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Projeto que une casas de luxo e vinicultura é assinado por Marcio Kogan

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Nova bossa de Portugal são os condomínios de casas de campo

11 de dezembro de 2013 - "Quem não sonhou ter uma vinha?", pergunta o slogan publicitário do primeiro "wine resort" de Portugal. Se você está entre os amadores que cultivam essa fantasia, saiba que a possibilidade de realizá-la já é real.

A nova bossa inventada pelo mercado imobiliário é oferecer condomínios de casas de campo, com parreiras no quintal, para que o proprietário possa produzir um vinho com rótulo próprio. Há experiências na Califórnia e em algumas regiões vinícolas europeias. O conceito chegou a Portugal com o grupo L'And, que, em vez do golfe, resolveu apostar na vinicultura para conquistar o mercado de luxo. Uma das surpresas do empreendimento, que fica no Alentejo, é a presença do paulistano Marcio Kogan no time internacional de arquitetos.

O primeiro investimento turístico do grupo foi o L'And Vineyards, uma propriedade com hotel cinco estrelas e villas em meio aos vinhedos, inaugurado em 2011. Nele, Kogan cuidou apenas da arquitetura de interiores. Há poucos meses foi iniciada a construção do L'And Reserve, previsto para abrir em dezembro de 2014, que também terá hotel, spa, centro náutico, residências com pomares ou vinhas no jardim e uma central para vinificação. Neste, o projeto integral é do brasileiro.

Embora os dois empreendimentos sejam no Alentejo, a cerca de uma hora de carro do aeroporto de Lisboa, há diferenças. O L'And Vineyards, que integra a cadeia Small Luxury Hotels of the World, fica perto da aldeia medieval de Montemor-o-Novo e próximo a Évora, cidade que é Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Já o Reserve ocupa uma área junto à barragem de Alqueva, novo destino turístico da região, onde há investimentos de grupos internacionais e a previsão de abertura para o próximo ano de um hotel da cadeia de luxo Aman.

O Alentejo é o celeiro de Portugal. Fica ao sul de Lisboa e ocupa uma faixa de terra que se estende do litoral ao interior. Há bastante tempo conhecido por seus azeites e vinhos, entrou na rota do turismo rural chique por conta de suas quintas seculares, aldeias caiadas de branco e praias ainda selvagens. Na última década surgiu como alternativa à super ocupação do Algarve, onde as praias são tomadas por hordas de estrangeiros durante o verão.

Com a região em alta, não foi difícil para José Cunhal Sendim, CEO do grupo L'And, perceber que o turismo poderia ser um bom negócio. De família alentejana, com tradição na produção de vinho e na agricultura, ele apenas somou as atividades habituais ao projeto turístico-imobiliário. "Buscávamos um modelo alternativo ao golfe que pudesse dar certo numa área pequena e que respeitasse a cultura regional para encontrar eco no mercado exterior", afirma Sendim. "O projeto, então, foi montado em três pilares: o hotel, o conjunto de villas que se beneficia do serviço hoteleiro, e a produção de vinhos."

A ideia de Sendim sempre foi direcionar-se para um mercado exclusivo, para o qual a arquitetura é fundamental. "Por isso escolhemos o Marcio Kogan", diz. "É uma região ainda quase intocada, com um caráter bastante selvagem para os padrões europeus. Nas villas, ao lado do lago, você ainda tem a chance de ficar como se estivesse fora do mundo."

Fora do mundo, mas com todo o conforto. O conjunto terá também três restaurantes, bares, serviços de segurança, concierge e recepção 24 horas. Na primeira fase serão construídas 50 casas, em lotes que já são vendidos com as videiras plantadas. As villas têm entre 229 e 336 m2 de área construída, o que corresponde a 30% do terreno. O preço varia de €600 mil a €1,4 milhão, o que inclui a casa pronta.

Ainda que os vinhos sejam o destaque, os esportes náuticos são outro atrativo do Reserve. O lago de Alqueva é o maior reservatório de água artificial da Europa Ocidental, procurado por quem tem veleiros ou lanchas - o centro náutico projetado por Kogan terá capacidade para 50 barcos.

O projeto vinícola também é de alto padrão. Para começar, o enólogo que o orienta é Paulo Laureano, um dos nomes mais prestigiados de Portugal. Ele foi escolhido pois já havia trabalhado com Sendim na Quinta da Amoreira da Torre, vinícola da família que produz tintos, brancos e rosés com uvas típicas de Portugal, cultivadas segundo os preceitos da agricultura bio, que não são vendidos no Brasil.

Laureano é proprietário da Paulo Laureano Vinus, onde faz vinhos reconhecidos e premiados. Alguns rótulos são servidos nos voos da TAP e no restaurante Tasca da Esquina, em São Paulo. Não é pouca coisa, portanto, tê-lo como enólogo consultor para fazer um vinho particular. Ele explica que no L'And os vinhedos foram desenhados de forma que cada proprietário tenha a área que lhe corresponde "em frente à porta de casa e que sua vinha seja diferente da dos vizinhos, com outras conjugações de uvas".

No L'And estão plantadas uvas tintas (alicante bouschet, touriga nacional e touriga franca) e brancas (verdelho e arinto). O primeiro vinho tinto da propriedade foi elaborado em 2009 e o branco, em 2011. No projeto do Reserve, cada proprietário terá possibilidade de fazer mil garrafas em cada safra. Se quiser fazer mais, poderá comprar uvas do vizinho ou dos vinhedos do condomínio.

Que investimento será necessário para isso? "Vai depender muito do estilo de vinho a desenvolver, da quantidade da produção e se a bebida amadurecerá ou não em barris", diz Laureano. Ele considera que o fundamental é que a experiência seja prazerosa e ultrapasse o simples hobby. Para a produção, contará com equipamentos de última geração para o processo de fermentação e vinificação, com a supervisão de uma equipe técnica. No local funcionará ainda um clube de vinho com degustações, cursos de enologia e eventos culturais e gastronômicos.

Para o brasileiro Marcio Kogan, participar da experiência foi uma consequência da internacionalização de seu escritório. Como desde o início o projeto contempla o respeito pela tradição arquitetônica da região, ele diz que para fazer as villas se inspirou na cidade histórica de Monsaraz, que fica ao lado do empreendimento. As residências terão pátios internos, como é comum na arquitetura árabe, que é bastante presente nessa parte do território português. "Procuramos ser delicados no projeto, de forma a ferir o mínimo possível o entorno. A ideia é que as casas desapareçam na paisagem", diz o arquiteto.

A vinícola ficará no subsolo do hotel. Nesse caso, Kogan só planejou o espaço. A ocupação se dará por critérios técnicos. Cabe a ele também o projeto do Spa, que será operado pela Caudalie, marca francesa de cosméticos fabricados à base de derivados de uva, que já tem alguns spas centrados na vinoterapia.

O que mais atraiu Kogan foi, justamente, o fato de o projeto ser todo centrado no vinho. "Achei genial essa coisa do vinho ser a alma do empreendimento", afirma o arquiteto. Depois de tudo, será que ele também ficou com vontade de fabricar seu próprio vinho? "Acho que sim, vamos ver com o tempo. Uma preocupação por vez."

Fonte: Valor Econômico

 

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