Confira como está a taxa Selic em março de 2024

Texto: Vinícius Veloso

Após reunião do Copom, realizada no último dia 31 de janeiro, taxa Selic foi reduzida em 0,5 ponto percentual e agora está em 11,25% ao ano

Setas na frente de moedas indicando a variação da taxa selic hoje, em março de 2024

01/03/2024 | 08:00 — A taxa Selic em março de 2024 está em 11,25% ao ano — porcentagem definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em reunião realizada no último dia 31 de janeiro. Na ocasião, os diretores da entidade foram unânimes em reduzi-la em 0,5 ponto percentual.

Esse foi o quinto corte consecutivo e hoje a Selic se encontra em seu menor patamar desde março de 2022 (quando foi registrada a porcentagem de 10,75% ao ano). A taxa vem sendo reduzida desde agosto de 2023.

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No comunicado divulgado após o encontro, o Copom indica que: "em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário".

Com isso, é esperado um novo corte de 0,5 ponto percentual já na próxima reunião (agendada para 19 e 20 de março de 2024).

O Copom destacou, ainda, que a situação internacional permanece "volátil" e marcada pelo debate sobre o início da flexibilização de política monetária nas principais economias. No mesmo dia em que o Comitê reduziu a taxa Selic no Brasil, nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter os juros inalterados (em uma faixa de 5,25% a 5,50% ao ano). Porém, a entidade norte-americana já aponta para uma possível redução caso a inflação no país continue em queda nos próximos meses.

"O Comitê avalia que a conjuntura, em particular devido ao cenário internacional, segue incerta e exige cautela na condução da política monetária", aponta o comunicado do Copom, que indica que no caso do Brasil a inflação ao consumidor manteve trajetória de desinflação. "O Comitê reforça a necessidade de perseverar uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", continua o texto.

De acordo com o Relatório Focus do Banco Central, divulgado em 30 de janeiro último, a projeção é que a Selic esteja em 9% no final de 2024. Para os próximos anos, a estimativa é que taxa seja de 8,50% em 2025, de 8,50% em 2026 e de 8,50% em 2027.

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Variação da taxa Selic nos últimos meses

Data da reunião do CopomTaxa Selic (a.a.)
Janeiro de 202411,25%
Dezembro de 202311,75%
Novembro de 202312,25%
Setembro de 202312,75%
Agosto de 202313,25%
Junho de 202313,65%
Maio de 202313,65%
Março de 202313,65%
Fevereiro de 202313,65%
Dezembro de 202213,65%
Outubro de 202213,65%
Setembro de 202213,65%
Agosto de 202213,65%
Junho de 202213,15%
Gráfico mostrando a variação da taxa Selic em fevereiro de 2024

Taxa Selic x construção civil

Após a mais recente redução da taxa Selic, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) avaliou o movimento como positivo não apenas para impulsionar o crescimento econômico do país, mas também o setor imobiliário — em que as taxas de juros elevadas impactam negativamente o custo dos financiamentos habitacionais.

"Essas medidas não beneficiariam apenas o setor imobiliário, tornando os financiamentos habitacionais de médio e alto padrão mais acessíveis, mas também contribuiriam para o progresso econômico e social do Brasil”, destaca Luiz França, presidente da ABRAINC, enfatizando a necessidade de medidas contínuas que promovam a redução das taxas de juros e incentivem o acesso ao crédito para os compradores de imóveis.

Atualmente, o Brasil tem a sexta maior taxa de juros nominal do mundo. Com isso, reforça-se a importância de buscar níveis mais competitivos para impulsionar o crescimento sustentável e atrair investimentos.

Já Ieda Vasconcelos, economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ressalta a importância de que quanto menores os juros, maior o estímulo aos investimentos produtivos que geram emprego, renda e proporcionam maior crescimento da economia.

Ela comenta que para 2024 a meta inflacionária é de 3%, podendo variar entre 1,5% e 4,5% para ser considerada cumprida. “Em 2023, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no País, registrou alta de 4,62% ficando, então, inferior ao teto da meta (4,75%). Para 2024 as projeções para a inflação vêm perdendo força e, atualmente, estão em 3,86%”, aponta. 

Vale lembrar que o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) tem enfrentado consideráveis perdas devido às taxas de juros elevadas. “Em 2023, pelo terceiro ano consecutivo, a captação líquida da poupança foi negativa, ou seja, os saques superaram os depósitos. Assim, de 2021 a 2023 a perda de recursos correspondeu a R$ 188 bilhões”, diz a economista. 

“Os financiamentos imobiliários são essenciais para a aquisição da casa própria e muito contribuem para dinamizar o setor da Construção Civil, que é um grande gerador de emprego e renda na economia”, afirma Vasconcelos.

Como a Selic impacta na construção civil

A Selic tem impacto direto sobre o mercado da construção civil. Sua principal influência ocorre sobre os financiamentos imobiliários, empréstimos captados por construtoras e preços dos insumos usados nos canteiros de obras. Quando a taxa permanece alta por bastante tempo, os custos dessas variáveis também tendem a subir e interferem no crescimento do setor.

As variações da Selic merecem atenção especial na construção, pois os contratos costumam ser mais longos. Quando está muito alta, por exemplo, os financiamentos imobiliários tendem a diminuir — resultando em um aumento do estoque de imóveis. Por consequência, são menos projetos lançados e menor atividade nos canteiros (com a geração de empregos reduzida).

Com isso, sempre que ocorrem movimentos de redução na Selic, o clima de otimismo e confiança cresce entre os empresários da construção civil. Afinal, quando a taxa é menor, cria-se um cenário de valorização dos imóveis e de aumento na demanda por novas unidades.

O que é a taxa Selic?

Sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a Selic é a taxa básica de juros do Brasil — usada para balizar as operações de crédito no país. Além de influenciar nas captações de empréstimos e financiamentos, também é usada para controlar a inflação. Com impacto direto no cotidiano da população, é redefinida pelo Banco Central a cada 45 dias.

Em 2024, as reuniões do Copom estão agendadas para:

  • 30 e 31 de janeiro
  • 19 e 20 de março
  • 07 e 08 de maio
  • 18 e 19 de junho
  • 30 e 31 de julho
  • 17 e 18 de setembro
  • 05 e 06 de novembro
  • 10 e 11 de dezembro
Moedas empilhadas sobre uma mesa

Para calculá-la, o Comitê de Política Monetária do Banco Central analisa diferentes indicadores financeiros. Quando ela é reduzida, o crédito fica mais fácil e a inflação tende a cair. Por outro lado, quando o Banco Central opta por elevá-la, o oposto acontece: com os juros do crédito mais altos e os preços com tendência de redução ou estabilidade (consequência do controle da inflação).

Vale destacar que as mudanças na taxa Selic demoram entre seis e 18 meses para ter um impacto pleno na economia do país.

A taxa Selic ainda serve para balizar os valores pagos pelos títulos públicos e determinar o rendimento do dinheiro investido em diferentes carteiras.

A Selic foi criada em 1979, pelo Banco Central e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) — atualmente Anbima. Sua concepção visava agilizar e disciplinar a venda e a compra de títulos públicos.