Materiais de construção devem retomar competitividade em 2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Importações serão menores a partir do ano que vem

14 de setembro de 2012 - A indústria brasileira de materiais de construção deve voltar a ser mais competitiva a partir de 2013, com as importações no setor começando a perder forças após terem disparado entre 2005 e 2011, segundo estudo do setor divulgado ontem. "As importações serão menores de 2013 para frente, não devem crescer mais", disse o presidente da associação que representa o setor no país, Abramat,Walter Cover. "Haverá crescimento, mas em potencial menor... (o ano de) 2012 representa um ponto de inflexão importante." A competitividade da indústria de materiais diminuiu em 35% de 2005 a 2011, período em que as importações aumentaram em média 15,5% ao ano, conforme levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a Abramat.

No ano passado, a participação das importações na oferta local do setor chegou a 6,2%, contra 5,2% e 4|% em 2008 e 2005, respectivamente. Os segmentos mais afetados por este avanço incluem equipamentos de distribuição e controle de energia, vidro, siderurgia e produtos cerâmicos. "A competitividade diminuiu essencialmente por uma questão de preço", assinalou Cover. Isso porque a forte desvalorização da taxa de câmbio entre 2005 e 2011 deixou os produtos importados mais baratos.

No período de 2008 a 2011, por exemplo, as importações brasileiras de materiais de construção cresceram 13,3%, ficando bem próximas do resultado para as importações totais do país, que aumentaram 13,4% no mesmo intervalo. Já a balança comercial do setor tem sido negativa desde 2010. No ano passado, o déficit superou US$ 1 bilhão e, para 2012, a estimativa é de que o saldo seja negativo em US$ 1,2 bilhão, considerando importações de US$ 4,9 bilhões e exportações de US$ 3,7 bilhões.

"Uma das formas da indústria reagir é com melhora de produtividade", disse Cover, ressaltando entre os fatores que devem contribuir para a reversão do cenário para o setor a valorização da taxa de câmbio e a desoneração de impostos. O governo anunciou no final de agosto a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns setores, buscando estimular a economia.

O setor de materiais conquistou a desoneração até o fim de 2013, mas ainda pleiteia a extensão da lista de produtos beneficiados. Outra medida de incentivo adotada recentemente pelo governo, de elevar a alíquota do Imposto de Importação de 100 produtos, também deve favorecer a indústria de materiais, que teve itens como vidros e materiais elétricos incluídos na lista. A entidade pleiteia agora a inclusão de outros itens na segunda lista, que será anunciada em outubro, contendo mais 100 produtos que também terão o imposto de importação elevado.

"Estamos discutindo com o governo a entrada de vergalhões de aço e metais sanitários", disse Cover, se referindo a produtos que têm forte participação nas importações. Embora tais medidas não tenham efeito imediato, a perda de competitividade nos últimos anos já começou a ser parcialmente revertida no primeiro semestre deste ano, quando houve alta perto de 11%.

Vendas em queda

O faturamento da indústria de materiais vem perdendo força desde 2011 e, este ano até julho, acumula alta de 2,2%, abaixo da previsão da Abramat para 2012, de crescimento de 3,4 %. "Existe a tendência de revisão para baixo após os dados de agosto", afirmou Cover.

A Abramat já reduziu a projeção para este ano, que era inicialmente de aumento de 4,5%. Segundo ele, o varejo, que responde por cerca de 25% das vendas do setor, vem contribuindo para que o desempenho não seja pior. "Essa é a parte (varejo) que vai indo bem no mercado de materiais", disse. As vendas de materiais no varejo subiram 9,3% no primeiro semestre e, de acordo com projeção da Abramat, devem fechar 2012 com alta de 9,2%.

Fonte: Brasil Econômico