Pacote deve estimular feirão de imóveis

Texto: Redação AECweb

Os imóveis dos feirões têm financiamento de até 100% pela Caixa, com pagamento em, no máximo, 30 anos com recursos da poupança ou do FGTS

11 de maio de 2009 - O programa "Minha Casa, Minha Vida", a partir do qual o governo federal pretende viabilizar a construção de 1 milhão de moradias, deve atrair mais interessados neste ano aos feirões da Caixa Econômica Federal, que acontecem a partir de quinta-feira e vão até 21 de junho em dez cidades.

Nos cinco primeiros estarão disponíveis 109 mil imóveis, incluindo usados, novos e em construção. Em 2008, o evento movimentou R$ 4 bilhões, considerando os 39 mil contratos fechados e encaminhados durante os eventos.

Segundo Bernadete Coury, superintendente nacional de Habitação do banco, a expectativa é superar esses números, mas ela não informou meta de crescimento. A previsão de empréstimos de R$ 27 bilhões para todo o ano foi mantida, mesmo com o financiamento recorde de R$ 10 bilhões até abril, dobrando o valor referente ao mesmo período de 2008. Em unidades (96,6 mil), a alta foi de 114%. Se for necessário, acrescentou, o banco vai buscar alocação de mais recursos.

No Rio, será possível escolher entre mais de 66 mil imóveis. Em São Paulo, serão oferecidos 93,5 mil na Grande São Paulo. De acordo com a superintendente nacional, o público é diversificado e há opções com valor superior a R$ 500 mil.

Vale lembrar que, em março, o Conselho Monetário Nacional aumentou o valor máximo, de R$ 350 mil para R$ 500 mil, dos imóveis que podem ser financiados com recursos da conta individual de cada trabalhador no FGTS.

Os imóveis dos feirões têm financiamento de até 100% pela Caixa, com pagamento em, no máximo, 30 anos com recursos da poupança ou do FGTS. Nesse último caso, a moradia deve estar avaliada em até R$ 130 mil nas regiões metropolitanas e a renda do trabalhador não pode ultrapassar R$ 4.900.

Para se enquadrar no "Minha Casa, Minha Vida", o teto é de R$ 4.650. Entre as facilidades do programa iniciado em 13 de abril, o mutuário pode ficar até 36 meses sem pagar a prestação se ficar desempregado e não há cobrança de seguro, além de redução nos custos cartoriais.

A construção civil foi um dos setores escolhidos pelo governo federal para reaquecer a economia em meio à crise mundial. Com o "Minha Casa, Minha Vida", a meta é construir um milhão de unidades para famílias com renda mensal de até dez salários mínimos, dos quais 600 mil por meio de financiamento com a Caixa, com recursos do FGTS, para quem recebe acima de três salários mínimos.

Os últimos dados da Abecip, associação que reúne as entidades que operam com recursos da poupança, apontam crescimento de 8,1% em valores financiados (R$ 5,9 bilhões) e de 1,8% em unidades (55.797) no primeiro trimestre ante igual período do ano passado.

O coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, William Eid Júnior, alerta os consumidores que se empolgarem com o sonho da casa própria a "não saírem correndo atrás da primeira oferta que aparecer". "A grande recomendação é fazer conta", ressalta.

Além de avaliar se a prestação vai caber no orçamento pelo prazo do financiamento, principalmente para quem está comprando imóveis em construção e vai continuar a pagar aluguel, o professor sugere "olhar tudo", o que inclui meios de transporte, comércio local, escolas, condições de segurança, opções de lazer e até conversar com os vizinhos para se certificar de que está fazendo realmente um bom negócio.

Fonte: Folha de S. Paulo - SP