Mercado imobiliário dos EUA prevê retomada para o ano que vem

Texto: Redação AECweb

Em 2009, setor apresenta indicadores para a construção residencial e hipotecas desacelerando

23 de novembro de 2009 - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu neste final de semana aos norte-americanos paciência em relação à situação da economia, no momento em que o mercado imobiliário dos Estados Unidos piora, com indicadores para a construção residencial e hipotecas desacelerando. Porém, há previsão da retomada de crescimento em 2010.

No mercado imobiliário comercial dos EUA, os acordos devem somar US$ 4, 9 bilhões este ano - a maior baixa desde 2001, de acordo com a Real Capital Analytics Inc. O total de vendas este ano de escritórios, hotéis, varejo e indústrias é 50% menor que no mesmo período do ano passado e ficará abaixo dos US$ 80 bilhões de 2001, o pior ano para o setor nos Estados Unidos. "Não acredito que a crise no mercado imobiliário passou", diz Mark Zandi, economista-chefe da Moodys Economy.com. "Acredito que vamos assistir a uma brusca retração", acrescenta Zandi.

Para a Toll Brothers Inc., maior construtora de casas de luxo nos Estados Unidos, a venda de casas novas deve começar na primavera (do Hemisfério Norte). "A venda de casas usadas deve demorar mais para começar", disse David Berson, economista-chefe do PMI Group, que atua na área de seguros para hipotecas.

O volume de pedidos de empréstimos imobiliários nos Estados Unidos diminuiu 2,5% na semana encerrada em 13 de novembro, no comparativo com uma semana antes, em bases ajustada sazonalmente. No mesmo período, as requisições de hipotecas para financiar empréstimos imobiliários existentes cederam 1,4%. Os dados fazem parte da pesquisa da Mortgage Bankers Association (MBA), localizada em Washington, e representante da indústria de financiamento imobiliário nos Estados Unidos.

Segundo a MBA, a parcela de pedidos de refinanciamento de hipotecas se situou em 72,9% do total dos pedidos, acima dos 71,5% registrados na semana anterior. É o mais alto índice desde a semana encerrada em 15 de maior deste ano. O índice que mede a confiança das construtoras em novembro registrou a maior baixa da semana, e o departamento do comércio norte-americano informou que a construção de casas nos Estados Unidos caiu 11% em outubro para o menor nível desde abril.

A ajuda federal de US$ 8 mil em crédito para a compra da primeira casa própria, medida que foi ampliada pelo presidente Barack Obama, elevou a venda de casas usadas para a maior alta em dois anos no mês de setembro. Ao mesmo tempo, a maior taxa de desemprego dos últimos 26 anos no país está mantendo muitos comprados fora do mercado e levando proprietários ao despejo.

"A criação de empregos determina o comportamento do mercado imobiliário", disse Donald Tomnitz, chefe executivo da D.R. Horton Inc."Se observamos o cenário macroeconômico, a situação não é boa para o setor", acrescentou Tomnitz.

As ações da D.R. Horton, a segunda maior construtora dos Estados Unidos, já acumulam queda de 14% este ano depois da previsão de analistas de que a companhia deverá ter perdas maiores no quatro trimestre do que o mercado espera. As ações das companhias no índice S&P Supercomposite Homebuilding tiveram queda de 5% na sexta-feira, a maior em mais de um mês.

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, as companhias norte-americanas cortaram 7,3 milhões de postos de trabalho desde dezembro de 2007 - a mais alta contração desde a Grande depressão. A taxa de desemprego subiu para 10,2% em outubro - o mais elevado no país nível de 1983. "A taxa de desemprego deverá atingir o pico de 10,4% no primeiro trimestre de 2010 mesmo que a economia norte-americana continue a se expandir", disse Douglas Duncan, economista-chefe da Fannie Mae, a maior financiadora de hipotecas nos EUA.

Morgan Stanley
O banco norte-americano Morgan Stanley vendeu a filial do ramo imobiliário Crescente, adquirida em 2007 por US$ 6,5 bilhões, para uma empresa conjunta formada pelo britânico Barclays e Goff Capital. O montante da operação não foi divulgado. O Morgan foi um dos bancos mais avariados pela crise financeira global e só reverteu nove meses de prejuízos no trimestre passado.

Fonte: DCI - SP