Setor imobiliário da Grande São Paulo atrairá aportes no 1º semestre

Texto: Redação AECweb

Incorporadoras anunciam lançamentos também no interior, e prevêem um crescimento de cerca de 10% nas vendas

01 de fevereiro de 2011 - Os números positivos do setor imobiliário do Estado de São Paulo, que apontou um crescimento de 30% na comercialização de unidades em 2010, impulsionam construtoras e incorporadoras, que já investem pesado no primeiro semestre de 2011 na Grande São Paulo e no interior, apostando na proximidade com a capital paulista. As incorporadoras Rossi, MBiggucci e Plazza Imóveis anunciam novos lançamentos nessas regiões, e prevêem um crescimento de vendas de cerca de 10% este ano.

No caso do Grande ABC, formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a expectativa de crescimento apontada através de um estudo de setor realizado pela Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (Acigabc), em parceria com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), revelou uma estatística animadora: as vendas de imóveis nas sete cidades, cresceram 36,6% ano passado, na comparação com o mesmo período de 2009. Foram lançadas 6.124 unidades. "Para 2011, a aposta do setor é de mais expansão, já que a economia vive um bom momento, com aumento de renda da população e diminuição do desemprego", afirmou Flávio Amary, vice-presidente para o Interior do Secovi-SP.

Com 2,5 milhões de habitantes, o ABC detém uma das maiores economias do País. De acordo com o IBGE, a região tem o 4º maior PIB brasileiro, perdendo apenas para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Dentro deste cenário, o mercado imobiliário não fica para trás. "Sabemos do potencial das sete cidades do ABC e por isso há todo um trabalho de ampliação para estes mercados", continuou o executivo.

Na construtora Plazza Brasil Imóveis o investimento de R$ 600 milhões no primeiro semestre de 2011 terá foco na Grande São Paulo, com 11 lançamentos previstos, oito deles serão nas sete cidades, dois na capital paulista e um em Guarulhos.

"Entramos fortemente em Guarulhos e temos mais três lançamentos para o município neste ano. Apostamos ainda no crescimento de mercado em cidades como Mauá e Diadema, nos quais há ainda há espaço para construir e demanda de clientes", revela a sócia e diretora da Plazza Brasil Imóveis, Valéria Corrêa.

De acordo com a executiva, os imóveis vendidos não são apenas para sanar o déficit habitacional das cidades. "Em um lançamento em São Bernardo, por exemplo, cerca de 15% das vendas foram feitas para paulistanos", diz.

Para o presidente da Acigabc Milton Bigucci, que também é proprietário da Construtora Mbigucci, o volume de vendas no mercado imobiliário do Grande ABC deverá crescer na casa dos 10% em 2011. "Com as novas resoluções do programa Minha Casa, Minha Vida e com a economia estável essa é a projeção para toda a região", disse Bigucci.

O executivo também disse que tipo de imóvel é mais procurado no ABC: são os apartamentos de 3 dormitórios "As vendas neste segmento foram de 2.672 unidades no acumulado deste ano, o que representa 50% no quadro geral de vendas", disse.

"O que se pode sentir nos plantões de vendas é que muitos casais que possuem um filho e moram em um apartamento de dois dormitórios estão começando a ir em busca de um espaço maior e mais completo", destacou.

O presidente da entidade afirmou ainda que há um déficit habitacional de 60 mil unidades na região, sendo que 90% encontram-se na faixa de preço estabelecido para financiamento do programa federal Minha Casa, Minha Vida - de R$ 130 mil. E de olho nesse déficit, A incorporadora e Construtora Rossi, que fechou 2010 com vendas contratadas no total de R$ 4 bilhões, 71% em relação a 2009, também busca seu espaço na grande São Paulo, atualmente, o grupo possui 3 unidades em lançamentos previsto para o primeiro semestre, sendo Santo André, Campinas e Santos.

De acordo com Tadeu Rosa, professor de Economia e Assuntos Imobiliários da Unicsul, os preços dos terrenos na Grande São Paulo são o maior atrativo. "O metro quadrado nos arredores da capital é mais barato, e ainda há muita disponibilidade de terreno. Pela proximidade de locomoção até a capital, esses investimentos atraem não apenas o público das cidades à margem, como também moradores de São Paulo", avaliou.

A MBigucci, incorporadora que atua na região do ABC Paulista, também está com diversos projetos de lançamentos para as sete cidades. Ao todo, a companhia deverá lançar oito empreendimentos em Santo André, São Bernardo e São Caetano, o que representa grande parte dos negócios da empresa. "Temos alguns lançamentos na capital paulista, mas é clara nossa força dentro do ABC", diz Bigucci.

De janeiro a novembro do ano passado foram lançados mais de 4,1 mil novos conjuntos comerciais na capital paulista, de acordo com o último relatório do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Na comparação com o mesmo período de 2009, quando 3,5 mil novos conjuntos foram lançados, houve crescimento de 17,14%. Frente a 2008, o aumento foi de 70,83%, uma vez que naquele ano foram lançadas 2,4 mil novas unidades comerciais.

De acordo com o economista-chefe do sindicato, Celso Petrucci, a média de lançamentos anuais de conjuntos comerciais atingiu um crescimento de 37,5% se se considerarem dois períodos: o compreendido de 2001 a 2005, e o de 2006 a 2010.

"No primeiro caso, a média de lançamentos ficou em 24 mil unidades, ao passo que no segundo período essa média saltou para 33 mil unidades", diz Petrucci.

Para o sindicato, o aumento do número de lançamentos até novembro de 2010 deve-se a um movimento de recuperação, diante da queda registrada em 2009.

Fonte: DCI - SP