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Novo FGTS impacta pouco em programa habitacional

Texto: Redação AECweb

Medida ainda é vista como pequena para ultrapassar os números iniciais das vendas do programa, dizem especialistas.

24 de janeiro de 2011 - A possível decisão da presidente Dilma Rousseff de reajustar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em cidades com mais de 1 milhão de habitantes, em fevereiro próximo, impactará pouco o segmento, pois ainda não animou as construtoras e incorporadoras de imóveis. A mudança poderá elevar o resultado no financiamento do FGTS de R$ 130 mil para entre R$ 150 mil e R$ 170 mil, mas ainda é vista como pequena para ultrapassar os números iniciais das vendas do programa, dizem especialistas.

Para o diretor do Sindicato de Habitação (Secovi-SP), Flávio Prando, são necessárias mudanças mais profundas para que as vendas voltem ter grande impulso no segmento do "Minha Casa, Minha Vida". "Para que as vendas passem os patamares obtidos no primeiro semestre de 2009 é necessário, antes de mais nada, que seja revisto o valor dos salários mínimos necessários para obtenção de um imóvel", disse.

Atualmente o valor calculado do programa federal para aquisição de imóveis ainda está baseado no valor do salário mínimo de há mais de um ano. "É preciso que haja uma mudança na base, recalculando o valor do salário mínimo, e assim, com uma média mais alta, mais pessoas possam obter a casa própria", completou Ronaldo Santoro, diretor de Vendas da HabitCasa, braço do grupo no ramo de imóveis Lopes.

"Trabalhamos com uma base do salário mínimo de R$ 465, e o salário mínimo atualmente está na casa do R$ 540; isso significa uma mudança muito grande e deveria ser ajustado para pelo menos R$ 500. Quem comprava uma casa há um ano já não consegue mais comprar com o salário atual, porque ultrapassa o limite permitido no valor das casas do programa", diz Prando.

De acordo com o executivo do Secovi, se concretizada uma mudança tanto do FGTS quanto da base do salário mínimo, as incorporadoras e construtoras conquistariam um crescimento de até 30% no número de vendas. "Acredito que, acertando os números para realidade brasileira, o setor imobiliário cresceria entre 25% e 30%, o que seria um grande passo na economia", afirmou.

Apenas o reajuste no FGTS, para Prando, irá retomar as vendas do primeiro semestre de 2009, mas não irá impulsionar as vendas. "Talvez nem cheguemos aos números obtidos no primeiro semestre de 2009, quando havia, além de condições de compra, muita euforia por parte dos compradores. O reajuste será bom, mas não será o bastante ainda", diz o especialista.

Na incorporadora Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), as expectativas também são realistas com relação ao reajuste do Fundo. "Saindo o reajuste, será um passo importante, mas ainda há a necessidade de reavaliação de taxas e burocracias para que as vendas deslanchem", afirmou Franscisco Sciarotta, diretor superintendente da CCDI.

Para o executivo, o programa federal é um eixo importante dos trabalhos realizados pelo grupo. "Para 2011 a nossa projeção é de que 45% dos projetos sejam voltados para a classe de baixa renda e poderemos aumentar um pouco a margem, se o reajuste do FGTS seja liberado", analisou o executivo, que se mostrou otimista com a saída do reajuste. "Não acho que será barrada esta primeira mudança no setor imobiliário do governo de Dilma."

Com apenas um negócio adaptado ao "Minha Casa, Minha Vida", a construtora Thomasicamargo também vê a necessidade de algumas mudanças para que o programa volte a crescer. "Entendo que há algumas distorções no programa que deveriam ser corrigidas: a questão do número de habitantes por cidade, e renda, por exemplo", diz Clóvis Camargo, do Grupo Thomasicamargo, forte no interior paulista. Para o executivo, em cidades fora das regiões metropolitanas o limite de avaliação dos imóveis é muito baixo. "A revisão dos valores deveria corrigir essas distorções e não somente atualizar os valores existentes, para viabilizar a implementação do programa nessas cidades, onde a conta dos empreendimentos não tem fechado."

Mão de obra
De acordo com previsões realizada pelo Secovi-SP, os únicos problemas gerados pelo aumento da demanda de compras que seria iniciado com os reajustes estão ligados à mão de obra especializada dentro das construções. "Antes mesmo do aumento específico da demanda do Minha Casa, Minha Vida nós já vemos que existe um gargalo proveniente da ausência de mão de obra especializada dentro dos canteiros. Com esse crescimento da demanda isso se intensificaria", afirmou.

Para Santoro, os problemas naturais do aumento da demanda não seriam sentidos pelo HabitCasa, pois o grupo já trabalha com a classe C, e já se prepara para a demanda crescente. "As demandas da classe C já vêm crescendo amplamente, e nós nos preparamos para essa fomentação do setor", disse.

Classe média segura vendas

O pouco impacto gerado pela mudança do "Minha Casa, Minha Vida" não diminuiu o otimismo das vendas das incorporadoras e construtoras para 2011. A classe C, que estão a cima da renda estipulada pelo projeto ainda puxa o setor imobiliário e promete continuar o trabalho em 2011.

De acordo com o Secovi- SP, cerca de 78% das vendas em São Paulo de janeiro a novembro de 2010 foram para a classe C, com apartamentos de dois ou três dormitórios. A chegada da classe média ao mercado imobiliário vem atender a um mercado deixado de lado pelas construtoras durante muito tempo, como explica Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato.

"Os imóveis de dois e três dormitórios em quase todas as regiões de São Paulo são vendidos com uma velocidade enorme. Atualmente, o que for lançado [para público de renda entre três e dez salários, ou entre R$ 1.350 e R$ 4.650, com o valor do salário mínimo de 2009] acaba em menos de seis meses por causa da alta procura."

Os números apontam que em 2010 foram vendidos mais imóveis do que o total lançado, e que cada lançamento demora, em média, três meses para ser vendido.

O reajuste do FGTS em cidades com mais de 1 milhão de habitantes, a partir de fevereiro, trará benefícios para a construção civil, mas construtoras e incorporadoras de imóveis querem mais medidas para o setor. O diretor do Secovi-SP, Flávio Prando, diz que são necessárias mudanças mais profundas para que as vendas voltem a ter grande impulso no "Minha Casa, Minha Vida", devido ao valor do salário mínimo. Esta também é a avaliação de empresas do setor, como Camargo Corrêa e Thomasicamargo.

Fonte: DCI - SP

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