Sustentabilidade pode tornar projetos até 10% mais caros

Texto: Redação AECweb

Com capacidade para 45 mil pessoas, estádio do Grêmio não terá jogos da Copa e espera dar retorno em no máximo 10 anos

20 de junho de 2011 - A Arena do Grêmio, prevista para ser entregue em dezembro de 2012, é o único caso de estádio em construção que, embora não tenha sido contemplado para receber os jogos da Copa de 2014, está em busca da certificação Leed, selo internacional de construção verde.

O estádio, orçado em R$ 475 milhões, deve obedecer ao conceito de arenas multiuso, com a possibilidade de sediar atividades diversas, como shows e eventos ao longo do ano - uma medida para evitar que o empreendimento se torne um elefante branco. "A opção de construir com selo verde surgiu após visitas a outras arenas fora do Brasil", afirma Carlos Eduardo Paes Barreto Neto, diretor da OAS Empreendimentos, empresa à frente do projeto. A arena terá capacidade para 54 mil pessoas, em um terreno de 100 mil metros quadrados no bairro de Humaitá, na zona norte de Porto Alegre.

O executivo calcula que a opção pelo selo verde pode tornar o empreendimento entre 5% a 10% mais caro, mas esse investimento deve ser recuperado em menos de uma década. Para obtenção do selo, várias medidas para evitar a poluição vem sendo tomadas, desde a etapa da construção. A obra terá um plano de controle de sedimentação e erosão do solo, relatórios de qualidade do ar e de gestão de resíduos.

Outra proposta da construtora é integrar a construção da arena com um complexo de comércio e serviços, que deve custar R$ 640 milhões. Estão previstos shopping center, centro de convenções, torres comerciais e um hotel, além de um condomínio residencial.

O anúncio da obra no bairro de Humaitá trouxe alguns questionamentos por parte da população: moradores não queriam a transferência de uma escola estadual e de um centro de tradições gaúchas para outro bairro. A solução será reconstruir tanto a escola quanto o centro, próximos do estádio. "Tudo será feito pensando na revitalização do bairro", diz Neto.

Olimpíada

Para especialistas, a construção das arenas e complexos esportivos que estão sendo feitos por todo o País em razão da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 deve ser feita levando em conta os usos posteriores dos espaços.

"Não tem como ser sustentável se não houver demanda futura por outros usos, como eventos, shows", diz Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech, consultoria especializada em projetos de construção sustentável. Ele aponta Barcelona como exemplo de cidade que soube dar bom uso às instalações construídas para a Olimpíada de 1992. "Muitas áreas estavam degradadas e se transformaram em bairros residenciais nobres. A infraestrutura da cidade como um todo também foi beneficiada: a coleta de lixo é modelo."

Carlos Casado, diretor técnico do GBC Brasil, já observa um aumento na procura do selo Leed para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. "Tudo aponta para Olimpíadas verdes também."

Fonte: O Estado de São Paulo