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Sistema ABC começa a ser empregado em obras rodoviárias no Brasil

Texto: Redação PE

O sistema construtivo ABC (Accelerated Bridges Construction), muito utilizado na construção de pontes e outras obras de arte em rodovias nos Estados Unidos, começa a ser empregado por construtoras brasileiras. A constatação foi feita pelo engenheiro Júlio Timermann, presidente do Ibracon – Instituto Brasileiro do Concreto em palestra no seminário Projeto, Construção, Sistemas Construtivos e Manutenção de Obras de Infraestrutura viária e mobilidade urbana, promovido pelo instituto em parceria com a Abcic – Associação Brasileira da Construção Industrializada durante a Brazil Road Expo 2014, aberta nesta quarta-feira (9), em São Paulo.

Segundo Timermann as principais vantagens do uso do Sistema ABC, que se baseia no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto são: redução no tempo de execução da obra, menor custo, menor impacto no trânsito e no meio ambiente, melhoria na qualidade final e na durabilidade da obra, melhoria da segurança dos trabalhadores e dos usuários, além de diminuição de atrasos relacionados ao clima. “Nesse último caso, isso se deve ao uso intensivo de estruturar pré-fabricadas de concreto, que são feitas em ambiente fabril, sem interferências do clima”, comentou o presidente do Ibracon, salientando que se pode usar pré-fabricado em todas as fases da obra. “Não estamos falando de estruturas especiais, mas em peças usuais, que representam 90% das nossas estruturas rodoviárias”, acrescentou.

Para o palestrante, a solução é bastante útil, sobretudo em obras de alargamento de pontes e viadutos. “Nos Estados Unidos há casos relatados de pontes e viadutos que foram alargados em duas semanas com o uso do Sistema ABC”, informou Timmermann. O seminário, que é coordenado pela presidente executiva da Abcic e diretora de cursos e membro do conselho do Ibracon, Íria Doniak, contou ainda, na parte da manhã, com a palestra Alargamento de Estruturas Existentes, proferida pelo professor Hugo Corres Peiretti, da Universidade Politécnica de Madri.

Em sua fala, o engenheiro Corres, que é responsável pelo projeto de diversas obras na Europa e também no Brasil – participou, entre outras construções, do projeto para construção da Arena Corinthians – detalhou como foi feito o alargamento da Ponte De Los Santos, na Espanha, que foi ampliada de 12 para 24 metros de largura para comportar mais pistas. “Essa obra é um caso extraordinário de engenharia pelos vários desafios enfrentados, pois ela teve de ser feita sem que o trânsito fosse interrompido e com cuidados extras em relação a corrosão, pois está localizada próxima do mar”, explicou Corres.

Na sequência, o engenheiro Gustavo Rovaris, gerente da Unidade do Rio de Janeiro da Cassol Pré-fabricados, apresentou o case do Complexo Viário do Porto de Itaguaí (RJ), que apresentou diversos desafios para a empresa, entre os quais, a compatibilização do projeto com o sistema industrializado, uma vez que ele havia sido caracterizado para o método tradicional, a produção e logística de movimentação interna e externa de vigas de até 64 toneladas, a viabilização em fábrica para a execução de vigas com 38 metros e 86 toneladas, utilização do concreto autoadensável para minimizar patologias e o tempo, já que o cronograma estava atrasado.

A obra consistiu na construção de uma ponte ferroviária, uma ponte rodoviária e dois viadutos rodoviários. O volume total de concreto utilizado na estrutura chegou a 6521,00 m³ e a metragem de estacas centrifugadas usadas para a fundação é de 10.171,40 metros. “Um dos destaques desse projeto foi a adaptação do concreto protendido passando de um sistema pós-tração para um sistema misto ou de pré-tração”, afirmou Rovaris.

Em suas considerações finais, Rovaris destacou que o sistema industrializado é o ideal para pontes e viadutos urbanos devido ao pouco espaço nos canteiros de obras, além de benefícios referentes ao tempo e prazo. “Para aumentar a produtividade e reduzir os custos nas obras, é importante, ainda, a padronização”, enfatizou.

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