Oscar Niemeyer recebe última homenagem no Rio de Janeiro

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Corpo chegou depois das 22h de quinta-feira e foi transportado em carro fúnebre até o palácio

07 de dezembro de 2012 - Oscar Niemeyer recebe, na manhã desta sexta-feira, a última homenagem dos brasileiros. O velório do arquiteto, no Palácio da Cidade, sede do governo municipal do Rio de Janeiro, começou às 8h25, com os visitantes chegando aos poucos. O corpo chegou ao Rio pouco depois das 22h de quinta-feira e foi transportado em carro fúnebre até o palácio. Durante a noite houve um velório reservado à família e alguns amigos. Por volta das 9h30m, familiares e amigos da familia voltaram ao palacio e, após passarem pelo salão nobre, onde está o caixão, seguiram para uma sala reservada.

Personalidades como Zuenir Ventura, Ziraldo, Roberto Dávila e Merval Pereira chegaram no fim da manhã. O poeta Ferreira Gullar também esteve no palácio e classificou a morte de Niemeyer como uma "perda incalculável para a arquitetura do Brasil e do mundo".

— Ele defintivamentele marcou um tempo. Então, é antes e depois do Oscar — avalia o poeta — Para amigos, como eu, é uma dor irreparável. Pode-se dizer que ele é realmente o poeta da arquitutra, pois seu trabalho era de fato poético. Ele introduziu a forma curva na arquitetura, mas não só isso. Ele deu a ela leveza e a impressão de que os prédios e as construções flutuavam. Por isso escrevi um poema em homenagem a ele que termina assim: "Oscar nos ensina que a beleza é leve". O nome do poema é "Lições da arquitetura".

Algumas autoridades estiverem presentes no velório. O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, prestou cumprimentos à família do arquiteto e ao prefeito do Rio, Eduardo Paes. Anastasia, destacou a contribuição de Niemeyer para a arquitetura de Minas.

— Oscar sempre teve uma ligação muito forte com Belo Horizonte. É só a gente pensar na Pampulha. Sua colaboração vem de muito tempo. A última foi a construção da cidade administrativa, em Belo Horizonte. Oscar dedicou-se inteiramente à vida pública, à arquitetura e aos seres humanos — disse.

Também está no local Maria Estela Kubitschek, filha adotiva de Juscelino Kubitschek e Sarah Kubitschek. O governador Sérgio Cabral esteve no palácio mais cedo e já foi embora, sem falar com a imprensa.

O político, arquiteto e urbanista Jaime Lerner prestou sua homenagem e já deixou o palácio. Ele ficou no local por cerca de meia hora e afirmou que Niemeyer deixa um legado extraordinário:

— Agora já temos alguém que poderá redesenhar a via láctea. A grandeza do Oscar ultrapassou a genialidade de sua arquitetura. A dimensão da arquitetura dele era tão ampla que o povo podia entender dessa arte. Eu vi pessoas chorando no lançamento de um museu em Curitiba. Isso acontecia porque a poesia se misturava à arquitetura — disse Jaime Lerner, prefeito de Curitiba por três vezes e governador do Paraná por duas.

Gisela Aguiar foi a primeira a chegar no palácio, por volta das 7h40m, para se despedir de Niemeyer. Ela, que é administradora e estudante de arquitetura, espera prestar sua última homenagem ao arquiteto:

— Oscar Niemeyer é sempre mencionado pelos professores de arquitetura, que destacam a Catedral de Brasília, o Palácio da Alvorada e o Planalto como construções únicas.

Cerimônia recebe coroas de flores de Raúl e Fidel Castro

Profissionais que tiveram a oportunidade de trabalhar com Oscar Niemeyer estiveram no Palácio da Cidade. Entre eles, estava o empresário Georgio Veneziani, que forneceu o mármore utilizado em diversas de suas construções, como nos palácios da Alvorada, do Planalto e Itamaraty.

— Cheguei a visitá-lo quando ele esteve exilado na Itália. Na época, Niemeyer sentia muita falta do Brasil — disse Georgio antes de subir para o salão nobre do Palácio da Cidade.

O arquiteto Helock de Almeida, que trabalhava com Niemeyer num projeto na Barra, também esteve no velório. Ele destacou a contribuição social que sua arquitetura ofereceu ao país e ao mundo.

— Passei minha vida inteira acompanhando os novos projetos dele e tive a sorte de poder me aproximar, conviver e trabalhar com ele. Niemeyer escreveu uma carta de recomendação para mim quando fui trabalhar na Europa e foi impressionante como essa carta abriu as portas do mundo para mim. Ele era idolatrado no mundo inteiro. O que mais me impressionava era ver que ele continuava o mesmo, trabalhando sem parar com mais de 100 anos.

Coroas de flores enviadas por Raul Castro, presidente de Cuba, Fidel Castro, e Claudio Zamora, embaixador de Cuba, adornam o caixão de Niemeyer, estusiasta do socialismo. Outras instituições também enviaram coroas de flores, como a prefeitura e o governo do estado do Rio, a PUC-Rio, o Sindicato Estadual dos Engenheiros, a Secretaria estadual de Cultura do Paraná e o Museu Oscar Niemeyer, também no Paraná.

Dois militantes do PCdoB de Santo André, em São Paulo, prestam uma homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, na manhã desta sexta-feira. A dupla que chegou ao Rio nesta manhã trouxe uma grande faixa, na qual estão pintadas as bandeiras do partido e do Brasil e o desenho da mão projetada pelo arquiteto, que fica no Memorial da América Latina.

— Somos de São Paulo e estamos fazendo essa homenagem, pois o monumento representa o sangue do trabalhador e a união dos povos da América Latina — diz Simone Assis, que veio de ônibus para o Rio com Marcelo Viana.

A faixa, que foi feita pelo grafiteiro Hugo de Santo André, está estendida no muro externo do Palácio da Cidade. A viúva de Luis Carlos Prestes, Maria Prestes, e o filho do ex-líder comunista, abriram uma bandeira do Partido Comunista Brasileiro em frente ao caixão, enquanto passavam.

O corpo está no salão principal, no segundo andar do palácio, e o público terá até as 15h para se despedir de Niemeyer. O enterro será às 17h, no cemitério São João Batista. Niemeyer morreu, aos 104 anos, na quarta-feira, em decorrência de uma infecção respiratória.

Na tarde de ontem, a despedida a Niemeyer aconteceu em Brasília. Em clima de grande comoção, autoridades e parentes estiveram presentes no velório do arquiteto, em cerimônia no Palácio do Planalto. Pouco antes da chegada do corpo, a presidente Dilma Rousseff desceu ao Salão Nobre acompanhada da viúva do arquiteto, Vera Lúcia Niemeyer. Ao lado de familiares, Dilma e Vera Lúcia recepcionaram o caixão no alto da rampa. A presidente se emocionou neste momento.

Oscar Niemeyer estava internado desde o dia 2 de novembro no Hospital Samaritano, onde vinha sendo submetido a hemodiálise e fisioterapia respiratória.

Nos últimos dias, exames laboratoriais apresentaram piora. Após uma parada cardíaca na manhã de quarta, ele foi sedado. À noite, não resistiu e morreu em função de complicações de uma infecção respiratória. Ele completaria 105 anos no dia 15 de dezembro.

Fonte: O Globo