienação do controle. A empresa é do Novo Mercado e tem tag along de 100%, o que dificulta uma possível venda ou fusão da companhia. Assim, quanto menos ações nas mãos dos minoritários, mais fácil vender", observa.

O analista lembra ainda que o setor de construção civil ainda é muito pulverizado e tem passado por um movimento de consolidação, como as operações entre Tenda - Gafisa e Abyara - Agra.

Fonte: Monitor Mercantil