Preços da construção dão sinal de alerta

Texto: Redação AECweb

Disparada: custos da construção civil subiram 1,61% em maio

10 de junho de 2010 - Nem mesmo o arrocho monetário a todo vapor foi suficiente para impedir o brasileiro de ir às compras. O número de pessoas que buscaram financiamentos bateu o recorde em maio. Todo esse consumo movido a crédito será um dos responsáveis por um crescimento recorde no Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país), mas também trará, como efeito indesejado, uma inflação expressiva. O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caso o país não tire o pé do acelerador nos próximos dois trimestres, pode chegar a 7%, segundo especialistas. A projeção supera o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%, e acende o sinal amarelo na corrida por uma expansão a taxas chinesas.

Na construção civil, a demanda está tão aquecida que, em alguns casos, a espera por tijolos, cimento e aço pode durar até dois meses. Tampouco a mão de obra é capaz de atender a todas as obras em andamento. Segundo analistas de mercado e diretores dos maiores bancos do país, o crédito imobiliário foi descoberto pelo brasileiro e se tornou a bola da vez. A tendência é que o financiamento da casa própria cresça expressivamente nos próximos anos. Nesse ritmo forte, o setor acabou sendo o primeiro a sentir as consequências da demanda elevada. Os preços dispararam. O Índice Nacional de Custos da Construção Civil (INCC) de maio, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 1,61%. A alta foi de 1,24 ponto percentual frente a abril.

Maio também mostrou quão ávidos os brasileiros estão por gastar. Segundo levantamento da Serasa Experian, a demanda por crédito no mês avançou 10%. Esse ritmo, influenciado pela proximidade da Copa do Mundo, nunca foi registrado no país. "O crescimento da demanda vem acontecendo desde o fim de 2009. Em função do consumo impulsionado pelo crédito, teremos uma inflação maior", explicou o gerente de indicadores da Serasa, Luiz Rabi.

Para o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, é preciso ficar atento ao núcleo da inflação. "O IPCA desacelerou, mas os núcleos estão avançando. Na média, chegaram a 5%", estimou. "Se pegarmos os últimos três meses e anualizarmos, a taxa pode chegar a 7%."

Atacado

Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 0,57% em abril para 0,43% em maio, a taxa que mede os preços para o atacado subiu de 0,72% para 2,06%. O minério de ferro foi o vilão do mês, ficando 75,19% mais caro. Leite (5,37%), farelo de soja (7,71%) e feijão (7,14%) seguiram na esteira dos itens que superaram a inflação oficial em 12 meses, que está em 5,22%. Com as empresas pagando mais pelos insumos, o produto final também sofre elevação de preços. No caso do minério de ferro, pode haver impacto em veículos, geladeiras e fogões.

Fonte: Correio Braziliense – DF