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Como usar a realidade aumentada nos projetos e obras?

Utilização vai desde apresentações para clientes, passando pela compatibilização de projetos até o acompanhamento da execução das obras. Inteligência artificial deve potencializar ainda mais a tecnologia

Publicado em: 07/11/2023

Texto: Eric Cozza

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
A possibilidade de imersão em um ambiente ‘real’, em 3D, facilita o entendimento dos clientes e dos jovens profissionais sobre o que será, de fato, construído em um empreendimento. Isso encurta o tempo necessário ao entendimento do projeto e facilita o trabalho de execução (Imagem: Shutterstock)

Você sabe qual é a diferença entre realidade aumentada e a virtual? Conhece as principais aplicações dessas tecnologias nas diferentes etapas de um empreendimento imobiliário?

Muitas empresas e profissionais do setor ainda acreditam que o uso desse tipo de recurso se limita às apresentações para os clientes, durante o processo de venda. Trata-se de um uso extremamente importante e eficaz, mas há outras aplicações que também devem ser exploradas.

Novas soluções, por exemplo, como a captura de realidade e a integração com a metodologia BIM prometem revolucionar tanto a elaboração dos projetos quanto a gestão de obras nos canteiros.

Para nos explicar muito mais sobre esse assunto, nós convidamos para o podcast AEC Responde o Juan Carlos Germano, sócio fundador da plataforma Augin. Confira o áudio e/ou a entrevista na íntegra a seguir.

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AECweb – Qual é a diferença entre realidade virtual e realidade aumentada?

Juan Carlos Germano – A realidade aumentada é quando nós podemos visualizar um elemento 3D partir de um dispositivo: um smartphone ou um tablet. Estamos, basicamente, projetando aquele elemento no mundo real. Isso é um pouco diferente da realidade virtual, na qual o propósito é justamente ficar imersivo dentro de um outro mundo. Quando eu comecei a experimentar essas duas tecnologias com uma maior intensidade, por volta de 2016 e 2017, isso me chamou muita atenção. Resolvi, então, trabalhar com a realidade aumentada que, em termos de tecnologia, está mais próxima do uso real, mais pronta. Acabamos usando, inicialmente, a realidade aumentada para apresentar os produtos da fábrica de blocos cerâmicos da qual sou sócio (Pauluzzi Blocos Cerâmicos). Ao mostrar nosso catálogo em realidade aumentada, em 2018, isso fez com que os nossos clientes, construtores e projetistas gostassem da tecnologia e de interagir com os produtos cerâmicos via celulares e tablets. Só que eles queriam ver os projetos deles ali também. Então, passamos um ano desenvolvendo a plataforma a Augin. Naquele momento, era uma das primeiras do mundo a automatizar esse fluxo entre os softwares de engenharia e o smartphone e o tablet, para que as pessoas pudessem visualizar os seus projetos.

“A realidade aumentada permite visualizar na escala 1:1, sair caminhando pelo canteiro, visualizar aquele projeto a partir de um smartphone ou um tablet”
Juan Carlos Germano

AECweb – Quais são as principais aplicações da realidade aumentada nas diferentes etapas de um empreendimento imobiliário?

Germano – As pessoas usam de formas diferentes. Existem empresas que utilizam muito na parte comercial, para apresentar a um cliente como vai ficar a obra, seja um grande empreendimento ou uma residência unifamiliar. Há essa possibilidade de ir lá no canteiro mostrar, em 3D, aquela casa que ainda nem foi construída. Isso gera uma experiência muito positiva. Porque nem todo mundo foi treinado, como as pessoas da engenharia, para interpretar plantas 2D. Há muita dificuldade de compreensão de como aquilo vai ficar. A realidade aumentada permite visualizar na escala 1:1, sair caminhando pelo canteiro, visualizar aquele projeto a partir de um smartphone ou um tablet. Esse seria um uso mais comercial. Durante a etapa de projetos, nós notamos que muitos usuários empregam o aplicativo durante reuniões, para mostrar ao colega do lado...

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima

AECweb – Para compatibilização de projetos...

