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USP vai construir prédio 100% ecológico

Texto: Redação AECweb

As obras começarão no ano que vem e devem durar dois anos

24 de março - Professores da Universidade de São Paulo (USP) estão passando da teoria à prática para construir um edifício 100% sustentável, em pleno campus da Cidade Universitária, na zona oeste da Capital. "Vamos juntar tudo o que a gente ensina", diz o professor Marcelo de Andrade Roméro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), diretor do projeto. Os alunos aprendem, por exemplo, que o subsolo é mais frio do que o solo. Mas o que fazer com essa informação?

Uma rede de manilhas de barro passará a 4,50 m abaixo do terreno do edifício. Se uma pessoa, em uma das salas, achar que está calor, apertará um botão. Isso acionará um ventilador, na rede de manilhas, e um exaustor, na sala. O ar frio correrá pelas manilhas e será sugado, na sala. Sairá por uma abertura, e resfriará o lugar.

O prédio abrigará o Centro de Estudos de Clima e Ambientes Sustentáveis, o Cecas. Com três andares, será um edifício modelo. Vai gerar sua própria energia elétrica. O objetivo é valorizar a relação da arquitetura com o clima, para reduzir o consumo de energia. Na verdade, funde dois projetos já existentes, um da FAU e outro do Instituto de Astronomia Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG).

Será erguido em uma área de 6 mil m², onde hoje é o estacionamento do IAG. As obras começarão no ano que vem e devem durar dois anos. O custo de R$ 20 milhões será assumido pela USP (R$ 5 milhões), a Financiadora de Estudos e Projetos, Finep, do governo federal (R$ 700 mil), e pela iniciativa privada – afinal, interessada em soluções racionais e de menor custo.

Energia
De onde virá a energia que abastecerá o prédio? Do sol. Não será simplesmente o aquecimento solar que dá água quente, nas casas. O sistema a ser empregado, o fotovoltaico, usa células de silício, que transformam a luz diretamente em eletricidade. A energia elétrica corre pelos fios, como a que vem das concessionárias. Em dias claros, com mormaço, chega-se à geração máxima de energia. Mas mesmo em dias nublados ou chuvosos, a pequena claridade também dá geração, embora pouca.

O prédio terá o ar frio vindo do subsolo, para situações amenas; mas também vai ter ar-condicionado. Se alguém está pensando nos aparelhos convencionais, pode esquecer. O que será montado na cobertura do edifício é solar e só existe na Alemanha. Nunca foi usado no Brasil. Numa explicação rápida, funciona da forma que segue.

Ar frio – Sobre o teto do prédio haverá um grande espelho côncavo. Ele reflete a luz do sol (em qualquer posição que o astro esteja), diretamente para um tubo com água. A água ferve e circula pelo tubo. O tubo passa por um tanque onde há brometo de lítio, um composto químico.

O calor do tubo, com a água fervendo dentro, faz com que o brometo e o lítio se separem. Eles passam a correr por dutos separados, e vão parar em um tanque. Aqui, a ausência de calor faz com que voltem a se unir. Quando isso acontece, produzem muito frio. Tudo onde estão fica gelado. Nesse lugar existirá uma serpentina, por onde circulará o ar vindo do exterior. A baixa temperatura do tanque gela a serpentina e esta o ar, que sairá nas salas do prédio.

O tubo com água quente, que passou pelo tanque de brometo de lítio, chega depois a um reservatório de água. Assim, aquece a água para o banho e lavatórios.

O projeto tem cuidados para que as salas não esquentem. Os painéis de vidro que dão para o exterior terão películas filtrantes, em tonalidades que garantem o conforto ambiental e boa iluminação dos interiores. Além disso, haverá cortinas do tipo rolo, que, acionadas, se abrem ou fecham como um rolo. O diferencial está nisto: as cortinas estarão do lado de fora – e não de dentro – das vidraças.

O conceito é que, no uso convencional, o sol passa pela vidraça e já está dentro da sala, quando chega às cortinas. "Cria-se um efeito estufa", diz o professor Tércio Ambrizzi, do IAG. No prédio modelo, as cortinas descerão automaticamente, quando a temperatura nas salas atingir certo grau de aquecimento.

O edifício será composto por três blocos, embora mostre uma fachada sem cortes. Os vãos entre os blocos servirão para ventilar e permitir a entrada de sol em suas laterais. "Funcionam como túneis verticais de iluminação natural e ventilação", diz o professor Marcelo Roméro. Os pilares do prédio serão metálicos, na forma de um "H". Junto deles subirão os dutos de eletricidade, água, esgoto, e ar frio e quente.

O material do piso ainda não está definido, mas sua natureza sim: será elevado. Fios e dutos passarão sob ele. Quando for necessário instalar mais tomadas, ou mudar posições, bastará retirar seções do piso – sem necessidade de quebrar nada.

Fonte: Diário do Comércio - SP

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