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Só 18% de operários na construção tiveram formação profissional

Texto: Redação AECweb

Construção civil aparece em 14º lugar no ranking relativo à qualificação profissional e também na 14ª posição no referente a cursos técnicos


06 de abril de 2011 - Pesquisa feita pelo Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e o Instituto Votorantim mostra que somente 17,8% dos trabalhadores ocupados na construção civil frequentaram curso de educação profissional.

De 16 setores analisados na pesquisa, os com maior proporção de pessoas formadas em cursos de educação profissional são: automobilístico (45,71%), finanças (38,17%), petróleo e gás (37,34%). Já os com menor proporção são agronegócio (7%), outros (13,54%) e construção civil (17,8%).

Os dados constam da pesquisa "Trabalho, Educação e Juventude na Construção Civil", apresentada na última terça-feira, e traça um panorama dos desafios da construção civil, do perfil dos trabalhadores do setor e das alternativas para a inserção qualificada no mercado de trabalho.

Ao se levar em conta os níveis de formação (qualificação profissional, curso técnico e graduação tecnológica), a construção civil aparece em 14º lugar no ranking relativo à qualificação profissional e também na 14ª posição no referente a cursos técnicos. E aparece em 13º lugar se considerado o nível de graduação tecnológica. No total, são 16 setores avaliados.

O objetivo da pesquisa é discutir a dificuldade do setor da construção para atrair e reter profissionais em um momento em que o aumento da demanda deve ser ainda maior uma vez que o Brasil sediará importantes eventos esportivos internacionais (como a Copa do Mundo e a Olimpíada) e executa obras de infraestrutura do PAC e de habitação como as do programa "Minha Casa, Minha Vida".

"Esperamos que o estudo promova uma reflexão qualificada e contribua para o aperfeiçoamento de políticas públicas e privadas relacionadas ao tema", avalia Rafael Gioielli, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Votorantim.

Um dos principais temas de reflexão é que, apesar do aumento da escolaridade e dos salários no setor, há maior escassez de mão de obra na construção civil.

Por não empregar mulheres e jovens, os segmentos mais escolarizados da população, a tendência é de acirramento do apagão de mão de obra qualificada, segundo o estudo. A opção dos jovens é por trabalhos menos braçais. Dos 29 milhões de jovens ocupados, apenas 2 milhões trabalham no setor da construção civil.

A pesquisa ressalta ainda a melhoria de vida dos trabalhadores do setor. "Em 1996, 51,28% das famílias dos profissionais dedicados à construção civil estavam nas classes D ou E (com renda familiar inferior a R$ 1.100,00). Em 2009, apenas 36,2% representavam as classes D ou E, o que reflete uma ascensão para a classe C."

Fonte: Folha de São Paulo

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