Vírus trouxe novos desafios à construção civil e à mobilidade urbana

Texto: Hosana Pedroso

Arquiteto aponta para a necessidade de revisão do desenho e da qualidade dos EPIs usados nos canteiros, onde as medidas de higiene adotadas vão se consolidar como uma cultura

A pandemia surpreendeu o setor da construção civil que, especialmente no segmento imobiliário, fez abortar o crescimento que já se desenhava. “Porém, o brasileiro é muito criativo e quando o cenário se tornar mais previsível, terá respostas para superar essa dificuldade”, diz em entrevista ao podcast do portal AECweb, o arquiteto Fábio Vital, titular da Fator Vital Projetos, Gerenciamento e Consultoria. No ano passado, o empreendimento Royce Connect III, projetado por ele, conquistou o prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto concedido pela ABCIC. Neste momento, Vital está gerenciando as obras de recuperação, restauração e modernização de quatro edifícios no centro da capital paulista.

Entre as novidades impostas pela Covid-19 estão as medidas de higiene, adotadas em canteiros de todo o país para a proteção da saúde das equipes. O arquiteto acredita que, mesmo com a resistência comum ao setor da construção de incorporar procedimentos na obra, essa é uma cultura que permanecerá. E chama a atenção para a necessidade de revisão dos EPIs. “O relaxamento no uso desses equipamentos de proteção ocorre, muitas vezes, por conta da sua anatomia e qualidade”, afirma, citando desde as roupas pesadas, de costura grosseira e padronizadas, apesar do biotipo diverso dos trabalhadores, até os óculos de material que, mesmo o melhor, não tem boa transparência, dificultando as atividades. “Será preciso redesenhar e assegurar mais qualidade aos EPIs”, completa.

No futuro, tanto o projeto quanto a execução da obra serão afetados pela experiência atual, principalmente pelo amplo uso da informação online. E virá, segundo Vital, na forma da valorização do planejamento. “Será uma ferramenta fundamental na nova demanda que viveremos à frente”, comenta.

O distanciamento físico entre as pessoas deverá criar políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana e equipamentos públicos, como praças e calçadas mais largas. Em vários países, vias públicas vão se transformando provisoriamente em ciclovias, sendo que a bicicleta garante a distância ideal. Por outro lado, o transporte público, antes defendido pelos melhores urbanistas se tornou polêmico. “A pandemia traz esse ingrediente novo a ser enfrentado por urbanistas”, ressalta.