Mercado imobiliário já é o 2º maior do país

Texto: Redação AECweb

Em 2009, setor movimentou R$ 11,7 milhões por dia, fechando o ano com um faturamento de R$ 4,3 bilhões

08 de fevereiro de 2010 - O mercado imobiliário do Distrito Federal ultrapassou o do Rio de Janeiro e, em 2009, se consolidou como o segundo do país em faturamento e em número de unidades vendidas. Os lançamentos movimentaram R$ 11,7 milhões por dia, um total de R$ 4,3 bilhões no ano.

Cerca de 14 mil unidades ganharam o mercado brasiliense. Os números foram divulgados pelo Conselho de Corretores de Imóveis do DF (Creci-DF), com base em levantamento feito entre 10 grandes empresas do setor.

Na capital carioca, o faturamento das empresas com a venda de cerca de 13 mil unidades parou em R$ 3,9 bilhões, segundo estimativa da Ademi-RJ. São Paulo lidera o ranking, com uma previsão de 34 mil unidades comercializadas em 2009. O faturamento não foi divulgado, mas o volume do mercado na maior cidade brasileira tende a ser quatro vezes maior do que o do DF. Salvador e Belo Horizonte se revezam no quarto e quinto lugares.

Ao longo do ano passado, o novo cenário era esperado porque Brasília quase não sentiu os efeitos da crise econômica mundial. No Rio, o mercado recuou 20% no primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008. Construtoras cancelaram projetos e voltaram atrás na decisão de comprar terrenos, o que afastou investidores. "A crise obrigou as empresas a pisarem no freio e, com isso, acabamos vendendo menos", explica o presidente do Creci-RJ, Casimiro Vale.

No DF, as empresas mais cautelosas chegaram a adiar lançamentos, mas não desistiram deles. "Eu queria estar em Brasília, principalmente em momentos de crise, quando, mesmo assim, as pessoas não deixam de investir", comenta Paulo Fabbriani, conselheiro da Ademi do Rio de Janeiro e vice-presidente da incorporadora Carvalho Hosken. Ele pondera que a comparação entre as duas cidades é possível apenas no caso de unidades novas. "O mercado do Rio chega a ser 10 vezes maior se incluirmos o volume de vendas de imóveis usados", diferencia.

Sem surpresas
Empresários do mercado do DF encaram o segundo lugar como se fosse o primeiro. São Paulo completou 456 anos no mês passado. Brasília faz 50 anos em abril. Os lançamentos em cidades como Samambaia, Gama e Ceilândia, além do fenômeno Noroeste (1), sustentou a expectativa de ultrapassar o Rio em 2009. "De certa forma, não nos surpreende. O DF tem um mercado de muito volume e muita dinâmica", diz Fernando Maia, diretor da Brookfield Incorporações no Centro-Oeste. Somente a empresa dele faturou R$ 498,3 milhões com vendas no DF.

Existem cerca de 100 construtoras imobiliárias em atuação na capital federal. Animados com a confirmação dos números de faturamento, os donos das empresas traçam metas agressivas para 2010 e reafirmam que apostar em imóveis continua sendo o melhor negócio da cidade. "Não é que somos imunes a oscilações, mas passar o Rio de Janeiro em um ano de incertezas é sinal de que estamos blindados", avalia o presidente da Ademi-DF, Adalberto Valadão, da Soltec Engenharia. Ele acredita que o DF deve se firmar no segundo lugar nos próximos anos.

O mercado de Brasília cresce, historicamente, a uma velocidade maior do que a dos demais centros urbanos. O salto varia entre 15% e 20% ao ano. "Tomamos a decisão de entrar no mercado de Brasília porque acreditamos no potencial dele. Ver o avanço no volume de vendas é colher os frutos dessa decisão", afirma Frederico Kessler, diretor da Rossi, empresa paulista que há dois anos se instalou no DF. Para 2010, a empresa prevê seis lançamentos, o dobro do ano passado.

A mudança no ranking deve atrair mais investidores, acreditam os empresários. Em 2009, a valorização dos imóveis no DF foi de 25%, em média. A estimativa é de que cerca de 40% das unidades lançadas foram vendidas para pessoas dispostas a investir. "Esse segundo lugar mostra o vigor do mercado, o que é bom para as empresas e para os investidores", comenta Dilton Junqueira, diretor da Brasal Incorporações, que faturou R$ 212 milhões em 2009, 138% a mais que em 2008. Este ano, a meta da empresa é lançar pelo menos quatro empreendimentos.

