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XCMG transforma Pouso Alegre na "Ásia brasileira"

Texto: Redação PE

Daqui a menos de um mês, a maior fabricante da China de máquinas para construção inaugura sua primeira linha de produção fora do país. A unidade da Xuzhou Construction Machinery Group (XCMG) está praticamente pronta e fica em Pouso Alegre, numa imensa área à beira da rodovia Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte. É um empreendimento que consumiu desde o início das obras, em 2012, US$ 200 milhões e que agita e agitará ainda mais a economia local.

Com 140 mil habitantes, a cidade fica numa região cercada de fazendas de café e onde a vida ainda conserva um ritmo tranquilo do interior de Minas. Pouso Alegre já é uma cidade polo, com indústrias e outras empresas operando há anos, mas recentemente entrou numa nova fase de atração de investimentos privados estrangeiros e nacionais. Em 2010, o produto interno bruto municipal estava um pouco acima de R$ 3 bilhões. No ano passado, segundo estimativa da prefeitura, saltava para mais de R$ 8,3 bilhões. No governo de Minas, alguns gostam de se referir à cidade como "Ásia brasileira".

Além dos chineses, indianos, australianos, britânicos, uma gigante europeia e até magnatas de um fundo do Catar são alguns dos que estão injetando - ou pensando em aplicar - recursos em projetos na cidade.

Entre as características que agradam aos empresários estão o fato de Pouso Alegre estar próxima a São Paulo e relativamente perto de Belo Horizonte e do Rio; e de estar num região desenvolvida como é o sul de Minas, onde há oferta de mão de obra qualificada e boa qualidade de vida.

A região, segundo o governo de Minas, é a segunda do Estado que mais atrai investimentos, depois da região metropolitana de Belo Horizonte.

Tian Dong, diretor do projeto da XCMG do Brasil, diz que a empresa avaliou quase 30 cidades em cinco Estados antes de se definir por Pouso Alegre. "Minas tem uma base muito forte de fornecedores industriais, é um mercado tradicional para as nossas máquinas e o governo estadual e a prefeitura de Pouso Alegre deram muito apoio", disse ele. Durante as obras, os chineses contrataram algumas empresas da cidade e aqueceram a demanda por produtos e serviços.

A empresa se apresenta como a maior fabricante da China de máquinas para construção - comoguindastes, pá carregadeiras, motoniveladoras, entre outras - e a quinta maior do mundo.

Atualmente, são 70 funcionários chineses e 70 brasileiros, finalizando a montagem da unidade e trabalhando nos escritórios numa rotina peculiar. Para se entenderem, contam com a ajuda de alguns tradutores, de uma ou outra palavra em inglês, do Google translator (que alguns dos operários acionam pelo celular exibem a tela para o colega) e de muita mímica.

Quando estiver estabelecida e rodando num ritmo acelerado, a unidade deverá ter cerca de 1.500 trabalhadores, segundo o gerente industrial da XCMG, Ednilson Kimura. A maioria será de brasileiros, garante.

Uma amostra do quanto o empreendimento empolgou os pouso-alegrenses é a corrida a um curso básico de mandarim que a Câmara dos Vereadores começou a oferecer em março - bancado com dinheiro público. As 60 vagas logo se esgotaram; mais 30 foram abertas e mesmo assim 200 interessados ficaram na fila, segundo a vereadora Dulcinéia Costa (PV), idealizadora do projeto.

A fábrica, cuja inauguração está marcada para 6 de junho, ocupa uma área de 800 mil metros quadrados, terá capacidade de produzir 7 mil máquinas por ano. No ano passado, todos os concorrentes da XCMG - como a Liebherr, Caterpillar, CNH, Komatsu e John Deer - produziram juntos 33 mil máquinas no Brasil, segundo Kimura.

Os chineses já têm um projeto para duplicar a capacidade de produção da fábrica daqui a três anos e uma possibilidade de injeção de mais US$ 200 milhões (R$ 440 milhões). Tian Dong prefere não revelar quanto já foi aportado em máquinas e estoque. A prefeitura cita investimento total de R$ 1 bilhão.

Fundada em 1989, como a união de diversas empresas, a XCMG é composta só por capital chinês. O plano inicial era que a fábrica ficasse pronta no fim do ano passado. A empresa atribui o atraso a um período intenso de chuvas, à certa demora para o desenvolvimento de fornecedores locais, à quantidade de feriados.

"O nosso objetivo é atender ao mercado brasileiro, os outros países da América do Sul e eventualmente países da África", diz Kimura. A unidade brasileira será a primeira 100% da XCMG fora da China - a XCMG adquiriu recentemente 60% das fábricas da Schwing na Alemanha.

A companhia chinesa espera que a operação em Minas alcance um faturamento de US$ 500 milhões dentro de três anos.

Fonte: Valor Econômico

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