Trabalho na construção civil exige empenho

Texto: Redação AECweb

SindusCon-SP lançou em agosto, em parceria com o Sesi-SP, o Programa de Elevação de Escolaridade, para trabalhadores da construção civil

20 de setembro de 2010 - Experiência e qualificação. São esses os principais atributos para ser trabalhador da construção civil. Mas, com o crescimento do mercado imobiliário, falta mão de obra para atender às dezenas de obras. No Grande ABC, para se ter uma ideia, o número de lançamentos de imóveis, por parte das construtoras, disparou no primeiro semestre.

Foram 3.174 unidades, expansão de 106% em relação aos seis meses iniciais de 2009, quando foram colocadas no mercado 1.541 unidades, segundo dados da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), em parceria com o Secovi- SP (Sindicato da Habitação).

Por ser alta a demanda por profissionais da área, e baixo o número de qualificados, não é por acaso que os trabalhadores do setor empregados já estão há muito tempo dentro de uma mesma empresa. A maior parte deles está, em média, há 15 anos na companhia, estima a diretora-adjunta da regional de Santo André do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Rosana Carnevalli. "Tenho funcionários na construtora que trabalham comigo há mais de 30 anos."

Segundo empresários do setor do Grande ABC, com quem o Diário conversou, a maioria dos trabalhadores do segmento é alfabetizado, com o ensino fundamental completo (cerca de 60%). No caso de obras industriais, a exigência quanto ao nível de ensino é maior. "Muitos possuem curso técnico no Senai", adverte Osvaldo Pelegrini, proprietário de uma construtora que leva seu sobrenome, em Santo André.

Outra característica da categoria atuante nas sete cidades é a origem. Cerca de 60% dos funcionários são migrantes das regiões Norte e Nordeste, sendo que o maior número é proveniente dos Estados do Piauí e Pernambuco.

"Muitos são trazidos pelos parentes, que já moram aqui. Quando a pessoa não tem familiares na cidade, a alternativa, muitas vezes, é morar na obra. Cerca de 20% dos meus operários se instalam nos empreendimentos que estão sendo construídos", conta Sérgio Ferreira dos Santos, dono da Dunas Construtora e Incorporadora, de Santo André.

O volume de trabalhadores casados nas empresas chega a variar de 50% a 80%, sendo este o índice também para aqueles que têm filhos. A faixa etária desses trabalhadores vai de 30 até 50 anos.

O encarregado de obra Claudio de Oliveira, 36 anos, exemplifica bem o trabalhador da construção civil nas sete cidades. Ele veio de Pernambuco com 17 anos, e começou a trabalhar como servente de pedreiro, seguindo assim, os passos do pai. Como não tinha moradia, ficava instalado nas obras onde trabalhava. Depois de um tempo, com o ganho de experiência, passou a carpinteiro. "Fui crescendo dentro da minha profissão. Aprendi com os mais velhos", conta.

Hoje, Oliveira é encarregado de obra e tem até a sexta série, do Ensino Fundamental. Mas, há um ano, concluiu um curso técnico no Senai. "Estou casado, tenho uma filha e conquistei a casa própria", diz orgulhoso. O encarregado cuida de duas obras no momento, uma em Mauá e outra em São Caetano, e administra cerca de 18 operários por construção.

Remuneração depende de escolaridade e função exercida

Com o tempo de experiência é natural que os trabalhadores, seja na área da construção civil, ou em qualquer outra, alcancem novas funções. A remuneração acompanha este crescimento. Segundo diretora-adjunta da regional de Santo André do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Rosana Carnevalli, o piso salarial da categoria é de R$ 830 para funcionários não qualificados (serventes e ajudantes). Aqueles que já possuem algum tipo de especialização recebem o piso de R$ 992 (pedreiros, carpinteiros, armadores). Encanadores, eletricistas e pintores possuem o mesmo salário (R$ 992), mas podem receber um pouco a mais, pois são remunerados, também, pela produção. Já no caso do encarregado de obra, o salário oferecido gira em torno de R$ 3.000.

"O que conta muito é quando o trabalhador faz curso técnico. Ele passa a ter noções, acima de média, de vários setores dentro da obra", esclarece Rosana.

Pensando nisso, o SindusCon-SP lançou em agosto, em parceria com o Sesi-SP, o Programa de Elevação de Escolaridade, com objetivo de elevar o nível escolar dos trabalhadores da construção civil referente aos primeiros anos do Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries). além disso, o curso aperfeiçoa conhecimentos relativos à língua portuguesa e matemática, no que diz respeito a todas as atividades sociais nas quais eles estão inseridos.

O presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, lembra que o setor abriu mais de 1 milhão de postos de trabalho nos últimos cinco anos. "Grande parte deste contingente ainda precisa de treinamento e o setor deve se mobilizar para capacitar sua mão de obra", afirma.

Fonte: Diário do Grande ABC - SP