O Noroeste é um caso à parte. Em agosto do ano passado, a Brasal vendeu 95% das unidades do primeiro prédio lançado no futuro bairro ecológico em três dias. A servidora pública Conceição Azevedo, 59 anos, viu o folder do empreendimento, gostou e decidiu investir em um imóvel de três quartos, no sexto andar, de 127 metros quadrados e duas vagas na garagem. Ela pagou R$ 7,8 mil pelo metro quadrado, que hoje custa R$ 8,2 mil - valorização de 5% em seis meses. "Com imóvel, a pessoa nunca perde. O pior que pode acontecer é recuperar o que foi aplicado", comenta Conceição, que comprou outros dois apartamentos em 2009 para investir.

Com a certeza de que fez bom negócio, o servidor público Tiago Luiz Morais de Assis, 25 anos, conta que também apostou no mercado imobiliário. Comprou três apartamentos, mas não encarou o Noroeste, por ora.

"Está muito caro, acho que o retorno pode não ser o que estão esperando", justifica. Depois de pesquisar preços, o jovem optou por um imóvel em Águas Claras, que deve alugar quando ficar pronto, e dois em Ceilândia. Esses, ele pretende passar adiante antes da entrega da chave e lucrar com a valorização. Em menos de um ano, os imóveis passaram a valer cerca R$ 40 mil a mais, cada um.

Em 2009, foram aprovadas quase 100 projeções no bairro. As empresas lançaram 15 empreendimentos - para este ano, a previsão é de pelo menos mais 25. O preço do metro quadrado está em R$ 8,2 mil. O tamanho das unidades varia de 90 a 200 metros quadrados. Cerca de 80% do que foi lançado já tem dono.

Empresários descartam bolha
Em êxtase com a notícia de que Brasília virou o segundo maior mercado do país em faturamento, os empresários do ramo imobiliário dizem que não há risco algum de bolha - quando os preços são tão inflacionados que chegam ao ponto de se tornarem insustentáveis. "O mercado não é maluco. Tudo o que colocamos à venda está sendo vendido. A cidade está crescendo, existe uma alta demanda, um financiamento abundante, não tem como falar em bolha", diz Adalberto Valadão, da Ademi-DF.

O economista da Universidade Católica de Brasília (UCB) Adolfo Sachsida acredita que investir em imóvel será vantajoso pelo menos pelos próximos cinco anos no DF. Mas diz que há, sim, risco de bolha na cidade, apesar de achar que ela não deve estourar tão cedo. Para o professor, a alta demanda, a elevação dos preços e o sucesso de vendas nos lançamentos são indícios de bolha. "Além disso, as pessoas estão comprando por causa da valorização, e não pelo retorno do aluguel", completa.

Bruno Bontempo, diretor da Markimob Incorporações, empresa que lançou o empreendimento em 2009, em que quitinete valia quase R$ 500 mil, desdenha a hipótese de bolha. "Isso é ilusão. Não existe quem compre imóvel em Brasília e perca dinheiro. Estamos realmente numa ilha", comenta. "Se temos uma bolha, ela está longe de estourar. A demanda é infinita e a resposta de vendas está sendo excepcional", acrescenta Fernando Maia, da Brookfield Incorporações.

A alta renda da população e uma demanda reprimida também levam Frederico Kessler, da Rossi, a crer que o crescimento do mercado de Brasília seja sólido. "É natural que o mercado se estabilize, mas sem dúvida já somos um dos principais do país", diz. Na avaliação de Dilton Junqueira, da Brasal, o sucesso dos lançamentos tranquiliza o mercado. "O investidor é a primeira pessoa que sai do negócio quando sente que a bolha vai estourar. E isso não ocorre", observa.

O professor do Ibmec em Brasília Aquiles Rocha de Farias, doutor em economia pela Universidade de Brasília (UnB), lembra que identificar bolha imobiliária não é tarefa fácil. "Se fosse, ela não aconteceria. Até o momento em que estoura, não dá para dizer se ela existe ou não", comenta. No entanto, Farias alerta para o fato de o preço dos alugueis não estar acompanhando o dos imóveis. "Enquanto houver a valorização, o mercado se sustenta. Mas quando começar a pairar uma dúvida sobre isso, os investidores poderão perceber que não mais vale a pena", argumenta.

Fonte: Correio Braziliense - DF