Setor imobiliário prevê novo avanço das vendas em 2010

Texto: Redação AECweb

Estimativa é que o mercado de imóveis novos residenciais cresça em torno de 5% na comercialização e 10% em lançamentos este ano

24 de fevereiro de 2010 - Um grande volume de crédito estará disponível ao setor imobiliário no Brasil este ano. Nacionalmente, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) prevê a liberação, com recursos da poupança, de algo em torno de R$ 45 bilhões, ante o volume de R$ 34 bilhões em 2009 de financiamento imobiliário.

Com esse cenário, na capital paulista, a estimativa é que o mercado de imóveis novos residenciais cresça em torno de 5% na comercialização e 10% em lançamentos este ano. Com isso, deve-se chegar a 37,6 mil unidades vendidas a aproximadamente 33 mil unidades lançadas - resultado ainda inferior a 2008, estima o Sindicato das Empresas de Compra, Locação e Administração de Imóveis Comerciais de São Paulo (Secovi).

O impacto disso já começou a ser sentido pelo mercado, tanto que nos últimos dois meses de 2009, só na cidade de São Paulo, houve um expressivo avanço de 140,7% em aumento de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram comercializadas 3,4 mil unidades.

O setor imobiliário aguarda para maio, com grande expectativa, uma proposta para o "Minha Casa, Minha Vida 2". Entre elas está a Gafisa, que acredita na expansão do programa em níveis recordes em 2010. A construtora faz parte do grupo de empresas que participou da modelagem do programa junto com o governo federal, ao lado de Rodobens Negócios Imobiliários, MRV e Trisul.

Uma das grandes apostas da empresa para o segmento foi o lançamento do Super 6, que prevê o financiamento de 6% da entrada e a entrega do imóvel em seis meses. O financiamento é feito pela CEF e o comprador só começa a pagar após a entrega do imóvel. "No modelo tradicional, tínhamos que esperar o cliente quitar o financiamento em 18 meses para começar a construir", disse o presidente da Gafisa, Wilson Amaral, em entrevista recente ao DCI.

A proposta para esse tipo de produto surgiu em uma das reuniões com a ministra Dilma Roussef. "Explicamos que era inviável lançar um produto para baixa renda em que o comprador tivesse que arcar com as parcelas do financiamento junto com o aluguel", disse ele.

Para entregar em seis meses, o imóvel já tem que estar aprovado, com todos os alvarás, e financiado, com as vendas adiantadas. Por isso, para ganhar agilidade na operação, a Tenda (subsidiária da Gafisa no segmento voltado à baixa renda) se certificou como correspondente regional da CEF para acelerar as aprovações. Até dezembro do ano passado, a empresa tinha 27 mil unidades em análise na instituição.

Vendas
Há a expectativa de um forte volume de vendas no setor este ano. Isso por conta da previsão do Conselho Curador do FGTS, que destinou R$ 18 bilhões para financiamentos, R$ 4 bilhões para subsídios, R$ 1 bilhão para o programa Pró Cotista e R$ 1 bilhão para o Pró Moradia. Para o programa "Minha Casa, Minha Vida", o governo terá R$ 9,3 bilhões, por dotação no Orçamento Geral da União. Com isso, o total de recursos destinados para o setor em 2010 será de R$ 78 bilhões. O Secovi destaca ainda que os recursos não utilizados em 2009 no "Minha Casa, Minha Vida", passaram automaticamente para o Orçamento de 2010, com grandes chances de se cumprir a meta de 1 milhão de moradias até o final do ano. Em 2009, as contratações do programa chegaram a 275,5 mil unidades.

As entidades do setor reunirão propostas para a continuidade do programa na próxima reunião da comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que acontece esta semana em São Paulo. O objetivo é apresentar um plano concreto ao governo, para o "Minha Casa, Minha Vida 2", até maio. "Espero que entre abril e maio isso já esteja bem encaminhado", afirma João Crestana, presidente do Secovi. O mercado aguarda o anúncio sobre a continuação do programa para a segunda quinzena de março.

Balanço
O mercado de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo superou as expectativas em 2009, com a venda de 35,8 mil unidades, crescimento de 9,1% em relação ao ano anterior, quando foram vendidas 32,8 mil unidades, conforme pesquisa divulgada ontem pelo Secovi.

O resultado ficou acima da expectativa inicial do sindicato, que era de 33 mil unidades vendidas. Nos dois últimos meses do ano passado, foram vendidas 8,27 mil unidades e lançadas 10,1 mil moradias, com salto de 95,75% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando os lançamentos somaram 5,1 mil unidades. O resultado surpreende por superar, inclusive, a soma dos sete primeiros meses do ano passado, de 9,75 mil unidades. De acordo com o sindicato, a grande expansão no final do ano se deve ao fato de o mercado de lançamentos ter "andado de lado" até julho.

No acumulado do ano, o volume de lançamentos totalizou 30,1 mil unidades - retração de 12,61% ante 2008. Com ritmo de vendas acelerado, o setor imobiliário está otimista com 2010 e projeta 37,6 mil unidades a serem vendidas este ano na capital, além de 33 mil unidades lançadas na cidade - 10% a mais que em 2009.

Fonte: DCI-SP