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Minha Casa Minha Vida apoiará crescimento da construção em 2024, mostra pesquisa

Texto: Juliana Nakamura

Levantamento do Sienge indica que construtoras e incorporadoras projetam 2024 como o ano da retomada

Canteiro de obras do Minha Casa Minha Vida

22/02/2024 | 10:20 — Tudo indica que o ano de 2024 reserva boas oportunidades para as empresas da construção civil que estiverem preparadas para aproveitá-las. O otimismo não é sem motivo. Há uma série de indicadores que permitem vislumbrar um ambiente mais favorável ao mercado imobiliário.

O primeiro deles é a expectativa de que o ano tenha a maior liberação de crédito da série histórica, algo em torno de R$ 259 bilhões, de acordo com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

Outro dado promissor diz respeito ao Minha Casa Minha Vida (MCMV). Recém-retomado pelo poder público, o programa tem orçamento federal de R$ 13,7 bilhões — valor 41% superior ao número registrado em 2023.

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Números como esses fazem com que construtoras e incorporadoras brasileiras iniciem o ano com confiança, como mostra a pesquisa “O que o empreendedor imobiliário espera do mercado em 2024?”, realizada pelo Grupo Prospecta – empresa especializada em estudos de viabilidade para o segmento de real estate – em parceria com o Sienge, solução do Grupo Softplan especialista em gestão integrada de obras.

Baseado em entrevistas realizadas com 250 profissionais do ramo entre os dias 29 de novembro de 2023 e 03 de janeiro de 2024, o estudo ajuda a dimensionar a confiança dos empreendedores.

43% dos entrevistados esperam que haja uma retomada acelerada dos negócios em 2024, enquanto 37% apostam em uma recuperação lenta. Ainda segundo a pesquisa do Sienge, 89% dos empreendedores pretendem realizar novos investimentos em 2024, a maioria deles nas regiões sudeste (39%) e sul (26%).

Minha Casa Minha Vida: habitação econômica em alta

Nesse cenário favorável, uma das alavancas de crescimento deve ser o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que oferece subsídios e taxas de juros reduzidas para tornar mais acessível a aquisição de moradias populares, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Para 52% dos entrevistados da pesquisa do Sienge, esse será o nicho de mercado mais potencializado do ano.

“Para 2024, o Ministério das Cidades prevê a contratação de 187 mil novas moradias em 560 municípios por meio do MCMV. Isso amplia as expectativas do setor por um ano com o mercado mais aquecido, com mais compradores e maior acesso a financiamentos e subsídios do governo”, comenta Cristiano Gregorius, diretor-executivo no Sienge.

Outros segmentos que se destacam na pesquisa como os mais promissores aos negócios são: residencial vertical (18%), loteamentos (7%), segunda residência (6%), comunidade planejada (5%) e edifícios corporativos (5%).

Condomínio de imóveis do Minha Casa Minha Vida

Desafio: escassez de mão de obra

O estudo realizado pelo grupo Prospecta e pelo Sienge identificou, também, gargalos a serem superados pelas empresas visando a sustentabilidade dos negócios. Entre os mais relevantes, estão a burocracia na aprovação de projetos e o acesso ao crédito.

Apontada por 12% dos entrevistados como o maior desafio do setor, a burocracia é um tema bastante presente e recorrente. Ele se refere, principalmente, aos gastos financeiros e de tempo realizados durante os processos de aprovação de projetos. Já o acesso ao crédito tem relação direta com o momento econômico vivenciado nos últimos anos, com taxa de juros elevada pressionando o custo do crédito à produção e ao cliente final.

Outro motivo de dor de cabeça para os empreendedores é a dificuldade de contratação de mão de obra. Embora a construção civil empregue um volume significativo de pessoas, o fato é que, historicamente, o setor tem dificuldades para contratar.

Capacete de construção civil sobre uma mesa

No caso das construtoras, isso se manifesta principalmente no canteiro de obras, em funções operacionais como pedreiros, carpinteiros, armadores, almoxarifes, apontadores, eletricistas, pintores e gesseiros. Mas a dificuldade de contratação também acontece em posições mais técnicas, como engenheiros e arquitetos.

Tal situação coloca em foco uma fragilidade tão antiga, quanto grave, que é a baixa atratividade do trabalho na construção civil. “Muitos trabalhadores das obras não querem que seus filhos sigam pela mesma carreira. Para agravar a situação, o período de pandemia trouxe novas oportunidades de trabalho baseadas em negócios digitais, afastando ainda mais os profissionais mais jovens dos canteiros”, explica Gregorius.

Digitalização como alavanca de produtividade

Solucionar problemas complexos, como a escassez de mão de obra, demanda uma série de ações que começam pela realização de mais cursos para a formação e capacitação de trabalhadores. Outra mudança necessária é converter os canteiros de obras em locais de trabalho mais saudáveis e atraentes para profissionais com diferentes perfis.

A digitalização das operações também adquire relevância nesse contexto. Afinal, quando bem aplicada, a tecnologia permite alavancar a produtividade e reduzir retrabalhos. Sem contar que, ao automatizar tarefas repetitivas, a digitalização maximiza a eficiência, viabilizando equipes mais enxutas e dedicadas a atividades mais estratégicas para as empresas.

Tablet com holograma de uma cidade

“Para se ter uma ideia do ganho de eficiência, um bom software permite às construtoras gerar orçamentos melhores e com dez vezes mais velocidade. Algo semelhante ocorre quando usamos uma plataforma de gestão como o Sienge, que permite trabalhar com uma equipe de suprimentos 30% menor”, exemplifica Gregorius.

Na visão do executivo, o momento é bastante propício para as empresas analisarem seus processos internos em busca de melhorias. “É hora de buscar a tecnologia, não mais como um diferencial, mas como um ponto fundamental de sobrevivência. As empresas do setor estão caminhando nessa direção e quem não acompanhar esse movimento, vai perder competitividade”, conclui o executivo do Sienge.

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