Como a ISO 19650 apoia a implementação do processo BIM?

Publicado em: 28/03/2023

Há muito tempo se fala sobre o BIM (em português, Modelagem de Informação da Construção), seus benefícios e a importância de fazer sua implantação dentro das empresas do setor AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção), mas ainda existem dificuldades em como implementar essa metodologia.

Quase todas as empresas já tiveram uma primeira iniciativa, seja comprando um modelador, fazendo treinamento de um pequeno grupo ou buscando sua aplicação em um projeto e a evolução natural destas primeiras incursões é o aumento das dúvidas e incertezas. Isso porque o primeiro passo do conhecimento é entender que a implantação de um novo processo não é algo simples e que não existe uma fórmula mágica.

Assim como temos a ISO 9.001 para apoiar os processos de qualidade, agora usamos a família de normas ISO 19.650 para nos ajudar a estruturar as implantações BIM. Atualmente, foram traduzidas em formato ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) as partes um e dois. A primeira tem como objetivo definir conceitos e fundamentos para a gestão da informação, enquanto a segunda se refere ao suporte ao contratante na definição de requisitos de informação e estruturação de ambiente colaborativo para produzir, compartilhar e validar dados de forma eficiente.

Na prática, a norma define os requisitos para a gestão da informação, na forma de um processo de gerenciamento, durante todo o ciclo de vida do empreendimento e nas trocas de dados que nela ocorrem ao utilizar BIM. Portanto, a ISO 19.650 deve ser aplicada por todos os envolvidos nas fases de licitação, contratação, aquisição, concepção, construção, comissionamento e gestão do ativo.

Logo nos parágrafos iniciais, a norma traz duas informações que nos ajudam a compreender a dificuldade que se tem na implantação do BIM. A primeira ideia apresentada afirma que é desejado um trabalho integrado e colaborativo entre todas as partes, o que envolve contratada, contratante e subcontratada. Contudo, ainda temos em nosso mercado uma visão muito individualista. Um exemplo são as plataformas colaborativas, que em tese seriam para colaboração, mas são usadas para documentação ou na preparação contra um eventual futuro litígio. Por isso, podemos dizer que essa é uma mentalidade de litigância e desconfiança, que não inspira integração.

A segunda ideia reforça a participação de todos os envolvidos, ou seja, donos do ativo, cliente final, investidores, especialistas técnicos e equipes de projeto e construção. Normalmente, observamos no mercado apenas a busca pela implantação da equipe de projeto, e, em alguns casos, do time de construção também. Porém, essas duas são apenas ilhas dentro do processo como um todo. Então, se a implementação ficar focada somente nelas, o procedimento será mais complicado.

Portanto, é possível afirmar que a dificuldade do engajamento das demais partes também está associada a um desentendimento com a gestão da informação. Para todas elas, ter a informação adequada, no tempo certo e para tomar decisão, é algo desejado. Sendo este o objetivo da implantação da norma e, por consequência do processo BIM, a decisão de fazer a implementação se torna senso comum entre os integrantes de uma equipe.

Vale dizer que a maior questão está nas perspectivas da gestão da informação, pois os usuários do ativo estão mais preocupados com a documentação e atendimento de requisitos do que com os modelos e com o processo em si. Esta é a maior preocupação do grupo, associado com a entrega e o gerenciamento do ativo.

Dessa forma, focar em temas mais técnicos, como no modelo, na visualização e na tecnologia, ao invés da informação, é um erro cometido na busca por engajamento das partes que precisam ser envolvidas para que se consiga sucesso na implantação do BIM.