Mercado imobiliário se recupera e deve terminar 2009 em expansão

Texto: Redação AECweb

Secovi-SP prevê que neste ano serão vendidas de 33 mil a 34 mil unidades habitacionais, 3% mais do que as 32,8 mil moradias do ano passado

10 de dezembro de 2009 - O mercado imobiliário brasileiro iniciou 2009 sob os efeitos da grave crise financeira que abalou o mundo no segundo semestre de 2008. No segundo trimestre deste ano, embalada pela reação da economia nacional, a indústria imobiliária começou seu processo de retomada.

Ele teve início em maio, com um desempenho de comercialização de 21,3%, conforme o indicador Vendas sobre Oferta (VSO), que acompanha a relação das vendas no mês sobre oferta e é medido pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

A melhoria dos resultados a partir de maio pode ser creditada ao "Feirão da Caixa", mas decorre especialmente da exposição proporcionada pela campanha de lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida. "A presença do setor na mídia garantiu a manutenção da confiança do consumidor na superação da crise, com consequente retorno dos compradores aos estandes de vendas", analisa Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

Com isso, o volume de comercialização atingiu 27.558 unidades de janeiro a outubro, número apenas 6,3% inferior às 29.294 moradias escoadas no mesmo período de 2008. Vale lembrar que a diferença apresentou queda ao longo dos meses, o que leva o Sindicato a prever que devem ser vendidas neste exercício de 33 mil a 34 mil unidades, um crescimento de até 3% sobre as 32,8 mil moradias comercializadas do ano passado.

A recuperação das vendas sobre 2008 não foi acompanhada pelo segmento de produção. Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) mostram que o volume de lançamentos sofreu contração em 2009.

Os principais motivos para essa redução foram: muitos lançamentos programados para o último trimestre de 2008 teriam de ser levados a efeito, mas as empresas, mudando suas estratégias, optaram por investir na venda de estoques; a parada técnica na comercialização desses lançamentos no início deste exercício; a característica dos empreendimentos oferecidos nos últimos anos, conhecidos como condomínios-clube, com várias torres lançadas na totalidade, mas vendidas em fases; e a necessidade de prazo mais longo para os empreendedores sentirem a "temperatura do mercado" antes de lançar novos produtos.

De janeiro a outubro, os lançamentos atingiram a marca de 19.986 unidades, contra as 29.294 moradias dos dez primeiros meses de 2008, uma redução de 31,8% no volume. A expectativa é encerrar o ano com 26 mil a 28 mil imóveis lançados.

A mudança na participação das fatias de mercado por número de dormitórios merece destaque. Os nichos de 2 e 3 dormitórios representaram 78,3% do total de unidades lançadas até outubro deste ano, enquanto a presença preponderante no período de janeiro a outubro de 2008 foi dos segmentos de 3 e 4 dormitórios, com uma participação de 61,5%.

A maior presença dos imóveis de 2 e 3 dormitórios, segundo Petrucci, está relacionada ao programa Minha Casa, Minha Vida e à disponibilidade de financiamento habitacional. Para o economista, medidas como o aumento de limite do valor do imóvel a ser financiado, de R$ 350 mil para R$ 500 mil, e a ampliação do prazo das linhas de crédito para 30 anos foram relevantes para a reversão de perspectivas para empréstimos habitacionais.

No início do ano, esperava-se que o crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança totalizaria cerca de R$ 28 bilhões em 2009. Até outubro, esse montante chegava a R$ 26,6 bilhões e a previsão agora é que os recursos podem chegar a R$ 32 bilhões em dezembro, 6% acima da marca de 2008, de R$ 30,1 bilhões.

"Esses resultados demonstram que o mercado imobiliário de residências novas na cidade de São Paulo opera em normalidade e com expectativas positivas para 2010", conclui o economista-chefe do Secovi-SP.

Mercado de Locação
O mercado de locação residencial na cidade de São Paulo praticamente não sentiu os efeitos da crise global de 2008. A escassez de oferta diante da alta demanda existente pressionou os preços dos aluguéis negociados no momento da contratação.

O valor médio de locação dos imóveis alugados em outubro na cidade de São Paulo (último dado disponível) é 8,8% mais alto que preço médio praticado em idêntico mês de 2008. Trata-se, na verdade, de uma atualização, visto que os valores de locação passaram por um período de estagnação nos últimos dez anos. Se não ocorrer nenhum fato relevante na economia, a tendência é que os aluguéis encerrem o ano com uma alta de preço de 8,5% a 9%.

Fonte: Revista Engenharia - SP