Preço de aluguel carioca já passa Manhattan

Texto: Redação AECweb

Metro quadrado na capital fluminense ficou competitivo, pois há fortes investimentos em infraestrutura previstos para a cidade, que sediará os maiores eventos esportivos do mundo nos próximos anos

04 de abril de 2011 - Assim como o metro quadrado da Rua Oscar Freire virou oásis das grifes de luxo no mercado paulista, o mercado imobiliário carioca tende a se tornar extremamente competitivo, pois a falta de terrenos já impactou nos preços dos imóveis. Hoje já custa mais caro alugar um imóvel comercial no centro e na zona sul do Rio, do que locar um empreendimento na região de Midtown, na Ilha de Manhattan (EUA). A desvalorização nessa região, que já foi reflexo do poderio norte-americano veio no pós-crise econômica mundial. Por outro lado, o metro quadrado na capital fluminense ficou competitivo, pois há fortes investimentos em infraestrutura previstos para a cidade, que sediará os maiores eventos esportivos do mundo nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e festivais globais, como o Rock in Rio.

Segundo pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield, o mercado imobiliário carioca vai disparar, em procura por terrenos e, consequentemente, nos preços. Exemplo disso são as salas comerciais na baixada fluminense, que custam US$ 113,5 o metro quadrado, ante o preço médio de os US$ 60 e US$ 38 das salas de Midtown e Dowtown. "Essa valorização nos prédios comerciais também são reflexos de investimentos estrangeiros, que não compram apenas casas no Rio para passar o verão, mas veem no Brasil possibilidade de negócio", diz Rubens Leitão, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o analista, a valorização do imóvel, porém, não acontecerá nos bairros que já são caracterizado por moradias de luxo. "Vejo uma tendência de crescimento e novos focos para o mercado imobiliário de luxo no Rio de Janeiro entre este ano e 2014", e completou, "A zona sul já não tem mais terrenos e a zona leste vem sendo tomada por incorporadoras focadas na classe média. Isso fará o imóvel de luxo ter um aumento médio ainda maior".

Para Leitão, além de bairros como Copacabana e Ipanema, Gávea, Jardim Botânico e Tijuca, Barra e Jacarepaguá poderão ser valorizados nos próximos anos. Ele acredita que o momento de evidência dos imóveis no Rio de Janeiro também deverá provocar um aumento de preços a cima da média nacional em 2011. "Mas é importante ressaltar que tanto a Barra quanto Jacarepaguá só serão valorizados se aumentarem as opções de transporte na região", declarou o especialista.

Investimentos

O investimento de incorporadoras e construtoras no setor imobiliário segue em uma queda de braço por espaços para o mercado de luxo no Rio. De acordo com o Sindicato da habitação (Secovi-RJ) hoje o carioca já demonstra otimismo com os próximos anos.

"No Rio de Janeiro, já há dificuldade de encontrar terreno para produção de imóveis de alto padrão e a demanda só aumenta, com estrangeiros vindos para cá. O Rio está na moda", afirmou Leonardo Schneider, que é vice-presidente da entidade. "O próprio brasileiro de fora está descobrindo o Rio e o mercado imobiliário vem sendo puxado por isso".

Um estudo realizado pelo Sindicato da Habitação (Secovi-RJ) revelou dados interessantes: quem investiu em imóveis residenciais no ano passado na cidade do Rio de Janeiro conseguiu ter um retorno de até 90,24%. Este é o caso de um imóvel de um dormitório no Centro.

"Com a proximidade dos grandes eventos na cidade do Rio de Janeiro essa valorização de terreno e imóveis crescerá gradualmente até 2016", disse Schneider. Os imóveis com maior retorno são os comerciais, o que acontece sempre neste mercado, de acordo com Schneider. "No Rio de Janeiro, o destaque ficou no ano passado com Copacabana, com uma valorização de 60,82%".

Conforme Leonardo Frias, professor de Economia Imobiliária da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), o crescimento do mercado de luxo em cidades como o Rio de Janeiro deve-se, principalmente, aos investimentos públicos em infra estrutura. "Seria equivocado dizer que os estrangeiros estão descobrindo o Brasil sozinhos. Isso é resultado de ações de políticas publicas, que estão investindo em transporte e segurança, que resulta em condições melhores para o estrangeiro investir", completou.

Para o acadêmico, casa de alto padrão é um ótimo investimento para 2011, já que a expectativa de crescimento das cidades depois dos eventos esportivos Copa do Mundo e Olimpíadas deverão impulsionar os preços. "Acredito que o brasileiro com algum dinheiro para investir este ano deva aplicar em imóveis de alto padrão em construção, só no Rio de Janeiro o retorno positivo deverá ficar em até 60% até 2016".

Intermediadora

Da mesma opinião partilha Alexandre Fonseca diretor da Brasil Brokers. De acordo com o executivo, o Rio de Janeiro vive um momento de euforia, pós um período de estagnação. "Hoje, depois de muito tempo, temos o governo municipal, estadual e federal alinhados e isso facilitou a entrada de investimentos na cidade do Rio", disse. Hoje, 15% de todos os negócios realizados pela Brasil Brokers no Rio de Janeiro são para investidores de fora do estado. "São Paulo, Brasília e Minas Gerais lideram a lista de investidores brasileiros. Mas há também uma grande demanda de estrangeiros que descobriram o Rio e com as melhorias de infraestrutura vão investir mais na cidade".

Na Brookfield, a expectativa de crescimento no mercado de luxo fica de 10% a 15% este ano, e o foco, crê Alessandro Olzon Vedrossi, diretor de Investimentos da Brookfield Incorporações, será o Rio de Janeiro. "A Brookfield Incorporações tem histórico de longa data no segmento de alto padrão, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje temos alguns projetos em andamento, com unidades cujo preço final supera R$ 1 milhão, além de outros em desenvolvimento. Continuar a operar nesse segmento de forma exitosa faz parte de nossa estratégia de alcançar em volume de lançamentos de unidades um valor superior a R$ 500 mil, incluídas as consideradas de padrão médio-alto e as de alto luxo".

Quem também pensa no desenrolar do mercado voltado à classe A no Rio de Janeiro é Antonio Setin, presidente da construtora Setin. Para ele, a demanda no Rio está em franca expansão e o grupo acompanha as movimentações do mercado. "Não dispensamos boas oportunidades e um dos focos para os próximos anos é o Rio de Janeiro", afirmou, sem informar números. O executivo disse ainda que a compra de terrenos no Rio continua sendo um dos alvos da construtora.

Fonte: DCI - SP