Minha Casa, Minha vida pode secar poupança

Texto: Redação AECweb

Fase 2 do programa pode enfrentar dificuldades de implementação

15 de julho de 2010 - O governo emite sinais de que pode enfrentar dificuldades para implementar a fase 2 do programa Minha Casa, Minha Vida de construção de 2 milhões de imóveis populares entre 2011 e 2014. Ao informar que os financiamentos habitacionais feitos pela Caixa chegarão neste ano a R$ 60 bilhões, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os recursos da caderneta são finitos e que será necessário encontrar outras modalidades de empréstimo para custear a aquisição da casa própria, inclusive por meio do programa federal.

"Temos o desafio de encontrar outras fontes de financiamento porque a poupança tem limites. Teremos que ser criativos", comentou o ministro ontem em evento da Caixa que reuniu em Brasília superintendentes de várias partes do país.

A presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, fez um balanço das atividades do banco. Ela disse que, em 2003, o banco destinou R$ 5 bilhões para financiar 251 mil unidades habitacionais. No ano passado, foram aplicados R$ 47 bilhões para custear 897 mil imóveis. Neste ano até o fim de junho, a Caixa aprovou 575 mil financiamentos, totalizando R$ 34 bilhões.

Já o programa Minha Casa Minha Vida, segundo Maria Fernanda, recebeu 945 mil propostas de financiamento desde o lançamento do programa, em abril de 2009, até junho deste ano. Nesse período, foram contratadas operações para a aquisição de 542 mil unidades.

Ao comentar essa performance, o ministro disse que a atuação dos bancos públicos foi determinante para que o Brasil fosse bem sucedido no combate à crise. Segundo ele, a contar desde setembro de 2008, em meio ao agravamento da instabilidade internacional, a taxa de expansão do crédito ofertando pelos bancos públicos aumentou 58%, enquanto nos bancos privados a alta foi de 18%.

Ele também disse que, a despeito do expressivo avanço, o crédito habitacional no país ainda não chega a 4%, abaixo dos 10% no México, de 30% na Espanha e de 80% nos Estados Unidos. Mantega reitera, contudo, que para manter essa expansão, será necessário encontrar outras fontes de financiamento que não os recursos da caderneta de poupança.

Fonte: Valor Econômico