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Confira como está a taxa Selic em junho de 2024

Texto: Vinícius Veloso

Após reunião do Copom, realizada no último dia 08 de maio, taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual e agora está em 10,50% ao ano

Setas na frente de moedas indicando a variação da taxa selic hoje, em junho de 2024

03/06/2024 | 10:00 — A taxa Selic em junho de 2024 está em 10,50% ao ano — porcentagem definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em reunião realizada no último dia 08 de maio. Na ocasião, os diretores da entidade optaram por reduzi-la em 0,25 ponto percentual em decisão que não foi unânime.

Esse foi o sétimo corte consecutivo e hoje a Selic se encontra em seu menor patamar desde fevereiro de 2022 (quando foi registrada a porcentagem de 9,25% ao ano). A taxa vem sendo reduzida desde agosto de 2023.

Confira outros índices da Construção Civil:

Empregos na construção
Valor do metro quadrado
CUB (Custo Unitário Básico)
Reajuste do aluguel (IGP-M, IPCA e INPC)
Mercado imobiliário (vendas e lançamentos)
Preço do aluguel residencial

No comunicado divulgado após o encontro, o Copom indica que é preciso “serenidade e moderação na condução da política monetária”. Além disso, a nota antecipa que “ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”. Ainda de acordo com a entidade, é preciso ter cautela com a lentidão no processo desinflacionário, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador.

“A política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, continua o texto.

O Copom destacou, ainda, que a situação internacional mostra-se mais adversa, com persistente e elevada incerteza referente ao início da flexibilização de política monetária nos Estados Unidos, além das pressões do mercado de trabalho. No último dia 01º de maio, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) optou por manter os juros inalterados (em uma faixa de 5,25% a 5,50% ao ano).

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“O Comitê avalia que o cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes”, destaca o Copom, mencionando que no Brasil o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho têm apresentado maior dinamismo do que o esperado.

“Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado”, prossegue a nota.

De acordo com o Relatório Focus do Banco Central, divulgado em 06 de maio, a projeção é que a Selic esteja em 9,63% no final de 2024. Para os próximos anos, a estimativa é que taxa seja de 9% em 2025, de 8,75% em 2026 e de 8,50% em 2027.

Variação da taxa Selic nos últimos meses

Data da reunião do CopomTaxa Selic (a.a.)
Maio de 202410,50%
Março de 202410,75%
Janeiro de 202411,25%
Dezembro de 202311,75%
Novembro de 202312,25%
Setembro de 202312,75%
Agosto de 202313,25%
Junho de 202313,65%
Maio de 202313,65%
Março de 202313,65%
Fevereiro de 202313,65%
Dezembro de 202213,65%
Outubro de 202213,65%
Setembro de 202213,65%
Gráfico mostrando a variação da taxa Selic em maio de 2024

Taxa Selic x construção civil

Após a mais recente redução da taxa Selic, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) destacou a importância de medidas contínuas para reduzir as taxas de juros e incentivar o desenvolvimento econômico do país.

De acordo com a entidade, a decisão do Copom "é importante para o Brasil, uma vez que a continuidade da trajetória de queda na Selic é fundamental para a geração de emprego e renda da população, além de estimular a atividade industrial, incluindo o mercado imobiliário, em que taxas de juros elevadas impactam negativamente o custo dos financiamentos habitacionais".

"De qualquer forma, é necessário que o Banco Central siga comprometido com a redução da Selic no longo prazo de forma sustentável. O Brasil ainda tem a segunda maior taxa de juros real do mundo, o que é um grande entrave para o crescimento econômico do país", continua o texto publicado no site da associação.

Já Ieda Vasconcelos, economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ressalta que não era consenso entre os analistas do mercado financeiro a redução dos juros em 0,25 ponto percentual.

“Alguns esperavam que o Colegiado mantivesse o ritmo dos meses anteriores. Inclusive, em sua última reunião, realizada em março, o Copom sinalizou um novo recuo de 0,5 p.p.. Mas deixou claro que, para isso, o cenário precisaria estar de acordo com o aguardado”, relembra Vasconcelos.

Ela comenta, ainda, sobre o aumento de 1,42% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) durante o primeiro trimestre de 2024. O dado aponta que o indicador oficial de metas para a inflação no país correspondeu a menor variação, para o período, desde 2020 (0,53%). “Esta é uma boa notícia”, comemora.

Como a Selic impacta na construção civil

A Selic tem impacto direto sobre o mercado da construção civil. Sua principal influência ocorre sobre os financiamentos imobiliários, empréstimos captados por construtoras e preços dos insumos usados nos canteiros de obras. Quando a taxa permanece alta por bastante tempo, os custos dessas variáveis também tendem a subir e interferem no crescimento do setor.

As variações da Selic merecem atenção especial na construção, pois os contratos costumam ser mais longos. Quando está muito alta, por exemplo, os financiamentos imobiliários tendem a diminuir — resultando em um aumento do estoque de imóveis. Por consequência, são menos projetos lançados e menor atividade nos canteiros (com a geração de empregos reduzida).

Com isso, sempre que ocorrem movimentos de redução na Selic, o clima de otimismo e confiança cresce entre os empresários da construção civil. Afinal, quando a taxa é menor, cria-se um cenário de valorização dos imóveis e de aumento na demanda por novas unidades.

O que é a taxa Selic?

Sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a Selic é a taxa básica de juros do Brasil — usada para balizar as operações de crédito no país. Além de influenciar nas captações de empréstimos e financiamentos, também é usada para controlar a inflação. Com impacto direto no cotidiano da população, é redefinida pelo Banco Central a cada 45 dias.

Em 2024, as reuniões do Copom estão agendadas para:

  • 30 e 31 de janeiro
  • 19 e 20 de março
  • 07 e 08 de maio
  • 18 e 19 de junho
  • 30 e 31 de julho
  • 17 e 18 de setembro
  • 05 e 06 de novembro
  • 10 e 11 de dezembro
Moedas empilhadas sobre uma mesa

Para calculá-la, o Comitê de Política Monetária do Banco Central analisa diferentes indicadores financeiros. Quando ela é reduzida, o crédito fica mais fácil e a inflação tende a cair. Por outro lado, quando o Banco Central opta por elevá-la, o oposto acontece: com os juros do crédito mais altos e os preços com tendência de redução ou estabilidade (consequência do controle da inflação).

Vale destacar que as mudanças na taxa Selic demoram entre seis e 18 meses para ter um impacto pleno na economia do país.

A taxa Selic ainda serve para balizar os valores pagos pelos títulos públicos e determinar o rendimento do dinheiro investido em diferentes carteiras.

A Selic foi criada em 1979, pelo Banco Central e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) — atualmente Anbima. Sua concepção visava agilizar e disciplinar a venda e a compra de títulos públicos.

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