Setor diz que faltam imóveis para atender à demanda

Texto: Redação AECweb

Entidades veem cortes de taxas como positivo para todo o segmento

26 de abril de 2012 - A redução das taxas de juros no financiamento da casa própria pela Caixa Econômica Federal foi bem recebida pelos agentes especializados, como um estímulo para toda a cadeia do setor imobiliário. Mas alertaram que o grande desafio do governo é acelerar a velocidade das construções para atender ao crescimento da demanda, sobretudo no segmento de baixa renda.

Para Rodolpho Vasconcelos, diretor-superintendente da Domus Companhia Hipotecária e conselheiro da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o crédito para a casa própria não vai faltar. A oferta em 2012 deve ficar, pelo menos, nos mesmos patamares de 2011 (quando foram emprestados R$ 80 bilhões só com recursos da poupança). A questão, diz ele, é se o volume de novos imóveis vai conseguir acompanhar esse ritmo:

- A oferta de habitações para a baixa renda está pequena. O grande desafio do governo é acelerar a velocidade de construção. Em 2011, as construtoras enfrentaram falta de material, de mão de obra. Esse ajuste é que o mercado produtor ainda tem que fazer. A classe média e média alta não sofre tanto com esse problema: em alguns bairros há, inclusive, uma superoferta.

Roberto Kauffmann, presidente do Sindicato da Construção Civil do Estado do Rio (Sinduscon-Rio), lembra que o setor está, de fato, vivendo uma série de ajustes e que a questão de atrasos na entrega dos novos empreendimentos já está sendo superada:

- Para o público de classe média e média baixa (o corte de juros pela Caixa), é uma diferença que a longo prazo é substancial. Qualquer queda de juros numa economia relativamente estável é favorável e ajuda a movimentar o mercado - disse Kauffmann. - Estamos correndo atrás de inovações tecnológicas para tornar a construção menos artesanal e mais profissional. Consequentemente, mais veloz.

Foram concedidos R$ 17,6 bilhões para compra de imóveis

José Conde Caldas, presidente da Ademi, também comemora a medida, lembrando que ela estimula o investimento em imóveis para aluguel:

- As pessoas que têm uma sobra de recursos, sabendo que o dinheiro hoje rende muito pouco no mercado financeiro perto do que já rendeu, partem para a compra de um imóvel.

Especialmente porque hoje a lei já dá mais garantias para os proprietários.

Apesar da expectativa de recuperação da atividade econômica e das reduções de juros já anunciadas pelos bancos, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) manteve em 30% a previsão de crescimento para o crédito imobiliário neste ano, chegando a R$ 103,9 bilhões. Confirmado, o resultado representará uma desaceleração na comparação com o avanço de 42% registrada no ano passado.

- Uma expansão menor não é um resultado ruim - disse o presidente da entidade, Octavio de Lazari Jr.

No primeiro trimestre, os recursos concedidos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para financiamento imobiliário atingiram R$ 17,6 bilhões, alta de 9,9% sobre o mesmo período de 2011, acima da projeção da Abecip, de alta de 9%.

Fonte: O Globo