Sem pacote de incentivo ao setor, venda de material de construção cai 15% em jan

Texto: Redação AECweb

Principal motivo foi a queda das encomendas pelo varejo

20 de fevereiro de 2009 - A demora do governo federal em anunciar o pacote de medidas para incentivar o setor da construção civil contribuiu para a piora nas vendas do setor em janeiro. O Índice de Vendas Abramat, produzido pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), apontou queda de 5,68% nas vendas no mês em relação a dezembro. Em comparação com janeiro do ano passado, a queda foi de 15,72%. Em 12 meses, o índice de vendas acumula alta de 11,02%. A Abramat prevê para 2009 expansão nas vendas de 5%.

O presidente da entidade, Melvyn Fox, afirmou que a demanda pelo consumidor final se retraiu, mas a principal causa para a queda no índice foi a queda das encomendas pelo varejo. "Como uma das medidas em estudo pelo governo prevê a redução do IPI sobre os materiais, as lojas preferiram reduzir estoques com o preço antigo, para refazê-los após o anúncio da medida", disse. O setor esperava o anúncio do pacote em janeiro, mas a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou quarta-feira que o pacote só será lançado daqui a um mês.

Em janeiro, também houve queda no nível de emprego de 2,71% em relação a dezembro, e de 4,08% em relação a janeiro de 2008. Entre janeiro e fevereiro, as indústrias de materiais demitiram em torno de 20 mil pessoas. "Houve uma queda um pouco acima do normal para a época e é possível que haja mais demissões se não houver uma reversão no quadro atual de demanda", avaliou Fox. Segundo o executivo, as vendas em fevereiro também dão sinais de queda em relação a igual mês de 2008.

Conforme a pesquisa de sondagem da entidade, em fevereiro as indústrias utilizaram 79% da capacidade instalada, contra 82% em janeiro. O pessimismo das indústrias também aumentou neste mês. Pela sondagem, 34% dos empresários se mostraram pessimistas em relação às vendas em fevereiro, contra 28% em janeiro, e 50% esperam um desempenho regular, contra 41% em janeiro. Para março, 56% dos empresários esperam um desempenho regular, e 16% desempenho ruim. Outros 28% esperam melhora em relação a fevereiro com a adoção de medidas de incentivo ao setor pelo governo.

Em relação ao pacote, 64% dos empresários se mostram otimistas em relação aos seus efeitos neste ano. Em janeiro, o índice era de 69%. "O índice havia melhorado, quando o governo falou que lançaria o pacote. Com essa demora, os empresários estão perdendo o ânimo", afirmou Fox. O índice de intenção de investimentos do setor também se reduziu no período, para 36% em fevereiro, ante 38% em janeiro e 56% em dezembro.

Fonte: Valor Econômico – SP  - Cibelle Bouças, de São Paulo 20/02/2009