Germano – Exato. Para falar sobre o projeto e tirar dúvidas ainda na fase de desenvolvimento. Vários usuários e clientes do Augin utilizam também no canteiro de obras. Justamente para conseguir colocar o projeto na escala 1:1 e poder conferir ou revisar se aquilo que está na obra está de acordo com o projeto. Se há alguma coisa faltando, mas que consta no projeto ou, então, algo executado que estava não previsto. Além disso, é possível clicar nos elementos e receber todas as informações que estão vinculadas a cada um deles. Tudo em uma interface muito simples e fácil de utilizar. É muito empregado no canteiro, principalmente no início da obra, quando as equipes ainda estão entendendo e memorizando o projeto que vão construir. É uma forma de diminuir esse gap de entendimento. Faz com que as pessoas compreendam o projeto de forma mais rápida.

“Mapear todo o espaço em 3D, trazer isso para dentro de um software de engenharia e, a partir desse modelo gerado, desenvolver o projeto. Isso acelera muito o processo, por exemplo, de uma reforma ou revitalização”
Juan Carlos Germano 

AECweb – Um dos pressupostos para essa imersão é que os projetos tenham sido desenvolvidos em BIM?

Germano – É necessário que se tenha um projeto em 3D. A boa notícia é que, hoje em dia, a maior parte dos sistemas de elaboração de projetos já operam assim. Isso abre uma frente incrível para o uso de realidade aumentada. Desde que lançamos a ferramenta, em 2019, ela se expandiu rapidamente. Tanto é que já foi para 186 países, com mais de 200 mil usuários. Já processamos mais de 400 mil projetos de arquitetura e engenharia. Cada vez mais pessoas e empresas vem adotando a metodologia BIM, porque é uma forma de trazer mais informações para dentro do canteiro e compartilhar com as pessoas. E há também a tendência de levar essas informações cada vez mais longe, para todo o ciclo de vida do empreendimento, nos anos subsequentes à obra. Isso é um grande desafio, uma tendência, de muito potencial para o BIM.

“Postei no Linkedin um vídeo de uma pessoa conversando com o projeto, com áudio e texto, em linguagem natural, formulando questões sobre o modelo. A inteligência artificial pode cruzar todas as informações de um projeto e trazer respostas, de forma rápida e simples (...)""
 Juan Carlos Germano

AECweb – O que é captura da realidade e como se integra à utilização da metodologia BIM?

Germano – Eu não trabalho especificamente com a captura de realidade, mas é uma tecnologia fantástica que surgiu nos últimos anos e vem sendo melhorada, com cada vez mais pessoas utilizando. Tenho visto muitas aplicações nos empreendimentos mais antigos que, muitas vezes, não possuem mais documentação e nem um projeto. Algo, enfim, que se perdeu ou que era feito em papel e se degradou com o tempo. A partir dessa tecnologia, é possível capturar todo aquele ambiente e, dependendo do equipamento utilizado, isso pode ser feito com drones, que é algo fantástico. Mapear todo o espaço em 3D, trazendo isso para dentro de um software de engenharia e, a partir desse modelo gerado, desenvolver o projeto. Acelera muito o processo, por exemplo, de uma reforma ou

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AECweb – Pensando no futuro, quais são as aplicações que ainda não estão plenamente disponíveis no mercado, mas que serão tendência nos próximos anos no setor?

Hoje tem se falado muito de inteligência artificial. Em conjunto com outra empresa, nós também estamos trabalhando nesse assunto, para tornar mais fácil a comunicação entre qualquer pessoa e o modelo BIM. Recentemente, eu postei no meu Linkedin um vídeo de uma pessoa conversando com o projeto, com áudio e texto, em linguagem natural, formulando questões sobre o modelo. A inteligência artificial pode cruzar todas as informações de um projeto e trazer respostas, de forma rápida e simples, que, por vezes, as pessoas demorariam um pouco mais para filtrar em um software. A inteligência artificial, assim como a realidade aumentada, vai evoluir bastante. A cada ano, surgem sensores com maior capacidade. Eu imagino que, em um cenário de 5 a 7 anos, da maneira que os dispositivos estão evoluindo, será possível cotar uma obra, por exemplo, na coordenada XYZ, com mais precisão – muito melhor do que hoje, que está em torno de cinco metros. Temos outras técnicas para driblar essa questão, mas, com a evolução dos dispositivos, haverá um cenário ainda melhor para a realidade aumentada. São muitas pessoas pensando nisso, em vários cantos do planeta, gerando uma competição bem sadia e aberta para a criatividade.

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Colaboração técnica

Juan Carlos Germano – Graduado em administração de empresas e pós-graduado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), é sócio da Pauluzzi Blocos Cerâmicos e criador da plataforma Augin.