Varejo e construção perdem mais no Rio de Janeiro

Texto: Redação AECweb

Setores fecham segundo dia consecutivo com as maiores baixas dos índices

24 de novembro de 2010 - O mau humor nos mercados acionários externos contaminou o Ibovespa na sessão de terça-feira e respingou principalmente em ações de setores que apresentam volatilidade mais intensa, como construção civil e varejo. É o segundo dia consecutivo que esses setores fecham entre as maiores baixas do índice.

A reboque da aceleração inflacionária, o mercado tem se mostrado cauteloso em relação a um possível aumento da taxa de juros em 2011, o que poderia abrandar o apetite da população por crédito. Na pesquisa Focus divulgada nesta semana, economistas eleveram pela décima semana seguida a projeção para o IPCA, índice oficial de inflação no País, para este ano, para 5,58%, ante o centro da meta do governo de 4,5%.

"Os investidores têm aproveitado para vender ações de varejo e construção, que subiram forte ao longo do ano, porque, com esse cenário de inflação pressionada, a expectativa do mercado é que já no próximo semestre haja aumento na taxa de juros, o que apertará a oferta de crédito", explicou Fernando Campello, operador da Hera Investimentos.

No setor imobiliário, desvalorizaramse mais os títulos da PDG ON (5,53%, a R$ 10,07), da MRV ON (5,36%, a R$ 16,23), da Rossi ON (4,61%, a R$ 14,07), da Cyrela ON (4,55%, a R$ 20,14) e da Brookfield ON (4,33%, a R$ 8,18). Já entre as empresas de consumo relataram as quedas mais pesadas os papéis do Pão de Açúcar PNA (4,3%, a R$ 68,14) e os da Lojas Renner ON (4,23%, a R$ 60,90).

No acumulado do mês, as ações das varejistas Lojas Renner ON e Lojas Americanas PN registram alguns dos maiores declínios do índice, com queda de 9,37% e de 10,33%, respectivamente.

Na direção oposta, B2W ganhou 0,72% (a R$ 32) na sessão.

A Link Investimentos, no entanto, diminuiu a recomendação para os papéis da companhia de comércio eletrônico, alegando a perda de fatia de mercado e o ritmo mais lento de expansão. O preçojusto para as ações da empresa foi fixado pela corretora em R$ 37, para dezembro de 2011, o que significa um potencial de alta de 15,63%.

Defesa

De acordo com Campello, enquanto o panorama da situação financeira internacional seguir obscuro, o ideal é se posicionar em ações consideradas defensivas, que registram menor volatilidade, como as de energia elétrica e telecomunicações.

Com a agenda econômica esvaziada de indicadores relevantes e feriado nos Estados Unidos amanhã e na quintafeira, o operador acredita que o mercado ficará atento ao desempenho da Black Friday (sexta-feira), quando há uma grande liquidação no varejo dos Estados Unidos, o que servirá como termômetro para medir como está a demanda por consumo para as compras do Natal no país.

Fonte: Jornal do Commercio - RJ