Novos shoppings garantem negócios para a cadeia da construção civil

Texto: Redação AECweb

Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) apresenta dado: 466 obras entrarão em operação no país

29 de junho de 2012 - Devem estar em operação até o final deste ano 466 shoppings centers em todo o país, de acordo com projeções da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Esse dado leva em consideração os números consolidados até junho deste ano, de 437 empreendimentos em funcionamento, mais os 28 que devem abrir as portas até o final de 2012. Quando estiverem prontos, serão 36 novos shoppings neste ano. Essa expansão irá acrescentar ao setor mais de 1 milhão de metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) - o espaço que é usado pelos comerciantes e prestadores de serviços em um shopping. Para o ano que vem, já está anunciada a abertura de mais 43 centros de compras, acrescentando ao total de ABL no país mais 1,233 milhão de metros quadrados.

"O mercado está aquecido, mas já esteve mais", define Marcelo Tessler, dono da gerenciadora de obras e projetos Tessler Engenharia. Participar desse aquecimento é um negócio rentável tanto para construtoras como para gerenciadoras e fornecedores. Segundo Tessler, que está há 17 anos nesse ramo, a tendência atual é de as empresas lançarem shoppings em cidades menores, no interior. O engenheiro conta que tem dez projetos em andamento, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e até em Roraima. O maior deles é o Shopping Iguatemi Esplanada, que está sendo construído na cidade de Votorantim, ao lado de Sorocaba, no interior de São Paulo, com mais de 43 mil metros quadrados de ABL, que deve ser inaugurado em 2013. De acordo com Tessler, do investimento total em um shopping, o gerenciamento ficam com 3%, enquanto o projeto custa entre 7% e 10%. "Cerca de 90% dos valores são empregados na obra em si", afirma.

"O mercado nos grandes centros está saturado e os grandes shoppings vão para os municípios vizinhos, onde os preços (dos terrenos) são mais viáveis", complementa Gustavo Zan, superintendente de negócios da Matec Engenharia, fundada em 1990 e com mais de 50 empreendimentos construídos".

A Matec toca hoje três projetos de shoppings. A ampliação do Gran Plaza, de Santo André (SP), em 65 mil metros quadrados é um deles. As obras, no empreendimento da CCP (Cyrela Comercial Properties), devem ficar prontas no segundo semestre deste ano. Outro é o Shopping Center Limeira, em Limeira, no interior de São Paulo, que pertence à AK Realty, empresa do grupo Induscredi. O terceiro é o Ferraz de Vasconcelos, no interior de São Paulo, da própria Matec. "Compramos o terreno e estamos construindo o shopping, investimento de R$ 120 milhões, com 35 mil metros quadrados",.

A Matec também constrói galpões industriais e prédios para outros usos comerciais, mas a área de shoppings representa 40% da receita da companhia. De acordo com Zan, o faturamento previsto para este ano deve chegar a R$ 500 milhões, com alta de 25% sobre o ano passado.

O caminho que a Matec está trilhando, de ser dona dos shoppings que ergue, é o mesmo que a João Fortes Engenharia percorreu. "Fizemos 14 shoppings", conta Leonardo Neves, gerente de negócios da companhia. "Até 2006, a construção era para terceiros. Nesse ano fizemos o Bangu Shopping e passamos a ter participação nos empreendimentos". O segundo empreendimento que a João Fortes assumiu foi o Parque Europeu, em operação em Blumenau (SC) e o terceiro será o Park Lagos, em Cabo Frio, que deve ficar pronto em 2013. Outro da própria construtora é o Park Sul, em Volta Redonda (RJ), que deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. "No Bangu não temos mais participação. Vendemos para a Aliansce", conta Neves. Os percentuais de participação no capital dos shoppings variam de 80% a 90%.

"Quando fazemos o shopping para nós há uma sinergia que gera ganhos de produtividade, por isso hoje não temos nenhum shopping em construção para terceiros", diz Neves.

A CCP não atua na construção. Contrata construtoras e mantém os centros em sua carteira ou em sociedade e recebe aluguel pelos espaços. A receita média de locação da empresa chega a R$ 180 milhões anuais. Os shoppings, segundo José Roberto Voso, diretor da área de shoppings da CCP, representam hoje 20% desse montante, mas isso deve mudar. "Atualmente, 70% de nossa receita de locação é de escritórios, mas esse percentual baixará para 50%; as indústrias irão responder por 20%, e os shoppings, 30%."

Roberto Perroni, presidente da CCP, conta que a companhia tem quatro shoppings em operação, dois consolidados - o Gran Plaza, de Santo André, onde estão sendo investidos R$ 90 milhões na ampliação, e o Shopping D, em São Paulo. Outros dois foram inaugurados nos últimos 60 dias - o Park Shopping Belém e o Shopping Estação BH, respectivamente em Belém e Belo Horizonte. "Temos ainda quatro em desenvolvimento."

Segundo Perroni, dos quatro empreendimentos em andamento, dois são em São Paulo, o Tietê Plaza Shopping, em construção na marginal do rio Tietê, com investimento de R$ 280 milhões, e o Shopping Cidade de São Paulo, na avenida Paulista. "Será um shopping e um prédio de escritórios, com 18 mil metros quadrados de ABL, mais 20 mil metros quadrados de escritórios", diz. ACCP é sócia da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário no empreendimento.

A companhia tem ainda dois shoppings em construção, um no Rio de janeiro, onde estão sendo investidos R$ 270 milhões, e outro em Goiânia. Para contratar a construtora, a CCP faz uma concorrência da qual participam as grandes empreiteiras. "Fazemos um contrato com o preço máximo garantido. Se passar disso, a construtora assume. Se houver economia, ela divide conosco", conta o presidente da CCP.

A Sergio Porto Engenharia, de São José dos Campos, no mercado desde 1978, atua na construção de shoppings, escolas e prédios para outros usos. Foi ela que fez a ampliação do Shopping Interlagos, em São Paulo, em 1997. Mas, hoje, se dedica às obras da rede de cinemas Cinemark. "A concorrência em shoppings está muito grande, não está valendo a pena", afirma Sergio Porto, dono da companhia, animado com o novo filão. "Do ano passado para cá, construímos dez complexos para o Cinemark", diz. Segundo Porto, só na construção são investidos cerca de R$ 8 milhões em cada complexo, fora as instalações, cadeiras e equipamentos, que devem consumir um valor semelhante.

Fonte: Valor Econômico