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Setor de construção prevê alta em pagamento de dividendos

Texto: Redação AECweb

Empresas do segmento estão otimistas em relação ao crescimento da economia brasileira

22 de junho de 2010 - As companhias do setor de construção civil estão otimistas com o crescimento da economia brasileira e, consequentemente, com possíveis lucros futuros, trazendo aumento no pagamento de dividendos. Isso pode fazer com que os investidores se interessem ainda mais por essas empresas.

A MRV Engenharia, construtora que tem uma posição estratégica diferenciada, atendendo as classes mais baixas, em que está a maior parte do déficit habitacional brasileiro, paga dividendos: hoje, no montante de R$ 82,5 milhões, o que corresponde a R$ 0,171379113 por ação ordinária, conforme posição acionária do dia 19 de maio de 2010.

Em chat realizado pelo Itaú Trade na semana passada com a Gafisa, o gerente de Relações com Investidores Luiz Maurício Garcia, afirmou que a companhia já paga o previsto na Lei das S.A., ou seja, o correspondente a 25% do lucro líquido da empresa. "Qualquer alteração nesse percentual vai depender de decisões futuras", disse o gerente da Gafisa.

O que mostra o otimismo das companhias do setor, principalmente com investimentos em imóveis de baixa renda, é que a Gafisa, através da Tenda, apresentou um guidance de lançamentos de até R$ 5 bilhões, sendo que só a Tenda deve representar algo entre 40% e 45% desse total.

"Esse é um segmento que cresce muito, principalmente após o anúncio do programa Minha Casa Minha Vida, e tem crescido dentro do nosso portfólio de produtos", explica Garcia.

Em relação ao esperado em crescimento percentual do valor de mercado da Gafisa, o executivo de RI da companhia afirma que "esse é um dado que depende do mercado. O fundamento é forte. Em 2005, a Gafisa reportou uma receita em torno de R$ 450 milhões, e para este ano a expectativa do mercado de acordo com a Bloomberg é próxima de R$ 4 bilhões, um aumento de quase 10 vezes em 5 anos", diz Garcia.

No pregão da última sexta-feira da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), as ações ordinárias da Gafisa encerraram negociadas a R$ 11,57, mas de acordo com Garcia, a previsão de valorização é boa. "A previsão que temos é a de mercado. O consenso do mercado hoje está em R$ 16 por ação", afirma ele.

"Fizemos muita coisa desde o IPO [oferta pública inicial de ações, em inglês]. O crescimento estimado da companhia desde 2005 deve atingir quase 10 vezes neste ano, assumindo dados da Bloomberg. De acordo com estudo divulgado em 2007 pela Ernest Young e FGV [Fundação Getulio Vargas], a demanda potencial no Brasil é de 1,5 milhão de unidades até 2030, o que representa aproximadamente R$ 200 bilhões em vendas por ano", acrescenta ele.

Para a advogada Cristiane Mamprin de Castro Guerra, sócia do escritório Lobo & de Rizzo Advogados, os investidores estão mais atraídos por empresas do setor de construção civil e existe uma tendência moderada na elevação do pagamento de dividendos. "Acredito na tendência de aumento dos dividendos, mas ao mesmo tempo, acho que não ocorrerá com todas as companhias", afirma a advogada.

Mamprin diz ainda que é preciso ficar de olho se o pagamento de dividendos não vai prejudicar os investimentos da companhia. "É preciso avaliar a forma de pagamento e de captação dos recursos para que não prejudique os planos de investimentos da companhia", acrescenta ela.

O mercado de construção civil como um todo também está remunerando bem os seus investidores. Segundo o diretor executivo de Finanças e Relacionamento com Investidores da MRV, Leonardo Corrêa, o fator que fez com que as construtoras pagassem mais dividendos a seus acionistas foi a melhoria da governança e da lucratividade do setor. "As empresas de construção civil ainda têm grande necessidade de reinvestir seus lucros para gerar crescimento", explica o executivo da MRV.

O Índice BM&F Bovespa Imobiliário (IMOB), que mede o desempenho das ações de companhias do setor listadas na Bolsa em uma carteira teórica, apresenta desvalorização de 7,2% até junho de 2010. Porém, no ano passado, o indicador registrou elevação de 205,2%, após uma forte retração de 69,3% em 2008, devido a forte crise financeira internacional que fez o mercado acionário mundial despencar.

Fonte: DCI - SP

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