Mesmo otimistas, construtoras elevam preocupações com custos e mão de obra

Texto: Redação AECweb

Pesquisa ouviu uma mostra qualitativa de 226 empresários de diversas regiões do país

14 de dezembro de 2010 - Um ano depois de indicarem forte otimismo com as previsões em relação a 2010, os empresários da construção civil viram superadas suas melhores expectativas e agora preparam-se para enfrentar o grande desafio de manter o ritmo acelerado em 2011, revelou a 45ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção realizada em novembro pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas). A pesquisa ouviu uma mostra qualitativa de 226 empresários de diversas regiões do país.

Na sondagem, os empresários atribuem a cada quesito uma pontuação que vai de 0 a 100, na qual valores acima de 50 denotam desempenho ou perspectiva favorável. A exceção é no quesito das dificuldades financeiras, no qual valores acima de 50 apontam perspectiva ou desempenho não favorável.

Segundo a Sondagem, o sentimento dominante entre os empresários continua sendo o de otimismo, porém, assim como a atividade econômica mostrou desaceleração, a pesquisa mostrou também moderação no otimismo dos empresários.

O indicador de desempenho das empresas chega ao final de 2010 no maior patamar (55,9 pontos) registrado em um mês de novembro desde que a pesquisa é realizada. Mas houve queda pela segunda vez consecutiva na comparação com a pesquisa anterior, fazendo com que o desempenho da empresa tenha registrado um recuo de 6,7% desde maio. A queda no desempenho do segundo semestre também afetou as perspectivas, que se reduziram de forma equivalente (-5,7% no ano).

Segundo o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, "a queda do indicador de perspectivas setoriais vem ao encontro dos últimos resultados do emprego". De fato, a construção tem registrado desde setembro diminuição no ritmo de contratação de trabalhadores.

Assim como vinha sendo registrado nas parciais trimestrais da Sondagem em 2010, os empresários voltaram a acusar dificuldades financeiras elevadas e chegaram ao final do ano. Com uma nota 52,2 pontos, numa escala onde a pontuação acima de 50 denota percepção não favorável, o resultado ficou 1,8% acima do observado em novembro de 2009.

Outra dificuldade percebida pelos empresários ao longo do ano é com relação aos custos setoriais, que cresceram especialmente no primeiro semestre. Depois de recuar em agosto, em novembro houve nova percepção de elevação, chegando a 39,8 pontos. A mão de obra tem sido o componente que mais tem pressionado os custos em 2010.

A deterioração das expectativas também ocorreu em relação ao crescimento econômico, que registrou queda de 4,4% em relação à pesquisa realizada em agosto e está abaixo também do resultado apurado em novembro de 2009.

Perguntas específicas da sondagem de novembro sobre 2011 mostram que os empresários continuam apostando no crescimento do crédito e dos lançamentos para a baixa renda. No entanto, aumentaram a preocupação com a questão da mão de obra, que deverá ser uma das maiores dificuldades para a sustentação do crescimento. "A resposta para este momento está no investimento em novas tecnologias e máquinas e equipamentos, que deverá crescer em 2011", revela Eduardo Zaidan, diretor de Economia do SindusCon-SP.

Fonte: Sinduscon  - SP