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2014: O superaquecimento no mercado de construção

Publicado em: 17/06/2010

A Copa da África do Sul mal esquentou, mas não paramos de pensar em 2014, quando o Mundial estará em terras brasileiras. Os estádios sul-africanos não impressionam tanto quanto os de Pequim, todavia, apesar das dificuldades econômicas e diferenças sociais encontradas no país, eles demonstram que a lição de casa foi bem feita. Coisa que ainda não vemos por aqui.

As obras de infra-estrutura para 2014 estão muito aquém do planejado. A adequação de estádios, rodovias, aeroportos e demais instalações para receber turistas são complexas e demoradas. Não é possível deixar tudo para a última hora, contando com a sorte ou com o popular jeitinho brasileiro.

Outra preocupação se refere ao novo presidente da república, o qual assumirá o mandato em primeiro de janeiro do próximo ano. A julgar pela história e pesquisas eleitorais recentes, as obras terão que aguardar um pouco mais até que o novo presidente saia da inércia inicial - característica dos primeiros meses de mandato.

Seja qual for o resultado das urnas, o fato é que o setor de construção civil vem crescendo a passos largos e consistentes nos últimos tempos. Com exceção do PAC, as recentes iniciativas do governo - programa "Minha Casa Minha Vida", redução do IPI para compra de materiais de construção e o aumento das linhas de crédito para financiamento da casa própria - tiveram como alvo o mercado residencial de baixo padrão.

A emergente classe C, equipada com os sonhos de consumo das linhas branca e marrom, pode agora pensar em reformar sua residência ou sair do aluguel. Considerando-se o tamanho deste mercado e o imenso déficit habitacional, podemos assegurar que o impacto na economia será alto, assim como o horizonte de tempo.

Já os eventos esportivos terão um grande impacto nos segmentos comerciais e de infraestrutura. Ampliação, construção e reforma de aeroportos, metrôs, trens, rodovias e principalmente estádios, estarão na agenda dos próximos anos. Em seu entorno, edifícios comerciais, hotéis, centros de convenções e shoppings centers, alavancados por diversos fundos internacionais que por aqui aportaram parte do seu patrimônio. O impacto econômico será alto e poderá ter seu horizonte estendido, caso os benefícios em sediar estes eventos sejam duradouros.

Quanto à cadeia produtiva, a construção civil é caracterizada por possuir muitos elos: fornecedores de matéria-prima, fabricantes de materiais de construção e equipamentos, escritórios de engenharia e arquitetura, incorporadores, empreiteiros, construtoras, empresas de corretagem e seguros. Setores com esta característica são conhecidos pela capacidade de geração de empregos diretos e indiretos, mesmo que muitas vezes com baixa qualificação.

Creio que mudanças estruturais ocorrerão nos segmentos residenciais e comerciais. Fusões, aquisições, parcerias, joint ventures e alianças com empresas de outros países serão cada vez mais comuns. Há ainda muito espaço para consolidação, considerando o perfil das empresas do setor. Como resultado esperado, um salto de qualidade em materiais e técnicas construtivas, maior capacitação e menor desperdício nos canteiros.

Que as empresas do setor estejam preparadas para os desafios que lhe serão impostos. Criatividade, profissionalismo e determinação são ingredientes fundamentais para negócios de sucesso e também para conquistas esportivas. Que a construção civil, o governo e a Seleção não nos desapontem.