Programa Minha Casa não decola

Texto: Redação AECweb

Entre março e novembro foram construídas 176 mil moradias, número baixo frente à meta de edificação de 1 milhão de imóveis

04 de dezembro de 2009 - A Caixa Econômica Federal emprestou R$ 39,3 bilhões em crédito imobiliário de janeiro a novembro, valor 93% maior do que o volume de crédito contratado no mesmo período do ano passado. Com esse dinheiro foi possível financiar, em todo o país, 756.507 moradias, um recorde.

O desempenho da instituição só não foi excepcional no programa Minha Casa, Minha Vida. Lançado pelo governo em março com a meta de construir um milhão de casas até o fim de 2010, o desempenho do programa deixou a desejar. Até 30 de novembro, a Caixa só conseguiu financiar 176.379 unidades, embora o banco garanta que possui propostas para o financiamento de outras 567 mil moradias.

Dividido uniformemente por oito meses, a Caixa conseguiu financiar, mensalmente, 22.047 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. Para chegar a um milhão de unidades, a instituição terá que acelerar o ritmo. Nos treze meses que faltam para o fim de 2010 as contratações mensais terão que triplicar, ficando em torno de 63,4 mil unidades/mês.

O vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda, disse que, com a crise econômica, o banco se viu obrigado a atuar em todos os segmentos, inclusive no financiamento habitacional com recursos da poupança, destinado à classe média. "O desempenho da Caixa reflete uma postura decisiva da instituição de manter as taxas de juros e os prazos de financiamento mesmo no auge da crise internacional", observou.

Com isso, a Caixa, que já tinha cedido espaço para os bancos privados atuarem, voltou a ser responsável por 84% do total de unidades financiadas no país. Em termos de volume de recursos aplicados, a Caixa é responsável por 74% do total disponível no mercado.

A meta do banco, segundo Hereda, é fechar 2009 com empréstimos superiores a R$ 40 bilhões. Só para o programa Minha Casa, Minha Vida, a Caixa recebeu 2.763 propostas dos empresários do setor, para a construção de 567 mil moradias.

Desse total, 322.300 unidades têm como público-alvo as famílias com renda de até três salários mínimos; 138 mil de três a seis salários mínimos; e 106,7 mil unidades são voltadas para as famílias com renda entre seis e 10 salários mínimos. Das 176.379 unidades já financiadas, 102.585 imóveis foram para famílias com renda de até três mínimos.

Cerca de 42% dos R$ 39,3 bilhões foram empregados no financiamento habitacional para as famílias com renda de até cinco salários mínimos. O valor médio financiado ficou em R$ 69 mil por família. Os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) alcançaram R$ 14,9 bilhões, um salto de 46% na comparação com o mesmo período de 2008 (R$ 10,2 bilhões). O montante foi suficiente para o atendimento de 245.229 famílias.

Com mais de dois milhões de contratos ativos, a Caixa considera que possui hoje uma carteira de crédito imobiliário jovem. Cerca de 71% do total dos empréstimos está em mãos de mutuários com até 45 anos. Outros 22% do crédito estão com mutuários com até 30 anos de idade. As mulheres são responsáveis por 37% do total da carteira, sendo que 44% delas possuem renda mensal de até três salários mínimos.

O número
93%: Aumento do volume de concessão de crédito habitacional entre janeiro e novembro deste ano.

Fonte: Correio Braziliense - DF