PDG já começa a definir ajustes após se unir à Agre

Texto: Redação AECweb

Objetivo é melhorar a eficiência na gestão do novo negócio.

5 de maio de 2010 - Ontem à noite, depois de uma teleconferência em inglês com analistas e investidores, Zeca Grabowsky - presidente da PDG Realty - e Luiz Roberto Horst, que comanda a Agre, já se sentavam para discutir os rumos da nova empresa no mercado paulista. No dia anterior, haviam assinado a venda da Agre, resultado da fusão de Agra, Klabin Segall e Abyara, para a PDG Realty - nova gigante do setor, que vai travar com a Cyrela uma disputa acirrada pela liderança do mercado imobiliário.

A reunião para discutir o futuro da recém aberta filial da PDG em São Paulo - que pode deixar de existir por conta de uma operação robusta da Agre no mercado paulista - é emblemática. Por dois motivos. Mostra que, juntas, as empresas têm muitos ajustes a fazer e muita coisa para decidir nos próximos meses e que a PDG vai impôr à nova companhia a mentalidade financeira e voltada a resultados que tem pautado a sua gestão. "No caso da filial São Paulo não faz sentido manter as duas estruturas, mas contratamos profissionais competentes e vamos decidir, juntos, o que fazer", afirma Zeca Grabowsky. "Não vamos mudar por mudar, queremos tornar as coisas mais eficientes."

O discurso da eficiência na gestão do novo negócio foi repetida pelo presidente da PDG em diferentes momentos - na teleconferência e na entrevista ao Valor. Apesar de bem avaliada por analistas e pelo mercado - a ação da PDG fechou com queda de 0,29%, contra queda de 3,35% do Ibovespa e de 2,40% do índice das empresas imobiliárias - a incorporação gerou uma dúvida recorrente: a diminuição da exposição da PDG à baixa renda.

"Quem comprou PDG queria baixa renda e agora a empresa muda a estratégia", afirma um analista do setor. A companhia fez duas captações importantes na bolsa muito em cima do apelo que a baixa renda exerce nos investidores, sobretudo os estrangeiros. A explicação de Grabowsky foi a seguinte: "Já estamos grandes na baixa renda, mas Goldfarb não vai continuar crescendo a uma taxa de 50% ao ano e vemos boas oportunidades nos outros segmentos", disse.

Com a incorporação da Agre, a PDG Realty, que privilegia muito a última linha do balanço, tem uma queda de margem líquida. A margem da PDG, que foi de 17% no ano passado, cai para 14% considerando-se as duas empresas juntas. "Não tem porque a margem não melhorar com a nossa ajuda", diz Grabowsky. Na teleconferência, a empresa afirmou que em três a quatro trimestres, as margens devem ficar equivalentes. "As despesas financeiras da Agre são muito altas", reconhece o presidente da PDG. "Há muita coisa para ser feita, Há debêntures com custo caríssimo", completa. Para uma fonte dos setor, a PDG terá muito trabalho para deixar a operação de Agre "redonda", mas a Agre entra para uma estrutura muito mais segura do ponto de vista financeiro.

Luiz Roberto Horst, fundador da Agra e presidente da Agre não conseguia esconder o ar de satisfação na voz. Vai concorrer de igual para igual com a Cyrela - empresa que comprou a Agra e desistiu do negócios às véspera da quebra do Lehman Brothers. "Tamanho no setor faz toda a diferença", diz. Horst, Ricardo Setton e Fernando Albuquerque, da Agra continuam por cinco anos no negócio.

Fonte: Valor Econômico - SP