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Mesmo em alta, ações das construtoras estão longe de recuperação

Texto: Redação AECweb

Ritmo da recuperação e a possibilidade de chegar ao pico do valor das ações é incerto

06 de julho de 2009 - As ações de empresas do setor de construção, que tiveram quedas de até 93% no passado, dispararam no primeiro semestre deste ano, com ganhos de mais de 200%. Mas isso não significa que quem tinha esses papéis no ano passado já recuperou suas perdas.

Quando há uma queda percentual de "x", a recuperação exige uma alta muito maior do que o recuo. Num exemplo hipotético, uma ação que custasse R$ 20 e caísse 50%, passaria a valer R$ 10. Para recuperar seu valor original, ela teria de subir 100% (se subisse só 50%, valeria R$ 15 e não R$ 20).

É o caso de quem comprou ações da construtora Abyara no começo de janeiro de 2008. Esse investidor perdeu até o fim do primeiro semestre deste ano quase 90% do que investiu: os R$ 20,83 de um ano e meio atrás viraram minguados R$ 2,25 (cotação de 30/06).

Os papéis da companhia ainda deram um pulo de 65,6% no primeiro semestre deste ano. No entanto, apesar de toda essa recuperação, ainda falta subir 825,8% só para chegar ao mesmo valor de R$ 20,83 de janeiro de 2008.

Nesse cenário, para que lado vai o investidor? Deve esperar a ação atingir seu valor original para só então vendê-la? Deve vender quando ela conseguir recuperar uma parte das perdas? Ou é melhor continuar apostando na recuperação dos papéis?

Rumo incerto
Para especialistas, o ritmo da recuperação e a possibilidade de chegar ao pico do valor das ações é incerto. "O único consenso é que é necessária cautela por hora", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Para ele, as ações de construtoras integram um "setor novo na Bolsa, que ampliou a presença há pouco tempo, e é natural que haja exageros tanto nas analises positivas como nas negativas. O próprio mercado fez isso e agora está fazendo essas ações voltarem a um número condizente com a realidade das empresas."

Em geral, diz ele, os investidores mais conservadores não aplicam em ações de construção civil. Os moderados e agressivos poderiam aceitar perdas entre 8% e 20% do que investiram.

Para o presidente da Apimec-SP (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), Reginaldo Alexandre, a incerteza se deve ao fato de o setor ser altamente dependente de crédito e do interesse dos investidores estrangeiros para se valorizar na Bolsa.

Ele prevê mais recuperação para as ações de empresas de construção, mas em ritmo menos acelerado. "Houve marcos positivos, como pacote habitacional do governo neste ano e a melhora no crédito imobiliário nos últimos meses. Mas os fatores que geraram a crise desse setor ainda estão lá. Melhorou, mas não resolveu", comentou.

"O setor de construção setor tem grandes assimetrias entre as empresas. Agora que existe alguma normalidade a recuperação deve continuar, mas será mais lenta, acompanhando fundamentos como o endividamento das empresas, nível dos estoques de terrenos e a capacidade de elas entregarem o que prometem."

2008 turbulento
Com 29 empresas, o ramo de construtoras viu queda de 72,4% no seu valor de mercado, o equivalente a R$ 38,4 bilhões em perdas. A seguir veio papel e celulose, com baixa de 68,3%, ou R$ 30,6 bilhões.

Até 2004, o setor de construção praticamente não tinha representação na Bovespa. Entre 2005 e 2007 o mercado se recuperou depois de hibernar por quase uma década graças ao potencial de crescimento -o déficit habitacional brasileiro é estimado em cerca de 7 milhões de unidades- e ao crescimento econômico sustentado, condição fundamental para o aumento do crédito.

Baixa renda
Para o diretor de Relações com o Investidor da Rossi, Cássio Audi, não houve exagero nem no alto valor das ações da empresa no início de 2008 nem na pesada baixa no fim do ano -tudo aconteceu porque o mercado está se adaptando no acompanhamento dessas empresas.

Segundo ele, a Rossi viu suas ações se valorizarem neste ano porque percebeu a importância de uma entrada mais pesada no segmento de baixa renda -imóveis inferiores a R$ 120 mil, de acordo com especialistas no ramo- para concentrar seus recursos nos próximos anos.

"A Rossi fez isso claramente. Viemos de 13% de lançamentos em segmento econômico em 2007, para 29% em 2008 e estamos almejando 50% neste ano", diz Audi. "Por isso acho que a tendência das ações é de mais valorização neste ano porque fizemos a lição de casa, e os investidores estão notando que somos hoje uma empresa de baixo risco, com atuação em todos os segmentos."

Entre as construtoras cujas ações mais se valorizaram neste ano, junto às da Rossi, estão as de Tenda, Rodobens e MRV Engenharia -reconhecidas por sua atuação em empreendimentos mais econômicos.

Para Audi, "foram circunstâncias diferentes que levaram ao pico e à queda no valor dos papéis". Ele atribui os problemas em 2008 à crise do crédito e à falta de conhecimento dos investidores sobre o setor.

"Hoje as pessoas já começam a ver melhor quais dados têm de acompanhar, sabem que mais importante do que lançar um empreendimento é vender. Como melhoramos esse número, o esforço é reconhecido", diz.

No ano passado cerca de 50% dos lançamentos foram vendidos, de acordo com a Rossi. No primeiro trimestre de 2009 o número subiu para 55%.

"O que posso dizer ao investidor é que a tendência é de valorização se ele ficar com a gente. Mas não dá para dizer se voltaremos ao nível do começo de 2008 em um futuro próximo", completou o executivo.

Fonte: UOL Economia

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