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Volume de mão de obra estrangeira dispara

Texto: Redação AECweb

Setor da construção civil precisa acelerar o passo da qualificação

27 de junho de 2011 - Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que em 2010 o número de estrangeiros que conseguiram visto para trabalhar no País foi de 56.006. Segundo analistas de Recursos Humanos consultados, o fato deve-se principalmente à falta de espaço profissional nos países de origem, atrelada à qualificação profissional dos brasileiros.

"Hoje os brasileiros são mais qualificados para postos de confiança, como nos setores de diretoria e gerência, do que outros países do mundo, inclusive ganhando proporcionalmente salários melhores do que em seu país. Desta forma, muitas multinacionais enviam ao Brasil seus funcionários alocados em outros países, inclusive nas matrizes, para aprenderem e se qualificarem nas filiais brasileiras", explica um dos executivos da Petrobras.

Ao mesmo tempo entidades apontam que o crescimento do número de imigrantes que vêm trabalhar no Brasil deve-se a uma falta de mão de obra qualificada, como apontam dados brasileiros de aumento do número de postos que necessitam de qualificação sem que haja pessoas hábeis para os cargos.

A saída encontrada por diversas companhias brasileiras tem sido assumir os custos de capacitação dos seus funcionários. Em alguns casos, a alternativa é contratar estrangeiros.

"Capacitação de mão de obra é, de fato, um problemão. Na prática, precisamos encontrar funcionários na China e nos Estados Unidos", diz Marcel Malczewski, presidente da empresa de automação comercial Bematech. Com dois centros de desenvolvimento de produto no País -na matriz, curitibana, e em Campinas (SP)- e outros dois no exterior -Long Island (EUA) e Taipei (Taiwan)-, ele afirma que consegue garimpar com mais facilidade profissionais para pequisa e desenvolvimento de produtos.

"A Bematech não contrata em Curitiba, contrata no mundo inteiro, mas temos tido dificuldade de encontrar pessoas. O próprio topo da gerência da nossa empresa não fala paranaês, há muitos sotaques diferentes. Mas isso é um problema mundial, não só brasileiro. A tecnologia anda muito rapidamente, então achar gerente, diretor ou mesmo técnico qualificado é bem complicado."

O setor da construção civil é outro dos que vão precisar acelerar o passo da qualificação. Passando por um boom no número de lançamentos causado pelo crescimento do crédito e pelo programa "Minha Casa Minha Vida", as construtoras do Paraná já contrataram mais de 10 mil pessoas este ano. Segundo Marcos Kahtalian, consultor do Sinduscon, sindicato que representa a indústria, as empreiteiras ainda têm dificuldade para contratar trabalhadores qualificados, como mestres-de-obras.

"As construtoras têm investido em programas de qualificação e eles terão de ser ampliados", avalia. O próprio Sinduscon tem projetos dentro do Planseq, um plano nacional de capacitação para o setor criado pelo governo federal. "Mas, pelo ritmo dos lançamentos, boa parte da qualificação vai ser no canteiro de obras, mesmo." O consultor destaca que a construção é uma opção interessante para quem busca voltar para o mercado formal de trabalho e acentua o aumento do número de mulheres que trabalham no setor.

O advogado do Emerenciano, Baggio e Associados, Felippe Breda, aponta outro lado da importação de mão de obra qualificada. De acordo com ele, a burocracia trabalhista no Brasil prejudica a vinda de estrangeiros para exercer cargos importantes em companhias nacionais ou instaladas no País. "Um empresário de outra nação fica confuso ao entender quais são seu direitos segundo a lei brasileira. Muitas vezes eles não têm os mesmos benefícios que tinham no seu lugar de origem e isso prejudica sua permanência aqui", diz.

Números

No ano passado a maioria dos estrangeiros que aderiram ao mercado formal de trabalho brasileiro atuou no segmento marítimo a bordo de embarcações ou plataformas estrangeiras (28.044); setores de transferência de tecnologia (4.232); especialistas em assistência técnica (11.549); investidor financeiro (848); artistas e desportistas (8.470); e outros (1.146).

Os dados do MTE apontam ainda as funções de administração, diretoria, gerência e executivos com poderes de gestão e concomitância como as principais atribuições.

Por gênero, dos 56.006 imigrantes, 50.653 são homens, enquanto 5.353 são mulheres.

O prazo para a aprovação e emissão do visto, tanto o provisório quanto o permanente, segundo o MTE, é de 30 dias.

Entre vistos permanentes e vistos temporários, o MTE informa que, do total, somente 2.565 pessoas detêm visto permanente. Todavia, 53.441 possuem o visto temporário; destes, 17.298 têm o prazo de 90 dias de permanência, 18.627, prazo de um ano, 4.052, de dois anos e contrato de trabalho formal, e 13.564, de dois anos sem contrato de trabalho.

Nos anos anteriores, o número de imigrantes que estão no mercado brasileiro para trabalhar era menor do que em 2010.

Em 2008 foram autorizados 43.993 vistos (entre temporários e permanentes) e em 2009 foram 42.914. Na análise comparativa de 2009 com 2010 houve um incremento de 30,51%.

O principal país de origem destas pessoas são os Estados Unidos com 7.550, seguidos de Filipinas (6.531), Reino Unido (3.809), Alemanha (2.904) e Itália (2.040).

Dos países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) as quantias de pessoas apresentadas pelo MTE são: 3.237 indianos, 2.160 chineses e 589 russos. Na relação com os países do Mercosul, em 2010 644 argentinos entraram no mercado brasileiro, 28 paraguaios e 66 uruguaios. "O número de imigrantes no Brasil cresce por conta do crescimento da economia como um todo", aponta o Ministério do Trabalho.

Os números deste ano ainda não foram divulgados, e em entrevista ao DCI o Ministério afirmou que não há uma projeção.

Hoje no Brasil existem 43 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

Fonte: DCI - SP

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