Setor da habitação quer programa como política de estado

Texto: Redação AECweb

Entidades e empresas da área já se preocupam com a continuidade do projeto após as eleições que acontecerão nesse ano

23 de fevereiro de 2010 - Otimistas com os primeiros resultados do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida - ainda que a contratação de 275,528 mil unidades registradas no ano passado tenha ficado abaixo da meta de 400 mil unidades -, entidades e empresas da área já se preocupam com a continuidade do projeto após as eleições que acontecem neste ano.

O setor espera que, independentemente do candidato vencedor da corrida presidencial, o governo indique que existem recursos e faça os ajustes necessários para que o programa federal avance.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo (SindusCon), Sérgio Watanabe, diz que os empresários esperam esse sinal de que devem continuar investindo no setor. "O Minha Casa, Minha Vida é importante, mas é pontual. O que a sociedade quer é um programa que torne esse processo perene", destaca Watanabe.

Na avaliação do empresário, a chance de a Caixa Econômica Federal atingir a contratação de 1 milhão de casas através do programa até o final de 2010 é "factível" ."Demanda existe, o nosso déficit habitacional está em aproximadamente 5,5 milhões de unidades, sendo que a maior parte desse montante se concentra na faixa de até cinco salários mínimos", acrescenta.

Mais R$ 20 bilhões
"É preciso chegar a uma política de habitação perene, de Estado e não de governo. Para suprir o atual déficit habitacional seria necessário um programa como esse a cada dois anos", concorda João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), ao avaliar que esse é apenas o primeiro passo do governo para resolver o problema em até 20 anos.

Crestana também avalia que é primordial garantir os recursos para a continuidade do programa que, segundo ele, ainda precisa de alguns ajustes. Crestana calcula que seriam necessários mais R$ 20 bilhões para sua continuidade.

"É preciso fortalecer as empresas para produção em escala, criar massa crítica, treinar a mão-de-obra. Assim chegaremos a um produto de qualidade, com custo menor", defende o executivo.

Crestana pede ainda o fortalecimento do aspecto jurídico do programa. "Se um projeto é aprovado é fundamental termos a garantia que essa autorização será mantida", ressalta, ao considerar que essa insegurança atrapalha muito o Minha Casa, Minha Vida.

Construtoras priorizam baixa renda
Também satisfeito com os resultados iniciais do Minha Casa, Minha Vida, o diretor-presidente da Rodobens, Eduardo Gorayeb, destaca que o setor pleiteia, na verdade, um instrumento que oficialize a obrigatoriedade de sua manutenção.

"Esse programa habitacional foi tão importante que mudou o foco das construtoras, que hoje, em sua maioria, estão atuando no segmento de baixa renda. Temos certeza que ele continuará mesmo se houver mudanças no cenário político, pois envolve um planejamento de longo prazo. O que foi contratado em 2010, por exemplo, será concluído em 2011, 2012", diz o executivo.

Antonio Fernando Guedes, diretor-geral da Living, divisão da Cyrela que atende ao segmento de baixa renda, defende um debate conjunto com o governo para que o programa seja aprimorado.

"Sua continuidade é esperada e necessária não só para as construtoras, mas para o público consumidor. Essa primeira fase foi importante para a adaptação ao sistema, acredito que agora ganharemos mais velocidade no processo", acrescenta Guedes.

André Sampaio, diretor da ASA Incorporadora, braço de baixa renda da Agre - empresa criada a partir da combinação da Agra, Abyara e Klabin Segall - avalia que "o melhor ainda está por vir" no que refere ao programa habitacional.

"A Caixa precisou de um tempo para implantar o programa e tem conseguido cumprir o prometido. Passada essa fase, a perspectiva é que nos próximos meses veremos mais agilidade no processo", afirma Sampaio.

Fonte: Monitor Mercantil