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Mulheres comandam restauração da fachada de catedral em Mogi

Texto: Redação PE

Os pedestres e motoristas das Ruas José Bonifácio e Paulo Frontin, no Centro de Mogi das Cruzes(SP), que olharem para as obras de restauração da fachada da Catedral de SantAnna podem se surpreender. Por trás da tela de proteção – e sempre com equipamentos de segurança - quem anda com desenvoltura nos altos andaimes e está trazendo a beleza da catedral de volta são mulheres.

Embora homens sejam maioria na construção civil, a regra não vale para a área da restauração. “Até por ser um mercado relativamente novo, ele é mais equilibrado nessa divisão de homens e mulheres. Além disso, o trabalho é muito minucioso, a gente precisa raspar, retocar tudo com muito cuidado e nisso a mulher leva vantagem, comenta a restauradora Cínthia Aizawa. Porém, as meninas acham graça quando percebem que o mercado de equipamentos para construção civil precisa mesmo se adaptar para a presença feminina.

“Para você ter uma ideia, não achei bota preta tamanho 34. Estou tendo que usar uma bota branca. Os cintos de segurança ficam grandes. A gente precisa adaptar tudo”, comenta. A equipe é formada por três mulheres, que contam com a ajuda de dois homens – principalmente para montar os andaimes.

Formada em História da Arte, Cínthia trabalha pela primeira vez ao ar livre - e nas alturas. “Minha experiência anterior com andaime foi restaurando o interior de uma igreja. Mas não era tão alto. Esse andaime aqui é muito seguro. Não tenho medo não, já estou acostumada”, conta. “No começo a gente até sente um friozinho na barriga, mas depois vai acostumando”, brinca a estagiária Itacina Tainá Fernandes, que também trabalha na restauração.

Para você ter uma ideia, não achei bota preta tamanho 34. Os cintos de segurança ficam grandes. A gente precisa adaptar tudo"Cínthia Aizawa, restauradora, sobre como os equipamentos são feitos para homens.

Lavar e esfregar

É por meio dos gestos precisos e delicados das restauradoras que a fachada está perdendo décadas de sujeira acumulada. “Nesta primeira fase, nosso trabalho é literalmente lavar e esfregar a catedral inteira”, explica a arquiteta restauradora Vanessa Kraml, coordenadora da intervenção.

Vanessa conta que a fachada da catedral tem uma textura obtida com a técnica da “pedra fingida”, comum nas décadas de 40 e 50. “No Brasil, não há um padrão de restauração para essa técnica. As pessoas acabam pintando e perde-se o brilho quando o sol bate, que é causado pela mica, um mineral presente na composição da argamassa”, explica.

O restauro começou em dezembro de 2013 e desde então é usado um nebulizador para borrifar água durante cerca de uma hora para amolecer a parte da fachada que deve ser limpa. Depois ela é esfregada com sabão neutro. O trabalho é lento por natureza. “A sujeira não é uniforme. Há pontos em que temos que aplicar produtos diferentes para limpar”, explica a coordenadora.

Fonte: G1

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