Setores beneficiados pela redução do IPI prevêem aumento nas vendas

Texto: Redação AECweb

Expectativa do presidente da Anamanco é de crescimento em torno de 5% nas vendas

30 de junho de 2009 - Empresários de setores favorecidos diretamente pela redução na cobrança do IPI, como veículos, eletrodomésticos de linha branca, produtos à base de farinha de trigo e materiais de construção preveem melhora no desempenho de vendas, seguindo direção contrária à indústria geral, cuja produção deve registrar queda próxima a 5%, segundo dados do boletim Focus.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, observa que a desoneração do IPI dos automóveis já refletiu em aumento das vendas durante o primeiro semestre.

De janeiro a maio, as vendas de veículos no país recuavam 0,1% em comparação com igual período de 2008. "Ainda não fechamos os números, mas achamos que o resultado será melhor do que o verificado no primeiro semestre de 2008, que foi um ano de recorde absoluto", disse Schneider. A expectativa é que as vendas fiquem entre 1% e 2% maiores do que no mesmo período do ano passado, quando foram vendidos 1,5 milhão de veículos.

Sem citar números, Schneider prevê para o ano recorde de vendas sobre os 2,82 milhões de veículos licenciados no ano passado. Ao divulgar os resultados de maio, a Anfavea ainda previa para o ano queda de 3,9% nas vendas (para 2,7 milhões de unidades) e recuo de 11,1% na produção, para 2,86 milhões de unidades.

O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Elias Conz, manteve para o ano a expectativa de crescimento de 5% nas vendas, mas informou que a entidade deve revisar para cima as projeções se o desempenho repetir abril e maio.

Ele afirmou que as medidas para o setor de caminhões podem estimular investimentos na renovação de frota pelas indústrias da construção. "Nosso setor tem 200 mil caminhões, de todos os tamanhos. Juros a 4,5% ao ano é juro real zero, descontada a inflação", afirmou Conz.

Ele considerou "ótimas" as medidas anunciadas pelo governo. "O setor esperava a renovação do IPI por três meses e foi renovado por seis meses e houve a inclusão do vergalhão de cobre. Todas as medidas trarão resultados positivos para a economia", avaliou.

De acordo com a Anamaco, as vendas de materiais de construção cresceram 1% no primeiro semestre ante igual intervalo de 2008 sendo que, em abril e maio, depois da redução do IPI, a alta foi de 4,5%. Os produtos desonerados, que representam 15% do total, tiveram incremento de 25% nas vendas em abril e de 10% em maio e redução média no preço final de 8,25%.

Os segmentos de bens de capital e de caminhões serão favorecidos diretamente pela redução nas taxas de juros das linhas de financiamento concedidas pelo BNDES e devem contribuir para uma recuperação do investimento em formação bruta de capital fixo ainda neste ano, avaliaram representantes da indústria.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert, confirmou que os anúncios de desonerações atendem completamente às demandas do setor.

Ele cobrou, no entanto, que os governos estaduais também adotem medidas para aquecer a economia. "O que vimos aqui são desonerações sobre impostos federais. O ICMS tem impacto maior sobre os produtos do que Cofins e PIS", comparou.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, considerou positivas as medidas e acredita que a redução da TJLP em 0,25 ponto percentual, para 6% ao ano (taxa "careca") deve estimular a retomada dos investimentos em máquinas pela indústria da construção neste ano.

De acordo com sondagem feita pela Abramat, em junho, 37% das empresas do setor pretendiam investir - no mesmo período de 2008 o índice chegava a 70%. A capacidade ociosa está em 22%, ante 10% em junho do ano passado.

"Com as medidas, haverá uma retomada da intenção de investimentos porque porque já se prevê uma performance melhor para o próximo ano", afirmou o presidente da Abramat, Melvyn Fox.

Até maio, a taxa de investimentos do setor acumulava queda de 16%, mas ele acredita que as indústrias possam encerrar o ano com expansão de 1% a 3% nos investimentos, dada a perspectiva de recuperação da economia e a adoção das medidas de estímulo ao investimento.

O presidente da CUT, Artur Henrique, comemorou o fato de a prorrogação das desonerações - e as novas medidas beneficiando outros setores da economia - estarem atreladas a compromissos de manutenção dos empregos.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, que participa do grupo de acompanhamento da crise, viu um "um avanço significativo" nas medidas anunciadas pelo governo.

Será cobrado das empresas a estabilidade dos funcionários por três meses, excluindo o caso de contratados por prazo determinado, demitidos por justa causa e trabalhadores que optarem por programas de demissão voluntária ou pela aposentadoria.

Fonte: Valor Econômico - SP