PAC sequer mantém infraestrutura, diz estudo

Texto: Redação AECweb

Seriam necessários investimentos de, ao menos, 3% do PIB

27 de agosto de 2009 - Apesar de ter sido lançado pelo governo como um grande projeto para recuperar os investimentos em infraestrutura do país, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tem assegurado sequer o volume de recursos necessários para a manutenção da atual rede de transportes, telecomunicações, energia e saneamento.

Para isso, seriam necessários investimentos de, ao menos, 3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país). Mas, atualmente, os investimentos em infraestrutura no país somam 2,43% do PIB.

Conforme informou o colunista do GLOBO George Vidor, estudo da Inter.B Consultoria constatou que o PAC elevou em 0,42 ponto percentual os investimentos em infraestrutura no país, de 2,01% do PIB em 2007 para 2,43% em 2008, patamar que deve ser mantido até 2010. A pesquisa foi feita pelos economistas Cláudio Frischtak e Heloísa Jardim. Pessimista, Frischtak acredita que o patamar mínimo necessário de investimentos, incluindo gastos públicos e privados, não ocorrerá antes de 2014.

"Isso se o próximo governo resolver obstáculos como diminuir o engessamento do Orçamento e melhorar o marco regulatório de setores como transportes", disse Frischtak.

Segundo o estudo, o Brasil não perde apenas das locomotivas asiáticas, como China e Índia, mas também de países latino-americanos, como Chile e Colômbia. As áreas mais críticas são transportes e saneamento.

"Investimos 0,65% do PIB em transportes em 2008, contra 2% do Chile e 0,89% da Colômbia. O mínimo deveria ser 1%. Como têm um marco regulatório mais estável, os setores de energia e de telecomunicações estão em situação melhor", completa Frischtak.

Saneamento é o setor em pior situação
Paulo Tarso de Resende, especialista em infraestrutura da Fundação Dom Cabral, também acredita que o patamar mínimo de investimentos só será alcançado em 2014. Ele estabelece como ideal 4% do PIB, por incluir na conta os investimentos em mobilidade urbana: "O patamar será atingido em 2014 se o próximo governo for comprometido com a concessão de obras à iniciativa privada", diz.

Para Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o setor de saneamento está em pior situação por ser o que mais depende do poder público.

"A iniciativa privada já responde por 40% dos investimentos em infraestrutura, isso incluindo a Petrobras na conta pública", diz.

Godoy também acredita que o ideal de investimentos só será alcançado no fim do próximo mandato presidencial. A Abdib estima como fundamental R$ 160 bilhões ao ano, mas inclui nessa conta os setores de mobilidade urbana e petróleo. Para a associação, o investimento anual em transportes deveria ser de R$ 24 bilhões e, em saneamento, de R$ 13,5 bilhões.

Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), avalia que os investimentos em infraestrutura cresceram, mas não chegaram ao ideal: — O PAC não deslanchou, mas colocou o tema da infraestrutura na agenda.

Fonte: O Globo